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Comunhão entre Zach Condon e fervoroso público brasileiro marca estreia da banda em São Paulo

 

Condon, envolto na bandeira nacionalTexto de Tiago Agostini

Fotos de Marcelo Costa/Scream & Yell

 

Poucas vezes é possível presenciar uma platéia tão devota quanto a do Beirut no Via Funchal neste último 11 de setembro. Cantando todos os versos das músicas e também as linhas de sopro, não é difícil comparar com o público fervoroso que acompanhava o Los Hermanos até alguns anos atrás – não são por acaso os confetes e serpentinas jogados no palco durante a apresentação. Com uma atmosfera tão propícia e o público ganho antes mesmo de o show ser confirmado, Zach Condon e sua banda precisariam fazer muita coisa errada para que o show fosse ruim.

 

Abrindo logo de cara com “Nantes”, uma das duas grandes músicas da banda, Zach deixava claro a que tinha vindo. Em pouco mais de uma hora de show, ele desfilou todo o lirismo das músicas de seus três álbuns (Gulag Orkestar, The Flying Club Cup e March Of The Zapotech), inundando um Via Funchal lotado com música do leste europeu, francesa e pequenos toques de latinidade. Quando foi executada a sua música mais famosa, “Elephant Gun”, presente na trilha sonora da minissérie global Capitu, o local estremeceu.

 

Na verdade, mais do que apenas um show a apresentação do Beirut foi uma grande festa e comunhão do público. Por todos os lados era possível encontrar pessoas dançando timidamente como se estivessem em um baile particular, casais abraçados e balançando para o lado, moças bonitas com suas singelas saias longas e rodadas com um pouco de lágrimas no olhos.

 

Jogando para a galera, Condon balbuciou algumas palavras em português, mas se desculpou por não dominar mais o idioma. Repetiu o bordão “toca Raul” com um ar de pirraça e se enrolou na bandeira brasileira jogada ao palco no bis, lendo as palavras escritas no manto (Ordem e progresso) em sotaque macarrônico. Com toda sua simpatia nata e natural, ainda teve tempo de reger público e banda numa versão de “Aquarela do Brasil”, aclamada como era de se esperar.

 

Após voltar para dois bis, o Beirut se despediu de São Paulo com um show praticamente impecável. O único ponto contrário foi da produção, que deu tiro no pé ao fazer o show com mesas e cadeiras. Seria um espetáculo muito mais bonito se todos tivessem livre circulação pela casa. Mas o deslize não foi nada que conseguisse estragar uma das melhores apresentações em solo nacional no ano.

 


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