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U2 – Ao vivo
Escrito por Abonico Seg, 26 de Outubro de 2009 23:55
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Transmissão mundial pela internet faz de show na California o maior espetáculo do mundo do rock
Fotos: reprodução da transmissão ao vivo Meio século atrás, o rock’n’roll causava comoção coletiva em milhares de adolescentes, que iam ao cinema para cantar e dançar juntos com seus ídolos, para desespero dos lanterninhas, policiais e zeladores da moral e dos bons costumes. A selvageria comportamental em massa foi perpetuada por mais alguns anos, quando Elvis e Beatles, os maiores rockstars da época, planejaram ganhar mais alguns trocados estendendo a sua fama às telas dos quatro cantos do planeta. Na década de 80, uma pequena emissora a cabo norte-americana revolucionou as linguagens criativas e marqueteiras do mercado fonográfico ao provar que o som também podia ter imagem e os jovens queriam, sim, ter uma exclusiva music television. Com a estabilização da internet e todas as suas conseqüentes ramificações, possibilidades e alternativas “contra a corrente” parecia impossível o rock presenciar mais um fenômeno de massa. Parecia. Na noite do último domingo 25 de outgubro (madrugada de segunda, pelo fuso horário brasileiro), o U2 demoliu mais uma barreira mundial – a primeira deste século 21. Em parceria com o YouTube, a banda irlandesa transmitiu ao vivo, para 19 países, um show de sua atual turnê. Fãs de cinco continentes puderam se sentir em casa no principal estádio da costa oeste dos EUA a receber eventos sócio-esportivos. O mundo estava presente em Pasadena, California. Ao microfone, Bono exagerava e falava em 3,5 milhões de espectadores. Números oficiais dão conta de pouco mais de um milhão. De qualquer maneira, não deixa de ser o maior público da história do rock para um show de um único artista. Foram duas horas de transmissão do show, seguidas de um imediato repeteco na íntegra. Graças ao ritmo da edição, qualidade impecável de transmissão de áudio e vídeo e do posicionamento mais-do-que-privilegiado das câmeras (fatores que só reforçam as suspeitas de que em breve um novo DVD do quarteto poderá estar saindo do forno), pôde se captar pequenos detalhes que se perderam no gigantismo do evento para quem o assistia in loco. Ponto para a evolução da tecnologia. Afinal, nos anos 80, quando o mesmo U2 fez bonito no megaevento Live Aid, o fã dependia ainda de transmissão via satélite de algumas emissoras de TV de boa vontade para acompanhar tudo em tempo real (o que, claro, não ocorreu no Brasil, privilegiado com um supercompacto dos melhores momentos também no adiantado das horas da noite de domingo). Não há muito o que acrescentar sobre o material apresentado pelos músicos no palco. Alguns clássicos que nunca mais podem faltar em um show (“One”, “Where The Streets Have No Name”, “Sunday Bloody Sunday”, “With Or Without You”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “MLK”, “The Unforgettable Fire”) se somaram a um punhado de sucessos mais recentes (“Vertigo”, “Elevation”, “Beautiful Day”, “City Of Blinding Lights”, “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of”) e duas pequenas surpresinhas (os resgates de “Mysterious Ways” e “Until The End Of The World”, ambas representantes esparsas dos anos 90, década que a banda permanence meio que ignorando nesta turnê). Mas a base do repertório veio mesmo do álbum mais recente e é justamente aí que reside o grande problema do U2... Apesar de todos os esforços de Bono Vox e companhia, No Line On The Horizon significa uma triste estagnação criativa da banda – a própria queda nas vendagens, em comparação com os trabalhos anteriores comprova. No show do Rose Bowl, foram justamente as canções pinçadas de No Line... as responsáveis pelas grandes barrigas da noite. Sorte de quem estava de pijama em casa em qualquer ponto do mundo, que pode ir com tranqüilidade ao banheiro (confortável e nada químico) ou buscar algo na geladeira para beber. Se musicalmente o U2 passa longe de continuar sendo aquela banda impactante de outrora, o mesmo não se pode dizer de seu palco, cada vez mais gigantesco e grandiloquente. Nesta turnê – como o próprio nome indica – o U2 subverte o conceito de performances em grandes arenas. Assim como a internet pôs abaixo as barreiras geográficas, os irlandeses decretaram o fim de alguns conceitos. Bono, The Edge, Larry Mullen Jr e Adam Clayton tocam em um palco circular, onde podem ser vistos pela platéia por todos os lados. Bastidores ficam no “subterrâneo” e pontes e passarelas estendem o caminho dos músicos, que circulam bastante próximos à turma dos vários snakepit. A atração do palco em 360 graus vem é de cima. Usando e abusando da tecnologia desde a década passada, o U2 recorre a painéis que sobem e descem, variam de acordo com a programação de leds coloridos e formam telões que trazem desenhos, mensagens politizadas e depoimentos de ilustres como o presidente sulafricano Nelson Mandela e astronautas no espaço. Tudo isso somado uma estrutura metálica de sugeria a forma de uma garra é de fato o grande “fator uau” da turnê. De encher os olhos por um lado, mas por outro algo bem entristecedor, já que reforça cada vez mais a teoria de rockstars de primeira grandeza e proporção não se sustentam mais pela própria música. De fato, a MTV estava certa ao veicular como seu primeiro videoclipe aquela música premonitória cujo título/refrão afirmava que “o vídeo matou as estrelas do rádio”...
Texto de Abonico R. Smith
Salvo pelas antigas
Garra gigantesca





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