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Banda carioca vai morar em São Paulo e reflete as mudanças na carreira em seu segundo álbum

 

Ramirez, à procura de novos caminhosTexto de Abonico R. Smith

Fotos de divulgação

 

Foram três anos de intervalo, tempo relativamente longo separando a estreia do segundo álbum, que é aquela prova definitiva da durabilidade da carreira de uma banda. Contudo, este mesmo período comprido foi vivido com intensidade, que incluiu duas temporadas de turnê por todo o país (seguidas de meses a fio de uma pré-produção), a despedida do produtor que estava lá desde o início de tudo (e sempre foi considerado um quinto integrante), a mudança de cidade. E eis que chega o Desembarque do Ramirez para esta nova e decisiva fase.

 

Além do nome certeiro do novo disco, a banda carioca retrata de forma diretíssima o seu momento nas fotos de capa e encarte. Cheios de malas, os músicos estão no avião. Na capa, de terninho, gravata e franjas ao vento (tal qual os Beatles quando eles pisaram nos EUA pela primeira vez). Tudo porque, apesar de toda a fama construída como uma das principais bandas do underground do Rio de Janeiro eles toparam encarar o desafio de viver do outro lado da Ponte Aérea. Thiago Pedalino (voz e guitarra), Pedro Curvello (guitarra e voz), Frank Dias (baixo) e Matheus De Giacomo (bateria) mudaram-se para São Paulo, seguindo a tradição de várias outras formações alternativas nos últimos anos.

 

“A cena carioca é legal, mas São Paulo tem toda uma coisa cultural mais em volta do rock, parece que isso está inserido na cultura pop do paulista. São Paulo é uma ótima oportunidade para a gente trabalhar ainda mais. Há mais opções de vôo para todos os lugares, é o centro econômico do país”, enumera as justificativas Matheus. O baterista fala direto do apartamento que a banda divide. “Estamos todos morando juntos, inclusive. Mas aqui cada um tem seu quarto, seu espaço. É difícil conflitar alguma coisa, mesmo nos espaços comuns. Bom, se bem que às vezes nosso baixista escuta uns hard rock anos 80 nas alturas que é muito chato”, brinca, falando sobre bandas como Twisted Sisters e Motley Crue.

 

Mas o título Desembarque vai além das questões geográficas. Para Matheus, também dá a idéia de uma banda iniciante quando ela lança seu primeiro disco. “Todos acabam embarcando em uma mesma idéia, ficam felizes e quebram a cara ao mesmo tempo”, explica, dizendo que depois disso ainda é necessário ter muita paciência e nada de pressa. “Sempre estamos plantando nossa música aqui e ali, chegando a algum lugar”.

 

Novo disco veio após dois anos de turnêTranstorno bipolar

Ao chegar em São Paulo, a mudança mais significativa foi o rompimento artístico com Marcos Sketch, ex-empresário e uma espécie de quinto membro da banda, inclusive chegando a ser o letrista oficial – Sketch inclusive assina a co-produção deste novo álbum e os versos de dez das doze faixas, sempre em parceria com o vocalista Pedalino. “A gente sempre funcionou muito bem juntos. Mas ele ficou no Rio tocando os negócios particulares. Nossa relação ainda é ótima e ele sempre vai ser nosso grande amigo, inclusive dá conselhos toda semana. Sem falar que é um grande letrista!”.

 

Apesar de todas essas novidades, se tem algo que ainda permanece a mesma no Ramirez é a sonoridade. Quem aprendeu a curtir da banda antes, com seu alt-rock com muitas pitadas sixties, sobretudo na carga melódica e nas letras românticas, quase sempre com historinhas sobre “eu” e “você”. “A gente curte muito Ash, Weezer, Beatles e Jovem Guarda, por exemplo”, ilustra o baterista. Isso, sem falar que o carioquês carregado de Thiago somado a estas influências pode remeter o ouvinte aos dois primeiros álbuns do Los Hermanos em faixas como a primeira, “Não Sou Um Só”, que revela os picos opostos de depressão e euforia de uma pessoa que sofre de transtorno bipolar.

 

Só que quem observar com mais atenção vai escutar uma maior presença do hardcore neste novo disco – nesta praia, uma música que se destaca é a do título autoexplicativo “Countrycore”. Resultado dos dois anos excursionando direto pelo país, muitas vezes viajando e tocando com outras bandas de HC – inclusive algumas que se tornaram bastante populares nos últimos anos, como Dance Of Days, Fresno e NX Zero. Tal ligação, inclusive, acabou ainda rendendo algumas errôneas ligações do Ramirez com a turma emo – hoje devidamente dissipadas, aliás. “Acho que esta maior influência foi porque esta longa turnê ajudou a gente a compor mesmo”, atesta.


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