Segunda Dez 10

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Legião Urbana XXX – Ao Vivo

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Show dos trinta anos do disco de estreia revela que a contundência da banda permanece atualíssima

Nas fotos acima e abaixo, Dado, Bonfá e o convidado especialíssimo André Frateschi recriam ao vivo todo o primeiro álbum da Legião Urbana e mais um monte de outros sucessos da bandaTexto por Abonico R. Smith

Foto: Lening Abdala/Prime/Divulgação

“A música da Legião Urbana é característica e vibrante: é feita para se dançar, para cantar e, principalmente, para se pensar. Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo têm como propósito divertir ao mesmo tempo em que não se abre mão da inteligência dos ouvintes, falando de temas atuais e relevantes como viver em Brasília, o vestibular, as convenções sociais e, mais importante, a posição da individualidade numa sociedade cada vez mais despersonalizante e massificada. (...) A Legião Urbana, antes de apresentar soluções, propõe um estudo do que está errado: só através do conhecimento do problema é que se chega numa solução – e cada indivíduo tem sua própria resposta.”

O trecho, acima, foi publicado em um fanzine da época de 1985 e está publicado no encarte da recém-lançada edição comemorativa dos trinta anos do primeiro álbum do grupo, rebatizado para esta oportunidade como Legião Urbana XXX. O lançamento – que vem com as onze faixas originais remasterizadas e mais um segundo disco adicional com raridades como gravações para demos, ao vivo para a televisão e falatório para as rádios – deu origem a uma turnê especial, possibilitada pela recente decisão judicial que deu a Dado e Bonfá a possibilidade de continuar usando o batismo da banda, que estava registrado em nome de Renato e cujos direitos de exploração comercial até então pertenciam ao herdeiro Giuliano Manfredini, filho deste. Este fato, aliás, inviabilizava qualquer tentativa anterior do guitarrista e do baterista de voltarem a se reunir no mesmo palco para tocar novamente o repertório da banda à qual sempre pertenceram e ajudaram a construir toda a carreira, gravando todos os discos e compondo em parceria com o vocalista a maior parte das faixas. Na única tentativa anterior, aliás (com Wagner Moura fazendo as vezes de vocalista principal como convidado especial – leia a resenha aqui), foram duas noites controversas em São Paulo em 2012. Apesar do projeto ter levado apenas os nomes de Dado, Bonfá e Wagner – e não ter sido chamado oficialmente de Legião Urbana – o resultado, que deveria ter saído em DVD, acabou engavetado.

Por isso, quando a turnê Legião Urbana XXX foi anunciada (agora com outro ator/cantor nos vocais, André Frateschi) muita gente recebeu o projeto com desconfiança. Nada mais natural. Afinal, o rock brasileiro anda em um momento muito desconfortável de popularidade, vendagens e execuções em rádio e TV. Salvo raras exceções, o que se vê hoje são bandas famosas no passado vivendo de dias passados de glória e uma geração mais recente ainda muito longe de repetir os mesmos passos no quesito abrangência nacional. Então seria a tão aguardada “volta” da Legião Urbana aos palcos nacionais depois de mais de duas décadas uma iniciativa requentada e com objetivo caça-níquel? Como se comportaria Frateschi mandando ver as músicas cantadas outrora por um para lá de icônico Renato (na performance, no jeito da cantar, nas baixas regiões vocais)? E mais: como soariam ao vivo as mesmas composições de décadas atrás? Tão contundentes quanto um dia já foram ou apenas uma pálida cópia de um tempo?

Um ponto a favor de Dado e Bonfá já ajudava a dissipar as dúvidas antes mesmo de começar o show de duas horas e meia naquela noite de 18 de março de 2016 no Spazio Van, o mais recente espaço para grandes shows aberto em Curitiba. Conhecidos pela integridade musical com que sempre agiram em relação à banda, caberia um voto inicial de confiança. Além de primar por só quererem voltar a tocar os sucessos de antes em ocasiões especiais e sem nunca indicar uma retomada oficial das atividades – mesmo porque a Legião Urbana eram os três juntos, como Renato gostava de afirmar – é claro que a dupla nunca iria querer parecer ser sonoramente a mesma Legião, mesmo porque precisaria reviver Russo em carne e osso para tal. Então, nada melhor do que chamar um misto de fã assumido da banda, frontman competente (tanto em questões vocais quanto nas interpretações cênicas do que canta) e uma pessoa com bastante intimidade com a banda (André passou boa parte da adolescência fazendo visitas aos músicos nos camarins por diversas vezes). E mais: além de André pertencer à nova geração do rock nacional que ainda mantém um pezinho no underground, porque não chamar outros convidados (Jonnata Doll, do grupo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes; Marina Franco, líder do Glass’n’Glue) também para cantarem duas músicas cada. E também por que não completar o time de instrumentistas (o guitarrista Lucas Vasconcellos, integrante do Letuce e músico de apoio de Alice Caymmi; Mauro Berman, baixista do Cabeza de Panda e produtor do disco de estreia de Bruce Gomlevsky, ator que interpretou Renato na sua biografia teatral)? Assim é possível manter não só frescor juvenil das canções, a pegada punk/pós-punk que a Legião ajudou a instaurar na revolução eightie do rock nacional e, acima de tudo, chutar para longe do mecanicismo e da previsibilidade o resultado musical.

Mesmo tendo um fio condutor de nostalgia e repertório formado por canções todas já conhecidas de cor e salteado para formar um uníssono atrás do outro na plateia, o que se viu a partir dos primeiros acordes da abertura “Será” foi o de uma grande festa proporcionada uma banda vigorosa e recém-formada. Vários arranjos foram modificados de maneira inteligente. “’Índios’”, com Dado, Bonfá e André assumindo os vocais em cada trecho das estrofes, nem de longe parecia aquela mesma faixa do álbum Dois; a cold wave de sintetizadores e bateria eletrônica de “Por Enquanto” e “Angra dos Reis” ganhou organicidade suficiente através da trinca formada por Berman, Bonfá e Roberto Pollo (tecladista do Cirque du Soleil que fechava o time dos convidados com segurança e versatilidade). Já as hiperdançantes “O Reggae” e “A Dança” fizeram lembrar o groove impresso pelo ex-baixista Renato Rocha (morto em 2015 e que participou dos três primeiros discos) ficaram ainda mais poderosas. O fato de Dado e Bonfá assumirem os vocais principais de algumas canções (“Ainda é Cedo”, “Tempo Perdido”, “O Teatro dos Vampiros”, “Pais e Filhos”) também revelou uma outra faceta de ambos, anteriormente sem muitas chances de aparecer diante dos fãs por conta de todo o domínio do histrionismo cênico de Renato. Aliás, o mais próximo disso se chegou na surpreendentemente tresloucada performance de Jonnata em “1965 (Duas Tribos)”. E para o lado do bem, deve-se destacar como diz a letra da música. Mais: se os eventuais discursos impulsivos e de improvisos feitos por Renato ao microfone não mais existem, pelo menos as pequenas citações incidentais permaneceram, mas agora aos moldes de Frateschi e Villa-Lobos, que trocam Doors e Rolling Stones por ícones mais próximos de seus gostos, como David Bowie, Clash e Joy Division.

O show foi dividido em duas partes. Na primeira, as onze faixas do álbum de estreia foram executadas na mesma ordem do disco, ganhando diversas referencias gráficas sobre aquela época (reportagens de jornal, flyers e cartazes manuais de shows). Os seis holofotes cruzados, imprimiam à frente do palco, em vermelho, os três algarismos romanos que batizam o projeto. Depois, muitos sucessos registrados entre o segundo e o sétimo álbum da carreira (de Dois, de 1986, a A Tempestade ou O Livro dos Dias, de 1996) e uma iluminação mais cênica, com lâmpadas penduradas por longos fios sobre a cabeça dos integrantes imprimindo mais mobilidade de acordo com o mood de André e Jonnata, que não perdiam a chance de manipulá-las.

Vinte e seis músicas depois (inclusive um bis detonador, com a épica “Faroeste Caboclo” emendada com as atualíssimas “Perfeição” e “Que País É Esse?”) não restava mais qualquer dúvida. A Legião Urbana pode não ter voltado para ficar, mas por um tempo voltou a estar presente no mesmo palco (Renato em espírito, como Bonfá fez questão de afirmar no microfone diante da plateia de uma cidade que o vocalista conhecia muito bem, aliás), para suprir uma lacuna de contundência, qualidade, inteligência e sagacidade na música feita para os jovens brasileiros. Trinta anos depois, aqueles garotos que saíram de Brasília para conquistar o país inteiro continuam emocionando e encantando quem estiver pela frente com seus hinos nada perecíveis. Ainda mais em semanas quentes e explosivas como estas nas quais todo mundo acaba se pegando fazendo a mesma pergunta que Renato disparava aos dezoito anos de idade, ainda nos tempos seminais do Aborto Elétrico.

Set List: Parte 1: “Será”, “A Dança”, “Petróleo do Futuro”, “Ainda É Cedo”, “Perdidos no Espaço”, “Geração Coca-Cola”, “O Reggae”, “Baader-Meinhof Blues”, “Soldados”, “Teorema”, “Por Enquanto. Parte 2: “Tempo Perdido”, “Daniel na Cova dos Leões”, “Há Tempos”, “1965 (Duas Tribos)”, “Dezesseis, “Meninos e Meninas”, “Eu Sei”, “Pais e Filhos”, “Angra dos Reis”, “O Teatro dos Vampiros”, “Quase Sem Querer”, “’Índios’”. Bis: “Faroeste Caboclo”, “Perfeição”, “Que País É Esse?”.

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Comentarios (1)Add Comment
0
Muito obrigada
escrito por Angela Missawa, 26 de novembro de 2018
Nossa que texto lindo e inspirador, só gratidão por poder reviver alguns momentos desse incrível show em suas palavras.
Grata por poder compartilhar esses momentos com a gente

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