Arquivo
Nação Zumbi - Ao Vivo
Escrito por Abonico Seg, 28 de Setembro de 2009 18:06
Twittar este Artigo
Pernambucanos comemoram os quinze anos com uma ideia na cabeça e um foguete no pé
Por Guilherme Martinelli (do site Herói e texto publicado pelo site Bis através do Creative Commons)
Foto de Divulgação
Quer você queria ou não, a Nação Zumbi é uma das bandas mais importantes dos últimos 20 anos no Brasil. Desde os Mutantes, ninguém conseguiu, com tanto êxito, misturar, à sua maneira, os mais diversos ritmos regionais (maracatu, coco, ciranda) com influências do rock, hip hop, etc. Da Lama ao Caos, o primeiro CD profissional do grupo, foi um divisor de águas (ou de lama). Trouxe ao conhecimento do mundo a genialidade do seu frontman Chico Science, solapou o movimento Mangue Beat e colocou Recife, "a quarta pior cidade do mundo", no mapa da produção musical e cultural do país. Tudo de uma vez só, como um "Monólogo ao Pé do Ouvido". E, convenhamos, isso não é pouca coisa.
No último dia 18 de setembro, a Nação comemorou, com quase 4 mil fãs que sacudiram o Citibank Hall,
O show, que fazia parte da apresentação do festival Conexão PE, trouxe ainda duas outras bandas. Guizado, que caminha entre o lúdico e o trompete, com um ar filosófico e os versos nas nuvens, e Ortinho, velho de guerra da cena nordestina mas que para os paulistas ainda é algum tipo de Arnaldo Antunes do agreste. Os dois shows, apesar de um pouco longos, deixaram todos ansiosos para a Nação. Ao terminar sua apresentação cantando "Sangue de Barro", sua parceria com Chico Science que foi até trilha da novela das oito, Ortinho deixou o clima perfeito. O mangue ia borbulhar.
Nos primeiros 45 minutos, a Nação Zumbi foi Da Lama ao Caos de cabo a rabo. Na ordem do disco e, claro, com as devidas participações especiais de figuras importantes. Tanto para a banda quanto para o cenário musical do Brasil, atualmente, alguns mais, outros menos, mas, estavam lá Otto, Fred Zero Quatro (fundador do Mundo Livre S/A) e Bnegão. Depois do intervalo, o grupo deu sequência a festa. mandou músicas como “Blunt Of Judah” e “Fome de Tudo”, mas deixaram de fora clássicas como Maracatu Atômico, “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”. Nada que atrapalhasse a festa, nada que também não pudesse ser tocado.
No fim, depois de tantos homenageados, o espírito do rock desceu sob Lúcio Maia (O Homem Binário) e a Nação não se esqueceu de prestar as reverências aos 39 anos da morte de Jimi Hendrix, tocando “Purple Haze”. Jorge Du Peixe, vocalista da banda, disse, antes do termino do show: "em 1994 ninguém sabia o que era maracatu. Em 1994, ninguém sabia o que era frevo, coco, ciranda. Hoje, ainda tem muita coisa no Brasil que não se conhece. Em Belém, tem gente fazendo música eletrônica. No Rio, você já pode encontrar uma boa roda de 'jongo'. Nós [a Nação Zumbi] ainda temos muito o que fazer. E o Brasil também."
O Manifesto do movimento Mangue Beat (não leu? Google), escrito por Fred Zero Quatro, afirma que a música e toda produção cultural que ali nasciam tinham como objetivo salvar a cidade de Recife do declínio absoluto, de um enfarte. Injetando energia na lama dos mangues, que são as artérias da cidade. O desfibrilador ideológico deu certo. Há 15 anos Recife pulsa, e mantêm-se viva. Talvez tenha chegado o tempo, de alguém dar um choque no coração do Brasil. Para que a nossa música se recicle, que nossas veias asfaltadas reajam e consigamos acompanhar os passos "laterais" desses "caranguejos espertos." Quem sabe fazer nosso próprio caminho "da lama ao caos".
- 02/10/2009 00:18 - Franz Ferdinand – Ao vivo
- 01/10/2009 20:50 - I_CWB #5 – Ao vivo
- 28/09/2009 22:24 - Fernanda Takai
- 27/09/2009 15:10 - Beirut - Ao vivo
- 25/09/2009 02:27 - Thom Yorke
- 19/09/2009 13:01 - Pavement
- 18/09/2009 02:44 - Pearl Jam
- 16/09/2009 23:39 - Punkake

| < Anterior | Próximo > |
|---|





