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Novamente produzido por Brian Eno, quarteto se perde nos excessos e na megalomania de Mylo Xyloto

Martin e asseclas: excesso de coresTexto por Carlos Eduardo Lima

Foto: Divulgação

Mylo Xyloto (EMI) é o quinto disco de estúdio do Coldplay. Se você, como eu, ouviu o primeiro trabalho deles, Parachutes, no ano do seu lançamento, 2000, sabe que este é um disco bem legal. Nessa época o Coldplay integrava, junto com bandas como Muse e Travis, uma fileira de conjuntos que emergiam da década de 1990 tocando rock, influenciados, sobretudo, por U2 e Radiohead. Melhor dizendo: por momentos específicos das carreiras dessas duas bandas, mais precisamente a fase The Joshua Tree do U2 e a fase The Bends do Radiohead. Esses momentos musicais distintos é faziam a cabeça desse povinho emergente.

De Parachutes pra cá, o Coldplay foi diluindo cada vez mais a sua receita musical e deixando de lado os elementos que tornavam interessantes canções como "Trouble", "Sparks", "Shiver", "Spies" e o sucesso "Yellow" – ou seja, uma certa tristeza e contemplação do mundo. Isso foi saindo de cena em benefício de uma alegria de estádio, de palco, de nerd que ganha o primeiro beijo da namorada aos 19 anos de idade. Talvez esse seja o caso do próprio Martin, casado com Gwyneth Paltrow, que ele afirma ter sido o seu único namoro em toda a vida.

Excentricidades à parte, o segundo disco do Coldplay, A Rush Of Blood To The Head (2002), ainda tem coisas legais como "The Scientist", "In My Place" ou "Clocks" mas perde em qualidade para a estréia e já mostra uma grande tendência para a repetição de tiques e taques musicais.

A coisa piorou com X&Y (2005) e Viva La Vida (2008), quando Martin e seus cupinchas abriram as pernas para o rock de arena que o U2 chutou pra escanteio na década de 1990 com Achtung Baby (1991). O Coldplay não só resgatou essa fórmula como a ampliou, apurou e tornou ainda mais irritante, desaguando naquele epíteto de "banda coxinha". Isto é, aquela formação inofensiva, asséptica e chata que faz "rock".

Com Mylo Xyloto (que nome é esse? Um pokémon? Um personagem da saga Star Wars?), a vaca foi para o brejo de vez. Para a vergonha eterna de Brian Eno, que produz a banda desde Viva La Vida, o disco é uma aula de como não se usar timbres e sonoridades. Toda a sutileza atmosférica que Eno imprimia em seus trabalhos parece coisa de um passado distante ou idealizado. O som é destrambelhado, excessivo, megalômano, no pior sentido desses termos. Não é como Killers e Keane (bandas mais ou menos parecidas com o Coldplay, buscando sonoridades oitentistas em seus terceiros discos), não é curiosidade, não é nada que não seja um grande desperdício de ideias.

Canções como "Paradise", "Us Against The World", "Majos Minus" são arremedos de composições, com cada vez menos traços musicais daquela banda do início dos anos 00. Tudo bem que essas sonoridades já se foram há tempos, mas nunca é demais pensar que o Coldplay seria melhor se não exalasse essa mistura estranha de nerdismo, vulnerabilidade e bobo-alegrismo pungente. A presença de Rihanna em "Princess Of China" serve como curiosidade, uma vez que é a faixa com menos sex appeal que a cantora – conhecida por sua presença, hum, sexy, seja em palco, seja em discos – já registrou.

A única canção que deve ser salva do fogo infernal é a última, "Up With The Birds", com bela melodia e arranjo delicado de piano e guitarra. Pode servir como uma lembrança de um passado que nunca voltará. Não dá nem pra lamentar o resto. Evite a todo custo.

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Comentarios (5)Add Comment
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escrito por Viteck, 18 de outubro de 2011
Desisti do Coldplay depois de X & Y...
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escrito por CEL, 18 de outubro de 2011
Eu também, meu caro.
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Sim, um bom álbum
escrito por Jimeniz, 18 de outubro de 2011
há uma certa má vontade e indiferença para com o Coldplay desde que eles se tornaram GRANDES demais: banda pra encher estádios, fazer o público cantar junto, ter música em trilha de novela, tocar em tudo que é tipo de FM (das easy,povão até as rock ,college),vocalista que pega atriz loura e linda de róliúde,ganha o aval dos tops de cenas distintas (de Noel Gallagher a Jay Z e Beyonce,passando por Sandy e Embrace,dentre tantos outros), enfim, qual banda que surgiu/despontou/apareceu no começo dos 2000 pra cá que conseguiu tal façanha em termos de receptividade de massa e propagação e difusão na indústria musical/cultural, com internet e tudo o mais?hum?qual?além deles, nenhuma. simplesmente nenhuma que possa se equiparar e rivalizar com um U2 da vida (aliás,
POR QUE O BONO CHAMOU O CHRIS MARTIN DE CRETINO CERTA VEZ? ALGUÉM PODE ME EXPLICAR AÍ?) nos quesitos mercado, qualidade artística e popularidade.ninguém mais dessas gerações recentes conseguiu isso. Strokes? Arctic Monkeys? Killers teve até certa visibilidade,mas é um tanto nicho ainda se comparado ao efeito tido por Martin & cia na cena toda.o Travis prometeu,mas foi esmagado pelo próprio monstro que ajudou a criar no cenário do então cambaleante britpop.mas vamos ao álbum. só vou dizer que se MX não entrar em nenhum top 20 de respeito dos álbuns de 2011 ou canções como 'Paradise', 'Up in flames' e'UFO' não figurarem também em honroso retrospecto do ano, eu me mato com uma overdose mastodôntica de sucessivos goles abissais de fanta uva.
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Sim, um bom álbum
escrito por Jimeniz, 18 de outubro de 2011
há uma certa má vontade e indiferença para com o Coldplay desde que eles se tornaram GRANDES demais: banda pra encher estádios, fazer o público cantar junto, ter música em trilha de novela, tocar em tudo que é tipo de FM (das easy,povão até as rock ,college),vocalista que pega atriz loura e linda de róliúde,ganha o aval dos tops de cenas distintas (de Noel Gallagher a Jay Z e Beyonce,passando por Sandy e Embrace,dentre tantos outros), enfim, qual banda que surgiu/despontou/apareceu no começo dos 2000 pra cá que conseguiu tal façanha em termos de receptividade de massa e propagação e difusão na indústria musical/cultural, com internet e tudo o mais?hum?qual?além deles, nenhuma. simplesmente nenhuma que possa se equiparar e rivalizar com um U2 da vida (aliás,
POR QUE O BONO CHAMOU O CHRIS MARTIN DE CRETINO CERTA VEZ? ALGUÉM PODE ME EXPLICAR AÍ?) nos quesitos mercado, qualidade artística e popularidade.ninguém mais dessas gerações recentes conseguiu isso. Strokes? Arctic Monkeys? Killers teve até certa visibilidade,mas é um tanto nicho ainda se comparado ao efeito tido por Martin & cia na cena toda.o Travis prometeu,mas foi esmagado pelo próprio monstro que ajudou a criar no cenário do então cambaleante britpop.mas vamos ao álbum. só vou dizer que se MX não entrar em nenhum top 20 de respeito dos álbuns de 2011 ou canções como 'Paradise', 'Up in flames' e'UFO' não figurarem também em honroso retrospecto do ano, eu me mato com uma overdose mastodôntica de sucessivos goles abissais de fanta uva.
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escrito por CEL, 18 de outubro de 2011
Desculpa, Jimeniz, mas acho melhor você ir comprando uns engradados de Fanta Uva, rapaz.

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