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Fernanda Takai
Escrito por Abonico Seg, 28 de Setembro de 2009 22:24
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Cantora lança DVD ao vivo e fala sobre as surpresas e o sucesso de sua carreira solo
Textos de Abonico R. Smith (entrevista e matéria) e Tetê Fontoura (resenha)
Fotos de Nino Andrés/ DeckDisc/ Divulgação
O mês de outubro marca o retorno às atividades do Pato Fu. Depois de quase um ano de relaxamento temporário, com a carreira tocada em piloto automático, o grupo se reencontra para rascunhar as novas composições, que farão parte do próximo álbum, previsto para sair no semestre inicial do ano que vem. De quebra, os mineiros ainda se preparam para uma experiência inédita: descobertos pela internet, através de uma busca sobre o que há de bom na música brasileira de hoje, os fus partirão para um insólito show na Índia, dentro de um festival com a proposta de mapear o que de melhor está sendo feito na música pop contemporânea.
Fernanda Takai não esconde sua ansiedade em relação ao futuro próximo. Também não esconde sua excitação com a reta final de sua turnê solo. As apresentações por todo o país seguirão até o fim de 2009, que é quando se completa um ano de lançamento primeiro álbum que leva apenas o seu nome. Em agosto, o disco Onde Brilhem Os Olhos Seus ganhou um complemento, o DVD Luz Negra (DeckDisc), gravado durante uma performance realizada em maio, em um teatro da cidade mineira de Nova Lima (e que ainda ganhou uma edição em CD com o repertório reduzido.. A satisfação com o ótimo resultado obtido, segundo ela, “é ainda maior quando não é algo planeja e esperado”.
Na verdade, a carreira solo é tratada por ela como uma (excelente) experiência vivida. “Ter as rédeas do trabalho sozinha pode ser muito bom em determinadas vezes. Você escolhe tudo sozinha, da capa ao repertório. Mas ainda bem que a maior parte das minhas decisões tem sido boa, porque também quando você erra, você erra sozinha. Mas não dá para negar que se sente aquela falta de companheirismo dos outros”, analisa. “Por tudo isso eu não faço a mínima idéia de quando virá um novo projeto solo. E se virá. Pretendo agora voltar minha atenção para a banda e esse novo disco.”
Para Fernanda, seu tempo “distante” do grupo ainda renderá bons frutos na retomada do trabalho coletivo, já que ela trará de volta um público que não dava muita atenção ao Pato Fu. “Senti a diferença que há quando se faz um disco solo. As pessoas passaram a me colocar na categoria de ‘cantora’. É engraçado... Como se eu nunca tivesse sido uma antes, à frente da banda”, ironiza. “Do ano passado para cá eu fiz muitos duetos, cantei com vários artistas de estilos diferentes na música brasileira. O que eu acho gozado é que antes disso meu nome sequer era cogitado como um possível convidado. Ponto para o Nelson Motta, que tanto insistiu para que eu gravasse esse disco. Foi o repertório da Nara Leão travestido de música pop”. Isso, segundo ela, quebrou um pouco essa borda entre o que é considerado “rock” no Brasil e o que recebe o conservador rótulo de “música popular brasileira”. “Aliás, em muitos shows desta turnê solo consigo perceber perfeitamente entre o público quem é que veio assistir por causa do Pato Fu e quem vem porque gosta de MPB”, garante.
Coroando esta trajetória final de sua “escapada” do Pato Fu, Fernanda afirma que Luz Negra vem como um DVD que vai muito além de um mero registro. “Diria que é o ‘filme do show’. Não é uma simples comemoração, do tipo ‘todo mundo batendo palma’. Ele privilegia a contemplação. Há toda uma preocupação com o olhar. Todos os câmeras são jovens diretores, cuja faixa etária vai de
E também, tal como acontece sempre a cada trabalho do Pato Fu, Takai ressalta que este também teria de vir com ‘coisas que ninguém espera’. Sob a inspiração de filmes noir como Sin City (adaptação da HQ para os cinemas), O Homem-Elefante (estreia na direção de David Lynch) e vários clássicos de Alfred Hitchcock, o preto-e-branco reina soberano. Mas há ainda a presença de cores, que vão e vem, entram e saem, para “contar uma história” durante o repertório. “Faz com que cada música vireum clipe em separado”, acrescenta.
Muito além de Nara Leão
O set da turnê foi centrado
No rol das novidades há um Robertinho de Recife transformado em baião (“Seja O Meu Céu”), uma antiga canção escrita em parceria com John Ulhoa (marido dela, guitarrista de sua banda solo, produtor de estúdio e o centro musical do repertório do Pato Fu) que nunca coube em trabalhos anteriores com a banda (“Cinco Discos”), influências do pop britânico oitentista (“There Must Be An Angel” e “Ordinary World”, músicas respectivamente conhecidas nas gravações originais de Eurythmics e Duran Duran) e ainda uma homenagem à sambista Eliana Pitman (“Sinhá Pureza”) .
A inclusão de “Ben” também veio da vasculhada nas lembranças da infância de Fernanda. A música acabou incorporada ao repertório da turnê por uma infeliz coincidência. “Acabei fazendo uma homenagem em vida ao Michael Jackson. Se já tinha gente que chorava antes na platéia, agora... Bom, até eu vou cantar de outro jeito. Não tem mais como não me emocionar”, diz ela. Aliás, vale a pena lembrar que o DVD foi gravado em maio, algumas semanas antes da surpreendente morte do popstar
Uma segunda homenagem na inclusão de novas canções no set está meio “escondida” em “Você Já Me Esqueceu”. O autor dela é Fred Jorge, novelista, jornalista e compositor, morto há 15 anos. No início dos anos 60, sua paixão pelo então ascendente rock’n’roll o fez adaptar para o português vários dos grandes sucessos do gênero nos Estados Unidos e na Itália (um grande produtor de música pop naquela década, ao lado dos EUA e Inglaterra). Entre suas versões mais famosas estão as dos hits “Diana” (Carlos Gonzaga), “Estúpido Cupido” e “ Banho de Lua” (ambas imortalizadas por Celly Campelo). “Você Já Me Esqueceu”, com música e letra criadas por Jorge, foi gravada por Roberto Carlos em 1972, no mesmo álbum que tinha “Como Vai Você” e “A Montanha”.
Desse mesmo disco também saiu uma segunda faixa reinterpetada por Fernanda nos palcos. Ela se chama “O Divã” é uma das mais impressionantes letras já compostas pelo Rei. E, talvez, a mais confessional. “É uma música que conta detalhes do acidente que ele sofreu quando era criança”, conta a cantora, para, na seqüência, explicar o porquê da ausência dela tanto no CD quanto no DVD. “Eu não posso registrá-la, Ele não me deu autorização para gravar”. Fernanda diz que compreendeu a recusa. “Poderia ter aberto recurso e tal, mas nem quis. Entendo o lado dele. Já fiquei muito feliz quando ele me autorizou a gravar ‘Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos”
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Fernanda Takai – Ao vivo
Teatro Guaíra [Curitiba] - 18.09.09
Ser a única garota da banda sempre chama a atenção. Faz com que as outras pessoas tenham um olhar especial, diferente. Fernanda Takai faz parte do Pato Fu há 17 anos. Ela é a única garota da banda. A voz doce e baixinha, cheia de personalidade, que dá um tom especial às músicas – muitas delas compostas pela própria Fernanda e por John Ulhoa, parceiro da banda e da vida. A inventividade simples (ou a simplicidade inventiva?) do Pato Fu levou a banda e a vocalista ao reduzido patamar dos grandes nomes do pop rock nacional. Até que um convite de Nelson Motta a levou a experimentar. O produtor enxergou nela o mesmo jeito contido e delicado de outra grande pequena mulher: Nara Leão. Daí veio Onde Brilhem Os Olhos Seus, disco com releituras da cantora amapaense (sim, Fernanda nasceu em Serra do Navio, não em BH) para sucessos da carioca. O álbum rendeu o DVD Luz Negra, com o mesmo repertório e o acréscimo de outras músicas escolhidas a dedo pela intérprete.
Depois de um show cancelado por conta da gripe A, finalmente Fernanda Takai chegou à capital paranaense para apresentar o novo trabalho em 18 de setembro. Noite chuvosa, sentia-se uma certa apreensão com relação ao público. Afinal, encher o Guairão não é uma tarefa fácil. Aos poucos, as cadeiras da platéia foram sendo ocupadas. Pouco depois do horário marcado, ela subiu um pouco acanhada no palco enorme, à frente do quarteto que a acompanhava. Após as primeiras músicas e piadinhas doces, sentiu a receptividade calorosa dos curitibanos. Pois é, às vezes a fama de povo frio não se confirma...
A voz baixinha e cheia de personalidade encheu o palco, o teatro inteiro. Nelson Cavaquinho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes, todos já eternizados por Nara, ganharam uma cara nova, mais moderna, em interpretações impecáveis da cantora e sua banda – composta por John Ulhoa na guitarra, Mariah Portugal na bateria, Thiago Braga no contrabaixo e Camila Lord substituindo o tecladista oficial Lulu Camargo (que também faz parte do Pato Fu e naquela noite teve de ficar
Voltemos ao show. Em um cenário de fundo negro, adornado por bolas brancas recortadas no próprio quintal da casa de Fernanda e John,
E se a bossa ficou pop, o pop virou bossa. As internacionais "Ordinary World" (Duran Duran) e “There Must Be An Angel”, (Eurythmics) foram abrasileiradas. E ela ainda provou que é possível cantar quase sussurrando "Ben", clássico eterno na voz de Michael Jackson, sem precisar atingir agudos afiadíssimos como os do rei do pop.
No bis, boas supresas: “O Ritmo da Chuva”, hit dos anos 60 revisitado em parceria com o ex-hermano Rodrigo Amarante, e uma divertidíssima versão de “Rehab”, de Amy Winehouse, para pasmar e em seguida agitar a platéia.
No começo do show, ainda tímida, Fernanda Takai desejou que aquela noite fosse tão inesquecível para o público quanto “parecia que seria” para ela. Se a expectativa se confirmou, ela deve ter voltado para Minas Gerais tão satisfeita quanto os expectadores curitibanos saíram do Guairão. (TF)
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>> Veja aqui o clipe de “Você Já Me Esqueceu”
>>Leia aqui em breve sobre o novo DVD do Pato Fu e o álbum solo do baixista da banda, Ricardo Koctus.
- 02/10/2009 00:18 - Franz Ferdinand – Ao vivo
- 01/10/2009 20:50 - I_CWB #5 – Ao vivo
- 28/09/2009 18:06 - Nação Zumbi - Ao Vivo
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