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Pearl Jam
Escrito por Abonico Sex, 18 de Setembro de 2009 02:44
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Sob o firme comando autoral de Eddie Vedder, novo álbum faz a banda voltar a impressionar
Fotos de divulgação
Texto de César Cruz (gentilmente cedido pelo site Indienation)
Yield, álbum lançado em 1998, é o ponto em que o Pearl Jam se tornou irremediavelmente antiquado. Não é a opinião de quem escreve aqui; você pode ouvir o próprio Eddie Vedder dizer "Eu não estou tentando fazer a diferença/ Eu vou parar de tentar fazer a diferença" na terceira faixa do disco, “No Way”. Provavelmente a letra não fala sobre o processo criativo do quinteto, mas o trecho é demasiadamente simbólico para ser ignorado. Se "fazer a diferença" não era mais o objetivo, a saída para o Pearl Jam era ser, pelo menos, uma banda divertida.
Binaural (2000), o disco seguinte, vai na direção oposta, embora tenha seus momentos memoráveis (“Soon Forget” é uma bela canção esquecida, como você pode ouvir neste inacreditável vídeo). Riot Act (2002) e Pearl Jam (2006) abusavam de referências políticas e já soavam datados antes mesmo de saírem das lojas. Grandes canções como “I Am Mine”, “All Or None” e “Parachutes” se perderam no meio do falatório didático e o Pearl Jam reduziu drasticamente seu tamanho entre os gigantes dos mainstream ("Riot Act" sofreu para alcançar meio milhão de discos vendidos, numa época em que ainda se vendiam discos). Em Backspacer [Lançamento próprio com distribuição em todo o mundo pela Universal, 2009], esses senhores convencionais ainda não parecem dispostos a fazer diferença, mas finalmente parecem fazer música por prazer.
As quatro faixas iniciais são rápidas e pegajosas, mas não necessariamente agressivas, como acontece no início de todos os outros discos da banda. “Gonna See My Friend” ataca o ouvinte com um riff dançante que lembra um Stooges mais light, ao invés de punks esquemáticos, como de costume. Na ponte que leva a segunda parte da primeira faixa ("Want to be there/ Hard as a statue/ Black as a tattoo/ Never to wash away"), Vedder começa a dar sinais que o álbum é todo seu. “Got Some” seria mais uma música do Arctic Monkeys se não fosse, novamente, a atuação segura do vocalista.
Deve existir alguém que duvide que o Pearl Jam é Eddie Vedder, mas até esse terá de se render à constatação durante a irresistivelmente pop “The Fixer”. Reza a lenda que o baterista Matt Cameron levou uma longa composição para ser completada com letra pelo vocalista. Vedder voltou com uma composição curta com versos que dizem "When something’s broke/ I wanna put a bit of fixin’ on it/ When something’s bored/ I wanna put a little exciting on it". Em qualquer outra banda, a falta de modéstia do líder poderia resultar
Ponto de reflexão
“Just Breathe” é o ponto de reflexão. Reconhecendo que tem muito pouco do que reclamar, Vedder usa o violão de “Tuolomne” (faixa instrumental do seu primeiro disco solo, a trilha sonora do filme Na Natureza Selvagem) para acompanhar sua declaração de amor aos amigos e à família. É uma pena que um álbum que vinha descendo redondo, a partir dessa canção, decepcione o ouvinte em uma sequência bastante irregular. “Amongst The Waves”, apesar do refrão fácil, mostra que uma banda que não quer fazer a diferença pode atingir facilmente seu objetivo, mesmo tendo comprovada capacidade para fugir do óbvio. “Unthought Know” segue a mesma linha antiquada, tão insossa quanto uma canção do Coldplay (existe até uma certa semelhança com “The Hardest Part”).
“Supersonic” rompe a calmaria com um riff ramônico tocado com rapidez incompatível com as faixas anteriores (e as seguintes também). É estúpida, mas diverte como raramente o Pearl Jam divertiu depois de Vitalogy (1994). Das baladas que povoam a segunda parte do álbum, “Speed Of Sound” é a mais interessante delas. Para uma banda que parecia avessa à alguma coisa que não fosse a combinação bateria + baixo + guitarra, o arranjo elegante proposto pelo produtor Brendan O'Brien soa promissor. Em seguida, o álbum apresenta seu ponto mais fraco: a preguiçosa “Force Of Nature”, um pop rock certinho de introdução vergonhosa e riff reciclado.
Para contrabalancear, a poderosa “The End” fecha o álbum impressionando. Arranjo de cordas em um disco do Pearl Jam, vejam só! Mas não é só isso, felizmente. O impacto da canção é provocado, principalmente, pela magnífica performance de Eddie Vedder. É raro ouvir algo tão pessoal, frágil e emocionado. Então, mesmo que o leitor nunca tenha dado a mínima para o Pearl Jam, faça um esforço, baixe Backspacer (ou compre, se você ainda vive em 2001 e acha que download é pirataria) e vá até o final para ouvir uma das grandes composições de 2009.
Enquanto Vedder termina o álbum com os versos "The end comes near/ I'm here/ But not much longer", um suspiro surge por trás da voz fragilizada do vocalista. É um efeito de estúdio, mas o suspiro poderia ser seu. Demorou, mas o Pearl Jam finalmente consegue impressionar outra vez.
- 28/09/2009 22:24 - Fernanda Takai
- 28/09/2009 18:06 - Nação Zumbi - Ao Vivo
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