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Weezer
Escrito por Abonico Qui, 29 de Outubro de 2009 00:05
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Rivers Cuomo tenta unir genialidade, ironia e subversão mas banda vira piada sem graça
Texto de César Cruz (gentilmente cedido pelo site IndieNation)
Foto: Divulgação
Antes de ler, assista:
>> Vídeo 1: um herói dos anos 90 passeando pelo hip hop mainstream sem perder a decência, no início desta década.
>> Vídeo 2: uma banda que faz música rotulada como power pop, fazendo música pop, sem perder a decência.
>> Vídeo 3: uma banda indecente, fazendo piada indecente, mas atingindo seu objetivo.
O Weezer anda numa fase muito estranha, você já deve saber. Tanto que precisa de estratégias de defesa. As que dizem "vai lá e faz melhor" e "gosto é que nem braço" (ou qualquer outra parte do corpo, dependendo do grau de sofisticação do comentarista anônimo) nem devem ser analisadas devido ao alto teor de estupidez. As três vertentes mais comuns, compartilhadas por outras bandas e defendidas até por gente esclarecida, encontram base suficiente para existir nesses três vídeos. Infelizmente, não fazem o menor sentido quando tentam defender o mais novo capítulo da crise de meia-idade de Rivers Cuomo, Raditude [Geffen, 2009].
O argumento mais antigo é o que anda perdendo mais força com a atual indefinição prática entre indie e mainstream: críticos, todos eles, sofrem da síndrome do underground. Sendo assim, o novo status do Weezer incomoda toda essa raça desprezível e invejosa de seres humanos. Mas a virada artística em direção a um pop-rock asséptico deu apenas uma falsa impressão de que existe um novo status – exceto pelo fracasso comercial do cultuado Pinkerton, em 1996, o quarteto sempre teve vendagem considerável. Na cabeça do fã não existe a possibilidade do crítico elogiar os dois primeiros álbuns porque esses são realmente bons e espinafrar os restantes porque todos eles são realmente ruins. É tudo síndrome de underground.
O primeiro argumento leva ao segundo: os críticos gostam de música difícil. Para este argumento ser destruído, basta colocar Raditude para tocar. “(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To” é um country-pop agradabilíssimo. Sem nenhuma experimentação, sem resvalar na auto-referência. Apenas música pop, rápida, de fácil assimilação. E então, na faixa seguinte, em cima de uma bateria eletrônica e um riff hard rock pilantra, Cuomo usa a mesma melodia do refrão de “Keep Fishin'” para proferir os inacreditáveis versos "Isto é impossível/ Isto é improvável/ Nesta noite você é meu bebê/ E eu sou papai!". Se críticos gostam de música difícil, pesquise quantos de bom senso vão gostar de “I'm Your Daddy”, uma faixa muito difícil, praticamente impossível (de suportar). Completando o revival não requisitado de Maladroit, o Weezer recria a não menos insuportável “Dope Nose” em “The Girl Got Hot”, logo depois. Isso mesmo, "A Garota Ficou Gostosa". E ainda fica pior, acredite...
A insanidade do papai Cuomo remete ao terceiro e mais forte argumento: o Weezer, agora, é uma piada. Rivers é o novo Andy Kaufman. Ele pretende subverter a cabeça da crítica musical e promover um debate sobre a falta de rumo da música moderna. Desde a capa, que é praticamente um meme, nada que o Weezer fez em Raditude é sério. Dá até para imaginar a cena: Cuomo olhando os comentários sobre “Can't Stop Partying”, morrendo de rir dos noobies que não entenderam o seu hilariante retrato da geração Y. Acreditando que o compositor é realmente engraçado, dá também para compartilhar uma visão irônica sobre a exploração comercial da cultura indiana pós-Slumdog Millionaire em “Love Is The Answer”, já gravada pelo Sugar Ray (isso é uma piada também?).
O argumento é forte mas duvida da capacidade do ouvinte. Se você não achou graça, você não entendeu a genialidade. Raditude, porém, não é genial. As observações irônicas são tão óbvias que se misturam indistinguivelmente com os objetos criticados. Mas não há como negar: o Weezer, agora, é uma piada. Muito sem-graça...
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ps. dificil postar coment aqui hein