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Maquinária - Ao vivo
Escrito por Abonico Seg, 09 de Novembro de 2009 23:30
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Jane’s Addiction, Faith No More, Panic! At The Disco e Evanescence em festival de peso, teens e nostalgia
Texto por Tanara de Araújo
Fotos de Marcos Hermes/Divulgação
Sabe quando, no cinema, parece que todo mundo resolve produzir filmes sobre o mesmo tema, como vampiros, fim do mundo ou invasões alienígenas? Pois tal confluência de ideias não é uma exclusividade da sétima arte, como se provou no último final de semana
Na linha de outros festivais mundo afora (como o mítico Lollapalooza, por exemplo), a organização do Maquinária não se limitou a oferecer um mero palco e shows de boa qualidade. Entre os vários estandes espalhados pelo local, o destaque de sábado ficou para os voltados à questão da educação ambiental — tema extremamente bem-vindo em uma cidade onde não há projetos de coleta seletiva. No âmbito musical, também esquentou os intervalos com atrações no palco MySpace, onde fizeram breves shows nomes como Stevens, Comodoro, Sayowa, Maldita e Brothers of Brazil (a banda do Supla e seu irmão João Suplicy). Petiscos à parte, o que moveu 24 mil pessoas (segundo informações da produção) à Chácara do Jockey em plena concorrência com o Planeta Terra foi, sem dúvida, o cast formado por Nação Zumbi, Sepultura, Deftones, Jane’s Addiction e, sobretudo, o Faith No More.
Diferentes faixas etárias
E se o primeiro dia de Maquinária caracterizou-se por um público acima dos 25 anos, o segundo recebeu uma ala bem mais jovem. Adolescentes, em sua maioria, que não pestanejaram em se acomodar em improvisadas barracas ainda mesmo no sábado. Tudo para garantir um bom lugar ao abrir dos portões no dia seguinte. Apesar desse empenho mais efetivo, o número dominical de espectadores caiu para 15 mil. Parte da culpa atribuída a uma razoável e insistente chuva, que realmente torna a circulação bem complicada no local.
Excesso de barro à parte (que em grande quantidade pode tornar a Chácara do Jockey uma Woodstock brasileira), o público novamente teve à disposição estandes, exposições e palco MySpace – desta vez estrelando Volantes, Terceira Edição, Hori, os uruguaios do Silicon Fly e o power trio canadense Danko Jones. Essa última, por sinal, chamou atenção por suas letras ousadas e citações cinematográficas (entraram ao som da trilha do filme Os Intocáveis). Porém, da mesma forma que o dia anterior, quem motivou o desafio a São Pedro foram os ocupantes do palco principal: Duff McKagan’s Loaded, Dir en Grey e mais dois nomes especialmente queridos pelos teenagers, Panic! At The Disco e Evanescence.
Nação Zumbi Em uma tarde iluminada por um sol escaldante, coube à Nação Zumbi a ingrata tarefa de abrir os trabalhos do dia — horário que invariavelmente é prejudicado pela falta do apelo visual dos equipamentos de luz e com público incompleto. Nada, porém, que abalasse a energia dos pernambucanos. Quem chegou cedo pode se sacudir com um desfile de hits, incluindo “Manguetown”, “Maracatu Atômico” e “Blunt Of Judah”. Em quase uma hora de show, o vocalista Jorge du Peixe também relembrou os 15 anos de Da Lama Ao Caos, álbum de 1994 que estabeleceu as diretrizes do estilo que se convencionou como manguebeat. A lembrança, é claro, estendeu-se com carinho à figura de Chico Science, primeiro vocalista e eterno mentor da Nação Zumbi, falecido em 1997.
Sepultura Mantendo as cores nacionais, o Sepultura entrou às 16h20 cometendo um espetáculo curto (em tempo) e grosso (em repertório). Apesar da equalização flutuante — momentos com som muito baixo, outros, muito alto — a banda caprichou em um set list do tipo “todos os tempos”. Foram de “Moloko Mesto”, do recente álbum inspirado pelo filme Laranja Mecânica, ao encerramento catártico com “Roots Bloody Roots”, do clássico Roots. No recheio de pouco mais de uma hora de espetáculo, canções do jurássico Beneath The Remains (“Innerself”) e do obrigatório Chaos A.D (“Refuse/Resist”, “Territory”) fizeram a alegria dos metaleiros de plantão. Aliás, não só deles. Até mesmo aqueles que não se configuravam como fãs ou os mais entusiastas dos tempos dos Cavalera renderam-se à qualidade e harmonia da formação atual – com Jean Dollabela na bateria e Derrick Green nos vocais, ao lado dos praticamente fundadores Andréas Kisser (guitarra) e Paulo Jr (baixo).
Deftones Passando um pouco das 17h30, foi a vez dos californianos do Deftones mostrarem que uma coleção de músicas para fazer a plateia cantar (ou urrar) junto não foi tática privada ao Sepultura. Sem lançar discos inéditos desde 2006, quando desovaram Saturday Night Wrist, o quarteto escolheu a dedo as canções que fazem o coraçãozinho dos fãs bater mais depressa. Dê-lhe, então, “7 Words”, "My Own Summer (Shove It)”, “Head Up” e até a curiosa “Feiticeira” (sim, aquela inspirada na personagem da Joana Prado). O cantor Chino Moreno ganhou pontos em afinação — os fãs são os primeiros a admitir que boa voz nunca foi seu forte. A evolução, porém, ficou abafada pela equalização que, das oscilações entre boa e ruim no show do Sepultura, degringolou de vez no Deftones. Percalço grave, mas que não arranhou a empolgação do público diante de uma onipresente “Change” ou afetou o espírito da própria banda. Não por acaso, Moreno sentiu-se confortável para chegar mais perto dos sortudos da pista vip durante “Hexagram”.
Jane’s Addiction Às 19h30 em ponto — o festival foi exemplo de cumprimento de horários —, o Jane’s Addiction tomou conta do palco principal do Maquinária. Embora tenham encerrado suas atividades em comum ainda no princípio da década passada, foram um dos nomes mais celebrados da cena noventista. Após separações, brigas, retornos capengas e projetos paralelos, a banda recentemente voltou à formação original. A mesma que o público brasileiro pode conferir pela primeira vez em terras nacionais, com certa expectativa.
Em termos musicais, um show do Jane’s Addiction não é uma experiência fácil. Não pelo som, que finalmente foi acertado, ou pelo talento dos músicos, que é inegável (em especial, do guitarrista Dave Navarro). Mas suas músicas longas – a maioria repleta de mudanças de condução e com espírito de jam session de malucos – não são das mais palatáveis para grandes massas. Para os fãs de carteirinha, o repertório pulverizado entre a discografia do quarteto foi genial. Os demais, por sua vez, guardaram energias para se divertir com os escassos sucessos de “Been Caught Stealing”, “Stop” e “Jane Says”.
Já no quesito visual, funcionou mais como espetáculo do que show de rock. O vocalista Perry Farrel provou-se um atemporal performer de primeira linha. Vestindo um macacão de lamê, deslizou lânguido pelo palco, fez pose, bebeu vinho do gargalo, improvisou discursos existenciais e desfilou com as duas bailarinas que embelezavam o cenário. Enfim, deitou e rolou em seu estilo andrógino (na plateia houve quem o chamasse de Ney Matogrosso da Califórnia). Já no outro lado da força, Navarro manteve sua postura contidamente cool, mas não menos notável. Seja por seu “peitoral perfeito”, segundo opinião do próprio Farrel em um de seus monólogos filosóficos. Seja por seus acordes que fazem toda a diferença em canções como “Ain’t No Right” e “Ocean Size”.
Antes do encerramento com “Chip Away”, houve ainda uma intervenção de percussão redobrada + presença de mulatas. Um recurso clichê usado por inúmeras bandas, alguns diriam. Nesse caso particular, porém, flertou mais com a bizarrice. Ou seja, um adereço extravagante que lavrou a atitude anticonvencional, eterna marca registrada do Jane’s Addiction.
Faith No More Após shows
Nem a temida chuva foi empecilho para um belo espetáculo. Atrasou um pouquinho o cronograma e tirou de cena a cortina vermelha que adorna a “Second Coming Tour”. Por outro lado, acabou inspirando uma cenografia alinhada para a abertura. Em um traje bordô, Mike Patton usou como acessório um guarda-chuva para cantar a delicada "Reunited", sucesso da dupla sessentista Peaches & Herb. Momento madrugada de FM que foi abruptamente seguido das porradas “From Out Of Nowhere” e “Be Agressive”. Com poucas alterações de seus shows anteriores, o repertório de pouco menos de duas horas, aliás, foi rico
Menos moleque porém não menos insano, Mike Patton manteve a aura do líder incansável, mesmo quando disse que “só iriam tocar mais uma e ir para casa, pois estavam velhos”. Que nada! No bis, ele desceu do palco e compartilhou uma saraivada de palavrões com o público, um nostálgico momento de “rebeldia adolescente”. Minutos depois, no bis do bis, recobrou a elegância na execução de “This Guy’s In Love with You”, cover de Burt Bacharach.
Em uma prova cabal de que a relação da banda com o Brasil é recíproca, Patton caprichou nos discursos, a maior parte em audível português. Fez citações à cultura pop daqui (“nós aqui secos; vocês aí, molhados). Dedicou “Evidence” a Zé do Caixão, cantando-a na língua local. E até improvisou um (duvidoso) hinozinho em “homenagem” ao Palmeiras. Só levantou as sobrancelhas de desconfiança dos fãs quando mencionou que “já estivemos aqui mais de uma vez, mas talvez (este “talvez” bem enfatizado) esta pode ser a última”. Na dúvida, a opção generalizada foi aproveitar o show até o último minuto, fechado com a exclusividade no set de “Diggin’ The Grave”.
Duff McKagan's Loaded Mais conhecida como a banda do ex-baixista dos Guns n’ Roses (e que toca atualmente no Velvet Revolver), a Duff McKagan's Loaded até tentou engatar músicas de seu álbum Sick, lançado no início do ano. Apesar das palmas pra lá e palmas pra cá, só ganharam resposta vibrante do público ao desencavar músicas do Gn’R (“So Fine” e, sobretudo, “It’s So Easy”), além da cover dos Misfits, “Attitude”.
Dir en Grey Você saberia mencionar alguma banda de metal japonesa? Pois o jovem público do segundo dia do Maquinária não só conhece, como se mostrou bem íntima do Dir
Panic! At The Disco A falta de harmonia disfarçada pela simpatia marcou o show do Panic! At The Disco (agora com o ponto de exclamação reincorporado ao nome). Com dois novos integrantes recém chegados, a banda de Las Vegas deixou várias lacunas entre uma música e outra, numa demonstração de baixo entrosamento. Houve quem reclamasse, pedindo pela entrada do Evanescence, e houve quem estivesse mais interessado no repertório dos dois álbuns do quarteto – fãs que homenagearam o vocalista Brendon Urie com balões em formato de coração e cantaram juntinhos sucessos como “She’s a Handsome Woman” e “I Write Sins Not Tragedies”. Bem falante, o vocalista elogiou a caipirinha brasileira, perguntou se havia um bar legal na região para ele ficar bêbado e até arriscou-se a dizer que aquele poderia ser o melhor show feito pela banda até então. Com uma promessa de retorno em breve, fecharam o set com “Mad as Rabbits”, cantada mais pelo público que pela banda.
Evanescence Principal atração do segundo dia de Maquinária, o Evanescence subiu ao palco às 21h30 ao som de “Going Under”. Se foi abençoado por não ter seu show tão prejudicado pela chuva, a sorte não mostrou-se a mesma com o equipamento de som. Após a segunda canção, foi necessária uma breve pausa para a solução de um desagradável chiado nos amplificadores. Neste intervalo a simpática vocalista (e musa) Amy Lee aproveitou para agradecer o público, especialmente àquele que tinha feito certos sacrifícios para vê-los de mais perto. Também fez questão de contar que tinha ido ver os shows do dia anterior e gostado muito, mencionando o nome de todas as bandas (“foi o máximo!”, disse). A exemplo do Deftones, o Evanescence não lança álbuns inéditos há algum tempo — especificamente desde 2006, quando pariram The Open Door. O set, portanto, foi centrado nas músicas que todos queriam ouvir: “Sweet Sacrifice”, “Call Me When You’re Sober” e “Bring Me To Life”. Para atender aos pedidos feitos pelos fãs via internet, aconchegou-se a um piano de caudas e executou “Missing”, “Lithium” e “Good Enough”. Para o bis o Evanescence reservou o hit dos hits, “My Immortal”. E fechou o show com “Your Star”.
E a próxima edição do Maquinária já está confirmada para 2010. Quem garante é Milkon Chriesler, um dos produtores da The Groove Concept (empresa que realizou a atual edição do festival). Em entrevista à Folha Online, ele afirmou que a previsão é de realização durante o início do verão. Conforme Chriesler, há também a chance do festival ser feito em uma nova locação, que pode ser, inclusive, fora da capital paulista. Sobre as bandas, disse que já estão sendo feitas negociações, mas preferiu não revelar nomes...
- 24/11/2009 19:02 - Lupaluna 2009 – Ao vivo
- 17/11/2009 17:03 - Babies
- 15/11/2009 20:33 - Virna Lisi
- 15/11/2009 15:29 - Indie Rock Festival – Ao vivo
- 10/11/2009 17:14 - Pin Ups – Ao vivo
- 07/11/2009 18:14 - Planeta Terra 2009 - Ao vivo
- 06/11/2009 21:48 - Faith No More – Ao vivo
- 05/11/2009 19:53 - Julian Casablancas

escrito por Tanara, 12 de novembro de 2009
E, claro, mais uma vez: muito obrigada pelas preciosas informações no dia :)
escrito por Maiara, 16 de novembro de 2009
Os que você chama de 'dois novos integrantes recém chegados', são na verdade Dallon Weekes, do The Brobecks, e Ian Cramford, do The Cab, AMIGOS do PANIC! AT THE DISCO, e não NOVOS INTEGRANTES. Eles apenas estão dando suporte durante a turne da banda, composta por apenas DOIS INTEGRANTES!
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Só pra competir, também escrevi sobre o que vi http://planetwide-suicide.com/...-festival/ (mas eu sou fã só do FNM e não tenho problema em escrachar hehe)
beijão!