Arquivo
Madonna
Escrito por Abonico Sáb, 24 de Outubro de 2009 01:55
Twittar este Artigo
Celebration abre o baú das memórias da popstar e capricha no foco da sua fase mais recente
Texto por Tanara de Araújo
Ah, as coletâneas. Um dos métodos mais rápidos e rasteiros para balanço de carreira, reforço para fãs menos dedicados ou simplesmente aquecimento da conta bancária. Dos singles collection ou greatest hits nem o mais profícuo artista pop escapa. Nem mesmo alguém como Madonna, que costuma lançar álbuns inéditos entre hiatos de, no máximo, três anos. Com o fim do ciclo Hard Candy e poucas investidas no formato — apenas três compilações em quase 30 anos de carreira — nada mais natural do que reabrir o baú das memórias. O resultado, já disponível nas melhores prateleiras do ramo, é Celebration, que ressuscita o patrimônio de Madonna em dose dupla: CD (simples e duplo) e DVD com clipes.
Para aquecer o interesse em relação ao álbum, foi utilizada a velha tática da “música inédita”. No disco simples, resume-se à homônima “Celebration”, produzida pela própria Madonna, mais Ian Green e o DJ Paul Oakenfold, que realizou os shows de abertura durante a turnê Stick & Sweet. Carro-chefe de Celebration (o disco), “Celebration” (a música), inclusive, já virou single e um vídeo com participação do modelo Jesus Luz, namorado brasileiro da cantora. Quem adquirir a versão dupla do CD, ganha mais o bônus de “Revolver”, outra faixa novinha
O DVD duplo Celebration, por sua vez, vale o caro investimento (facadinha de cerca de R$ 70) para todos os tipos e graus de admiradores. Num total de 47 clipes, nada menos que 27 ainda não haviam sido lançados
Entrando neste clima de celebração do polpudo lançamento, Mondo Bacana fez uma seleção de 15 vídeos (dos lançados só agora) que justificam o saque do cartão de crédito. Dance and sing get up and do your thing!
“Burning Up” (direção de Stephen Baron) – 1983
Gravado na Califórnia, é o segundo single de Madonna: First Album e seu primeiro videoclipe produzido com cenários, montagem e efeitos — “Everybody”, o primeiro de fato, limita-se ao registro de uma apresentação. Como todo bom vídeo de uma estreante no início dos anos 80, é brega até o último fio do cabelo mechado da cantora. Zero em inovação e bom gosto. Dez em diversão e culto. Entre closes, objetos cênicos bizarros e um partner insosso, Madonna literalmente deita e rola no meio de uma estrada à noite. E azar do vestidinho branco! “Burning Up” é o exemplo definitivo de que dos confins da elegância, às vezes, pode surgir uma diva.
“Crazy For You” (direção de Mary Lambert) – 1985
A faixa foi trilha sonora de Em Busca da Vitória (Vision Quest, EUA, 1985), primeira contribuição musical de Madonna no cinema. Sem transgredir muito do formato recorrente, o clipe reúne várias cenas do filme, uma love story (bem fraquinha) estrelada por Matthew Modine e Linda Fiorentino. A participação de Madonna no vídeo, inclusive, é uma extensão da ponta que faz no longa como cantora de um clube noturno. “Crazy For You” foi sua primeiríssima balada de sucesso, cujo vídeo revela uma performer mais suave por trás da estética rebelde. Mary Lambert voltaria a dirigi-la nos clipes de “Like a Virgin”, “Material Girl”, “
“Into The Groove” (direção de Egbert Van Hess) – 1985
Não bastasse ilustrar uma de suas canções mais incríveis até hoje, este vídeo é a síntese do melhor de Madonna em sua primeira fase. Em termos de estilo, ostenta o auge das rendas, sobreposições, cabelos desgrenhados, maquiagem carregada e a obsessão pelos crucifixos. No que tange à atitude, lavra seu desejo de revolucionar o comportamento feminino através de seus modos abusados. Todas as imagens do clipe, na verdade, são extraídas das cenas de Madonna
“Live To Tell” (direção de Peter Percher) – 1986
A primeira subversão performática de Madonna, indicando sua futura capacidade de reinvenção. Quando todo o planeta estava acostumado (e apaixonado) pela mocinha rebelde de visual poluído, a cantora surge loura, bem penteada e em um frugal vestido florido. Combinando com o clima denso da faixa (que foi o primeiro single do álbum True Blue), o cenário se resume à total escuridão. A única fonte de luz é simbolicamente a própria Madonna. Simples e belíssimo, “Live To Tell” fez parte ainda da trilha de Caminhos Violentos (At Close Range, EUA, 1986). Um jovem Sean Penn, protagonista do longa e marido da cantora na época, pode ser visto nas cenas do filme, intercaladas às de Madonna no clipe.
“True Blue” (direção de Peter Percher) – 1986
O terceiro single do álbum que leva seu nome retrata uma Madonna meiga, sonhadora, explicitamente in love — reflexo nítido do apogeu amoroso que vivia com Sean Penn no período. O cenário novamente é bem enxuto, em tons de azul e com elementos que remetem à inocência dos anos 50. Acompanhada de três backing vocals, que fazem o papel de suas “amiguinhas confidentes”, a cantora exibe um figurino sóbrio e limita-se a modestas coreografias. Um clipe tolo e sem grandes inovações, é bem verdade. Representa, porém, o raro registro de uma Madonna pueril. Cerca de quatro minutos reveladores para os fãs jovens, mais habituados ao perfil “devorador” da diva.
“Justify My Love” (direção de Jean-Baptiste Mondino) – 1990
Até hoje um dos pontos mais altos quando mencionadas as polêmicas envolvendo Madonna. Filmado em preto-e-branco no hotel Royal Monceau, em Paris, foi a primeira investida hardcore da cantora nos terrenos da sexualidade — que atingiria grau máximo em Erotica, seu álbum e clipe seguintes. À base de sadomasoquismo, homossexualidade e demais fantasias assistidas e provadas por Madonna, o clipe é um verdadeiro compêndio sensual. Não à toa, foi proibido de ser veiculado na MTV norte-americana, o que acabou lhe rendendo uma vantagem comercial. Uma vez fora da TV, o VHS de “Justify My Love” foi parar nas prateleiras das lojas de discos, registrando boa procura — afinal, em 1990, ainda não era lugar-comum ver Madonna beijando outra mulher. Na MTV Brasil, porém, foi um dos mais rodados na programação de estreia da emissora. Com caliente participação do modelo Tony Ward, o namorado da ocasião, o clipe crava na história uma das frases mais atribuídas a Madonna: Pobre é o homem cujos prazeres dependem da permissão de outro”.
“Deeper And Deeper” (direção de Bobby Woods) – 1993
Para ilustrar o segundo single do álbum Erotica, Madonna optou por dar uma suavizada na profunda carga sexual do clipe anterior (o próprio “Erotica”). “Deeper And Deeper” recoloca em pauta os prazeres de modo menos apelativo. Em uma bonita mescla de cenas em cores e preto-e-branco, a cantora divide-se entre uma agitada noite em uma boate e uma reuniãozinha caseira entre amigos. Para os entusiastas de supostas mensagens subliminares é um prato cheio: o que significam os balões? quem seria a figura interpretada pelo diretor pornô Chi Chi LaRue? O vídeo também traz algumas curiosidades, como a participação da atriz e cineasta Sofia Coppola. E para quem gosta de cenas insólitas, nada é mais divertido do que testemunhar Madonna de cabelos frisadinhos comendo uma banana!
“Music” (direção de Jonas Akerlund) – 2000
Gravado
“What It Feels Like For A Girl” (direção de Guy Ritchie) – 2001
Primeira e única ocasião na qual Madonna solicitou os serviços de Guy Ritchie, diretor de Snatch – Porcos e Diamantes e seu marido entre 2000 e 2008. Após revirar o “sexualmente correto” durante um bom naco de sua carreira, em “What It Feels Like For A Girl” foi a vez de atacar o “socialmente correto”. E, à moda dos filmes de Ritchie, dê-lhe violência. Rodado
“Die Another Day” (direção de Mats Lindberg, Pontus Lowenheilm e Olé Sanders Traktor, mais conhecidos como Traktor) – 2002
Certamente o melhor vídeo de Madonna gravado para uma trilha sonora — neste caso a de 007 – Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, EUA, 2002). É também um dos clipes com a solução mais criativa para evitar o clichê da edição de cenas do longa sem, no entanto, ignorá-lo. Em uma das sequências, Madonna luta contra si mesma em um combate entre a “Madonna boa” (vestida de branco) e a “Madonna má” (de preto). Inspiradas na instrutora de esgrima que a própria interpreta em uma pontinha do filme, ambas ainda atacam-se com clássicas armas de James Bond. Paralelamente, a cantora vive uma espécie de criminosa que, uma vez capturada, é torturada de todas as formas. Longe do glamour recorrente, vemos uma Madonna repleta de hematomas e marcas de sangue pelo corpo — esse, por sinal, bem esculpido pela prática do pilates.
“Hung Up” (direção de Johan Renck) e Sorry (direção de Jamie King) – 2005
Com cenas divididas entre Londres e Los Angeles, Madonna apostou em inéditos clipes que se complementam. Primeiro single de Confessions On A Dancefloor, “Hung Up” tem uma construção singela, mas que recobra elementos caros à carreira da diva. Em seus mais de seis minutos são celebrados a dança, a diversão, o charme e, principalmente, o corpão conservadíssimo aos 47 anos à base de ioga, musculação e fome. Combinado à batida irresistível de “Gimme, Gimme, Gimme” (primeiro sample liberado pelo Abba na História), o vídeo capricha na aura setentista, com Madonna de collant, sandália brilhante e cabelo à Farrah Fawcett. Na mesma linhagem, “Sorry” repete a animada turma de “Hung Up”, sublinhando aqui o power girl: Madonna e amigas “seqüestram” homens em uma van para particulares e espirituosas performances. No encerramento, mais uma referência ao final dos anos 70, com a pista de patins que remete ao filme Xanadu (EUA, 1980). Representante da empolgante fase discoteca de Madonna, o díptico “Hung Up”/“Sorry” é a inspiração cabal para arrastar os móveis de sala.
“4 Minutes” (direção de Jonas et Francois) – 2008
O mais bem-sucedido dueto entre Madonna e outro artista, “4 Minutes” reúne a diva com cantor Justin Timberlake e o produtor Timbaland. Coreografado por Jamie King (diretor de “Sorry”) e com eficientes recursos visuais, o clipe é o mais ambicioso a ilustrar o álbum Hard Candy. Diante de um imenso telão que conta os exatos quatro minutos, Timbaland pontua o início e o final do vídeo. No recheio, Madonna e Justin dançam e se provocam enquanto são perseguidos por uma “mancha negra” entre uma casa, um supermercado e um estacionamento estilizado. A referência ao clipe foi um dos pontos altos da turnê Stick & Sweet, na qual Madonna duetava com um Justin holográfico.
“Miles Away” (direção de Nathan Rissman) – 2009
Ocasião única
“Celebration” (direção de Jonas Akerlund) – 2009
Gravado em Milão, é o vídeo mais fresquinho de Celebration. Sem profundas inovações, Madonna coloca o povo para dançar em um cenário enxuto de cores neutras. A contida no DVD é a primeira (e menos divertida) versão do clipe — no segundo corte, há uma profusão de fãs com fantasias inspiradas em várias fases da cantora. A despeito da sua simplicidade, exibe uma Madonna com tudo em cima e participações peculiares de Jesus Luz (o namorado brazuca e teen) e a filha Lourdes Maria. O sueco Jonas Akerlund também dirigiu o clipe de “Jump”, incluído em Celebration.
- 29/10/2009 00:05 - Weezer
- 26/10/2009 23:55 - U2 – Ao vivo
- 20/10/2009 01:00 - Charme Chulo
- 19/10/2009 02:51 - Bonde do Rolê – Ao vivo
- 17/10/2009 22:02 - Nervoso e Os Calmantes
- 17/10/2009 00:28 - Living Colour - Ao vivo
- 07/10/2009 01:30 - Mechanics

| < Anterior | Próximo > |
|---|





