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Autoramas desplugado e Wander Wildner sem bis encerraram festival em Londrina marcado pela chuva forte

 

Autoramas, com instrumentos acústicosTexto e fotos por Andye Iore (gentilmente cedido pelo Portal RockPress)

 

A nona edição do festival Demo Sul, em Londrina, terminou na madrugada do último domingo (22 de novembro) com a banda carioca Autoramas e seu novo show Desplugado. Enquanto na capital, Curitiba, o Lupaluna fazia uma "lavagem cerebral" na juventude com uma "saladeira" com pop, sertanejo e emo, o puro rock’n’roll rolava livre, leve, solto e farto nos dois palcos do Clube Recreativo Londrinense. Foram 25 bandas em três dias de um evento multicultural que mostrou a cara do novo rock brasileiro do Nordeste ao Sul do país.

 

A noite de encerramento começou com os paranaenses Wolf Attack, por volta das 21h, mostrando sua intensa mistra de influências do garage do MC5 com a microfonia do Sonic Youth. A banda da vizinha Arapongas acabou de lançar o ótimo Attack of the Wolves e merecia um espaço melhor no festival para empolgar o público.

 

A segunda atração foi a também paranaense Dezzaster, seguida dos paulistas do Detroit, que ainda pegaram o público pequeno e frio. Mas a coisa esquentou com a caseira Brown Vampire Catz. O trio londrinense de psycho conquistou este ano o respeito como uma das principais do gênero no celeiro paranaense do cenário billy com o disco Makabre Funeral Memory, que será mostrado em 2010 nos palcos da Europa. A banda começou o set por volta das 22h30 e em trinta e cinco minutos esquentou o público que pediu mais ao final do show. No set, clássicos como "Waiting For Blood" e até uma música nova, "Pain Zone Kingdom".

Brown Vampire Catz: prata da casaDiversidade

Outra banda local aproveitou a presença de amigos na plateia e incendiou o palco secundário. Os Droogies mostraram sua mistura de punk com garage e saíram suados do palco. Às 23h45 o Demo Sul apresentou no palco principal os curiosos brasilienses Gilbertos Comem Bacon. O termo "axé-core" é o que define o som da banda, que tem no palco oito músicos e uma performance energética. Às 0h20 o trio catarinense Lenzi Brothers mandou ver no seu som hard com influência de AC/DC e conseguiu até ganhar novos shows paranaenses na agenda.

 

A diversidade ficou ainda maior com a entrada da paranaense Hocus Pocus e seu hard psicodélico. À 1h20 os gaúchos do Rinocerontes deixaram a coisa mais pesada no palco secundário com seu influenciado pelo metal. Meia hora depois outra banda carregada na percussão chamou a atenção no palco principal: os pernambucanos do Nuda foram transferidos do dia anterior pelos problemas causados pela chuva e deixaram uma boa impressão.

 

O show mais aguardado não fechou o festival. Wander Wildner tocou antes do Autoramas e no palco secundário para um público espremido e cantando junto a maior parte das músicas. A apresentação teve início por volta das 2h20 e durou quase uma hora com uma sequencia de hits ("Bebendo Vinho", "Eu Não Consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro", "La Canción Inesperada", "Amigo Punk", entre outros). Ao final, o público pediu mais... e não foi atendido!

 

A programação foi seguida com rigor e os Autoramas já estavam prontos no palco principal. O show começou por volta das 3h20 e também durou aproximadamente uma hora. O grupo divulga o CD/DVD Desplugado, especial feito para a MTV. O set acústico é formado por hits, músicas novas, covers e também composições que o vocalista e guitarrista Gabriel fez para outras bandas, como "I Saw You Saying" (gravada pelos Raimundos). O novo formato chega até a agradar mais que a versão tradicional plugada, as músicas ganharam uma sofisticada roupagem entre o surf e o hillbilly. Eles também agradaram pela performance de palco. Rolou até uma inusitada e bem bacana versão para "Blue Monday", do New Order.

 

Wander Wildner: hits em sequênciaDificuldades e novidades

Realizar o Festival Demo Sul este ano foi quase um ato heróico para o organizador Marcelo Domingues. Ele revela que o evento perdeu cerca de 1/3 do orçamento de aproximadamente R$ 180 mil do ano passado. "Aconteceu um recuo em todo o Brasil. Vários festivais também perderam verba", comentou o promotor cultural. "Mas vamos trabalhar para melhorar em 2010". A perspectiva otimista é motivo de preparação para comemorar os dez anos do festival que começou em 2001 com foco em bandas locais.

 

Entre as novidades para o próximo ano estão que o público escolherá, pela primeira vez, parte do line up do evento. A escolha será feita pela internet com os fãs elegendo as dez melhores bandas entre as mais de 200 que já tocaram no Demo Sul – outros nomes para fechar o cast serão escolhidas pela organização. Também haverá um promoção com músicas sobre temas ecológicos. O trabalho do Demo Sul #10 já começou esta semana com a parte burocrática.

 

O festival de Londrina já gerou cerca de 1,7 mil empregos diretos desde 2001. Somente nos bastidores da edição deste ano foram mais de 100 pessoas trabalhando para garantir a qualidade do som para as bandas, a segurança para o público e a diversão para todos os envolvidos.

 

Além da maratona de música, o festival também oferece uma ampla opção cultural que vai desde as oito barraquinhas com CDs, DVDs, vinil, camisetas, bottons, entre outros, passando por diversão como videogame até a parte de alimentação. Um ponto interessante sobre isto foi que as barracas que comercializavam CDs este ano apresentavam, no mínimo, 90% de títulos nacionais. O que demonstra o papel fundamental do demo Sul em estimular e difundir o rock independente brasileiro.

 

A parte sonora deste ano contou com dois palcos: um secundário, que ficou no segundo piso do prédio do Clube Recreático Londrinense, e o principal, armado na área das psicinas do clube. Também havia dois telões para o público acompanhar os shows de longe. O esquema era uma banda tocar em um palco e assim que ela acabasse a apresentação o outro show já começava no outro palco.

 

Nem a chuva que caiu na noite de sexta-feira (dia 20) atrapalhou a programação – todos os shows foram realizados na parte interna. Já no dia de encerramento do festival (sábado, 21) o tempo estava mais adequado e a programação seguiu normalmente em dois locais. Foram mais de 1,5 mil pessoas que puderam conferir uma criativa e variada produção roqueira brasileira. No final, o público demorou para sair da frente do palco, esperando por mais shows.


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