Segunda Jan 21

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Coleção – Mamonas Assassinas

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O disco de rock em forma de piadas e gozações que marcou a trajetória meteórica do quinteto de Guarulhos

Em menos de um ano, os meninos brincalhões e fantasiados dos Mamonas saíram do anonimato das ruas de Guarulhos para a fama em todo o paísTexto por Abonico R. Smith

Foto: EMI/Divulgação

Mamonas Assassinas

[1995]

"Quanta gente, quanta alegria/

A minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia"

Naquela manhã dominical de 3 de março de 1996 o Brasil amanheceu literalmente sem graça. Aos poucos, o que todo mundo torcia para ser apenas um rumor ou um mal-entendido estúpido se confirmava como verdade. Pouco antes da meia-noite, o jatinho fretado que trazia os Mamonas Assassinas de volta de Brasília para a terra natal do grupo, Guarulhos, fizera uma curva para o lado errado antes de pousar e chocara-se violentamente contra a Serra da Cantareira, matando os cinco músicos, um segurança, um roadie, piloto e copiloto. Terminava ali, da forma mais cruel, violenta e inimaginável possível, a história de menos de um ano do maior conto de fadas da história do rock brasileiro. Em choque, o país inteiro parava para verter suas lágrimas de forma desenfreada até que as fichas da realidade começassem a cair.

O Mamonas Assassinas só lançaram um disco em toda a carreira. Ele chegou às lojas em junho de 1995 debaixo de uma saraivada de críticas na imprensa musical, ressabiada com a saraivada de piadas e pastiches sonoros apresentada durante doze canções e duas vinhetas. Era época do sonho do rock alternativo brasileiro, de bandas vindas dos subterrâneos, das guitarras pesadas com o devido pedigree do metal e do hardcore, do humor levado a sério, dos pequenos selos que asseguravam liberdade criativa a seus artistas enquanto amarravam pontas de distribuição nacional com grandes gravadoras, do auge da MTV nacional que exibia sem parar clipes de novas bandas alternativas do eixo EUA-Inglaterra e cativava um número cada vez maior de fãs que lotavam muquifos em grandes e pequenas cidades para ver equivalentes sonoros nos pequenos palcos. Só que, justamente, o álbum também batizado Mamonas Assassinas ia na contramão de tido isso.

De fato nada ali apontava – ou aponta até hoje, em audições posteriores não importando o intervalo de tempo – para uma obra-prima. Só que indicava algumas qualidades. E o público, ao contrário dos sabichões da crítica, não tardou a perceber isso.

Dinho (Alecsander Alves, vocais), Bento Hinoto (Alberto, guitarra), Julio Rasec (Julio Cesar Barbosa) e os irmão Samuel e Sergio Reoli (Samuel e Sergio Reis Oliveira, respectivamente baixo e bateria) já estavam juntos havia meia década. Até tentaram a sorte como um grupo sério, processando várias de suas influências do pop rock nacional e internacional que estavam em evidência nas paradas dos últimos anos. O nome, Utopia, pouco ajudava a projeção, tanto que o álbum independente bancado pelo cachê da gravação de jingles políticos e apresentações em comícios vendeu menos de cem das mil cópias fabricadas. Aos poucos, porém, o humor escrachado e satírico que reinava nos bastidores foi tomando espaço na identidade das novas composições e nas performances ao vivo. Vestindo fantasias de personagens clássicos dos quadrinhos, desenhos animados e seriados de televisão, os músicos decidiram que o caminho estava ali. Em setembro de 1994, veio a troca de nome para Mamonas Assassinas (reza a lenda de que foi a opção mais esdrúxula e que fez todos rirem mais alto). Semanas depois, os cinco voltavam ao estúdio de gravação do jovem produtor Rick Bonadio (que sequer havia chegado aos 30 anos de idade, era relativamente desconhecido no segmento do rock e trazia um currículo focado em trabalhos fonográficos de sucesso na música cristã) para gravar as duas músicas que mais faziam sucesso nos shows, “Mina” (que não tardaria a ser rebatizada como “Pelados Em Santos”) e “Robocop Gay” (cuja narrativa transexual permitia que a verve comediante de Dinho tocasse a barbárie nos gestos e atuações em cima de um palco). Então os músicos passaram o final daquele ano a divulgar a primeira demo dos Mamonas, assim como tantas outras desconhecidas bandas brasileiras faziam na mesma época com suas fitas cassete. Mandaram inclusive para várias gravadoras, sem conseguir o retorno de qualquer uma delas.

Até que uma dessas fitinhas foi parar na mão do adolescente Rafael Ramos, que tinha dezesseis anos de idade e não tardaria a se tornar apresentador de TV e um dos mais famosos produtores musicais do país. Seu pai, João Augusto, era vice-presidente da EMI-Odeon, uma das cinco multinacionais que comandavam o mercado fonográfico brasileiro da época, e que na década anterior revelara nomes como Paralamas do Sucesso, Blitz e Plebe Rude. A demo não chamou a atenção de João mas Rafael foi ao descarte do pai e gostou tanto das músicas, que não parou mais de ouvi-las. De tanto o filho insistir, a dupla foi a um dos shows da banda em uma boate jovem de Guarulhos (na noite de 7 de abril de 1995, com o acompanhamento do experiente produtor musical Arnaldo Saccomani). A plateia logo entrou em transe hipnótico com a performance arrasadora da banda e o executivo se convenceu de que diante de seus olhos estava um nome em quem valia a pena investir e rapidamente. Três dias antes do final daquele mês o quinteto e a companhia de discos assinavam seu enlace em papeis. Na semana seguinte, apresentaram-se na conferência nacional da gravadora ao lado de outros novos contratados da casa. O set list de apenas seis músicas foi tão apoteótico que os Mamonas precisaram voltar para o palco por três outras vezes. No dia seguinte, o mesmo frenesi foi provocado pela primeira apresentação na TV, no talk show apresentado por Jô Soares tarde da noite no SBT, no qual Dinho pintou e bordou inclusive fazendo uma série de imitações de vozes. A partir do dia seguinte o telefone da banda não parou mais de tocar. Choviam pedidos de shows e o primeiro disco dos Mamonas – produzido e gravado pelo mesmo Bonadio em seu estúdio – sequer havia sido lançado. Faltava ainda a etapa de masterização, feita no intervalo de uma semana nos Estados Unidos, mimo raríssimo para um trabalho de estreia e ainda mais para uma banda vinda do circuito underground.

No dia 23 de junho, Mamonas Assassinas, o álbum, chegava às lojas em vinil e compact disc. Um forte esquema de promoção nem precisou ser estrategicamente armado. Mal a faixa “O Vira” – na qual a banda citava Roberto Leal para, claro, fazer uma tremenda gozação com os portugueses, eternos alvos de piadas aqui no Brasil – estourou nos playlists das emissoras FMs, começava uma febre mamônica cuja proporção acabou saindo do controle. Mais faixas começaram a ter alta rotação radiofônica. A banda era disputada a tapas por todos os canais de televisão e sua onipresença nos programas dominicais de auditório logo se tornou uma realidade. No espaço de tempo de doze horas, o disco chegou a vender 25 mil unidades. Durante quase um mês, o trabalho batia a marca de dez mil exemplares comprados diariamente. Tornou-se ainda o álbum de estreia de um artista que mais longe chegou no mercado fonográfico nacional em todos os tempos (contabilizando três milhões de cópias em menos de um ano, ultrapassando marcas às quais só estavam acostumados grandes medalhões, como Xuxa e Roberto Carlos). Os rapazes de Guarulhos conquistaram fãs de todas faixas etárias (crianças, jovens, adultos, idosos). Contratos para shows se multiplicaram, a ponto de exigir duas ou três apresentações em um único dia, seis dias por semana. Para cobrir as grandes distâncias do território nacional em questão de horas era preciso alugar jatinhos executivos. Os Mamonas Assassinas estavam no ar (nas rádios, tevês, aviões) de todos os jeitos. Não havia um ser humano no Brasil que não estivesse exposto à música e à palhaçada deles. Em uma época em que o uso da internet ainda engatinhava em nosso país, vale frisar.

E o que havia de tão especial assim nos Mamonas para tamanho estouro comercial? Em primeiro lugar, o que é inegável, dava para perceber com clareza a união de autenticidade com espontaneidade. Os jovens – cuja idade média estava nos 24 anos – estavam ali de fato se divertindo vestidos de Robin, He-Man ou Chapolin Colorado. Eles eram exatamente aquilo lá também por trás das câmeras e fora dos palcos. Brincalhões ao extremo, não havia muitos limites de onde fazer as palhaçadas, muito menos com quem. Portanto, não havia nada arranjado ou forjado para pagar mico ou parecer ridículo. E, convenhamos, na arte de fazer humor é preciso ter um leque amplo de referências cotidianas. Isso o Mamonas também tinha. O vocalista Dinho ainda estendia mostrava uma grande habilidade para improvisações sem fim e uma capacidade ímpar de imitar vozes famosas. Já os quatro músicos também eram bastante hábeis em seus instrumentos, além do savoir-faire de construir sátiras em torno de gêneros musicais da época (o forrocore dos Raimundos, o metal do Sepultura, o pagode do Raça Negra, o funk metal dos Red Hot Chili Peppers, a música brega/romântica sempre em voga nas rádios populares).

As letras, por sua vez, eram o maior trunfo do quinteto. De braços dados com uma enxurrada de citações a ícones do cinema e da televisão, havia ali uma série de crônicas sobre o comportamento e os sonhos de consumo das classes econômicas menos abastadas, muitas referências aos migrantes nordestinos na grande metrópole. Dinho ainda deitava e rolava incorporando o sotaque e algumas das expressões típicas da região porque pais e avós vieram da Bahia para o Sul Maravilha. Alguns anos da chegada do Partido dos Trabalhados ao poder nacional, os Mamonas já antecipavam a tão discutida “ascensão econômica da classe C”. Versos aparentemente imediatistas mas que se analisados com olhos mais profundos revelarão polaroides de todo o espírito desmedidamente jocoso made in Brazil que logo após a virada do século passaria a bombar na internet com as redes sociais ( a incomodar muitos estrangeiros por lá, inclusive) já estava impressa no DNA dos garotos de Guarulhos. Por isso a identificação com o público de Norte a Sul foi tão imediata.

Muito mais do que uma banda de rock, eles eram brasileiros por excelência. Por isso tenham marcaram de modo abrupto o fim do sonho do rock alternativo nacional e, por que não?, o fim da linha do rock no mercado fonográfico brasileiro. Depois dos Mamonas Assassinas, somente o Los Hermanos (com “Anna Julia", faixa de um disco coincidentemente produzido pelo mesmo Bonadio) ameaçou provocar um novo estouro de popularidade em todo o país. A sonoridade das guitarras tornou-se algo desinteressante e passou definitivamente a um plano inferior na música nacional. Talvez os rumos pudessem ter sido diferente caso não houvesse o fatídico acidente da noite de 2 de março, assim como também saberíamos por quanto tempo ainda duraria toda a febre dos Mamonas e o que fariam seus integrantes depois de passado apogeu da fama. Mas aí qualquer hipótese levantada nunca mais passará de mera especulação.

FICHA TÉCNICA

Álbum: Mamonas Assassinas

Artista: Mamonas Assassinas

Ano de lançamento: 1995

Produção: Rick Bonadio

Gravadora: EMI-Odeon

Faixas: “1406”, “Vira-Vira”, “Pelados em Santos”, “Chopis Centis”, “Jumento Celestino”, “Sabão Crá-Crá”, “Uma Arlinda Mulher”, “Cabeça de Bagre II”, “Mundo Animal”, “Robocop Gay”, “Bois Don’t Cry”, “Débil Metal”, “Sábado de Sol”, “Lá Vem o Alemão”.

Curiosidades: Funk metal calcado em Bloodsugarsexmagik, album de grande sucesso lançado pelos Red Hot Chili Peppers em 1991, a faixa de abertura “1406” (que começa ao som de quatro “já vai”) teve o seu título tirade do número de telefone que ficou famoso pela overdose de propagandas na televisão que mostrava produtos importados pelo Grupo Imagem Teleshop, que prometiam fazer coisas mirabolantes e não encontravam similares no mercado brasileiro. Entre os nomes citados por Dinho na letra estão as facas Ginsu, as lentes Ambervision e a Frigi-Diet. Os versos também misturam eletrodomésticos reais (televiseo, microondas, telefone celular) com invenções (limpa-vômito, limpa-chifre). Dois anos depois, o grupo sueco de metal progressivo Pain Of Salvation lançou em seu álbum de estreia a faixa “People Passing By, que possui trechos muito parecidos com “1406”. *** Dinho divide os vocais do pornofado “O Vira” com Julio. O tecladista faz a parte dos falsetes, referents às falas da personagem Maria, enviada para uma suruba pelo padeiro português Manoel em seu lugar. A música é calcada nos mais clássicos passos de dança da música portuguesa, trazidos à música brasileira pelo cantor lusitano Roberto Leal. *** “Pelados Em Santos” é um estupendo bolero brega que inclui um riff de trompete mariachi. Cantada com sotaque nordestino por Dinho, a letra promove um contraste sócio-econômico de marcas famosas da época (tênis Reebok, calça Fiorucci, o carro Brasília e as rodas Gaúcha). *** Toda a parte das estrofes de “Chopis Centis”foi construída em torno de pequenas variações do famoso riff de “Should I Stay Or Should I Go”, hit do grupo punk ingles Clash. De novo abusando do sotaque nordestino, o vocalista faz as vezes do narrador que trabalha como operario da construção civil, come aipim frito, sonha em dar uns rolezinhos no Shopping, abre crediário nas Casas Bahia e vê filmes de ação de astros hollywoodianos como Arnold Schwarzenegger e Jean Claude Van Damme. *** “Jumento Celestino” é um forrocore a la Raimundos. Começa com a guitarra mergulhada em distorções e no pedal de efeito wah-wah e acaba caindo para o baião comandado pelo trio sanfona, zabumba e triângulo. A letra fala sobre um boia-fria baiano que tenta a vida na metropole paulistana e acaba sendo notado por turbinar em demasia seu veículo próprio de tranpsorte. No caso, um jegue. Por isso, a introdução pega emprestado versos de ˜De Quem é Esse Jegue”, um dos clássicos do cantor paraibano Genival Lacerda. *** “Sabão Crá-Crá” era uma música bastabte cantada pela criançada nos recreios dos colégios brasileiros no final dos anos 1970. Tem estrutura de jingle publicitário e rimas projetadas para gerar a expectativa do ouvinte por um palavrão moleque que, no caso deste disco, não chega no final. A vinheta, que dura quarenta segundos, foi gravada com os Mamonas sentados no chão do studio e o acompanhamento solitário do violao de Bento. Por decisão do produtor, na mixagem final, a rima derradeira acabou sendo substituída por um som tosco de pum feito pela boca. Dinho, por sua vez, não perdeu a deixa da molecagem e passou a apresentar Rick aos amigos como “o cara que tirou o meu ‘cu’ do disco”. *** “Uma Arlinda Mulher”é uma balada folk com violao que descamba para o hard rock. Dinho não só imita o timbre do cantor cearense Belchior como também seu jeito particular de cantar e compor frases com versos quilométricos e que acabam sendo falados depressa para poder caber na métrica. A letra é um primor de besteirol que mistura matemática (Teorema de Pitágoras), Física (movimento de translação da Terra, a Teoria da relatividade de Einstein), mitologia grega, alguns trava-línguas e referências a folclóricas canções infantis como Escravos de Jó. Termina com classico recurso de fade. Enquanto o volume vai sendo abaixado lentamente fica nítido que Dinho começa a improvisar e rir das suas próprias tiradas. Uma delas é “entregar” que Cruezeback (apelido pelo qual a banda chamava Bonadio, originário de um jeito meio nordestino meio enrolado de falar o jargão playback) vai manipulando o botão do volume. *** “Cabeça de Bagre II” traz um quebra-cabeça de referências. A mais nítida é a faixa-título do disco Cabeça Dinossauro (lançado pelos Titãs em 1986) na construção da letra e na forma de reforçar. Há ainda a risada do Pica-Pau no desenho animado, um trecho da música “Baby Elephant Walk” e citação aos Raimundos que acabou virando o grito de guerra dado pela banda antes de subir ao palco de cada show. *** Antes do início de “Mundo Animal”, Dinho dá o recado curto e grosso a Creuzeback dizendo que a baixaria iria começar. Então entra a música  que fala abertamente sobre as relações sexuais de diversos bichos. Na sonoridade, uma grande suruba de hard rock, folk, groove, pop sixtie e o post-rock britânico dos anos 1980. *** “Robocop Gay” se chamava incialmente “Demerval, o Machão”. É um rockabilly a la Elvis que fala sobre transexualidade e conta a transformação física, social e comportamental da protagonista. Na letra, um monte de rimas com palavras proparoxítonas e referências a religiões (católica, evangélica, muçulmana) que no mundo politicamente correto de hoje poderiam gerar altas polêmicas. A voz principal foi gravada por Dinho de primeira, sem precisar de novas tomadas. Curiosidade: esta é uma das poucas músicas do disco em que o vocalista canta de forma natural, como nos tempos sérios de Utopia. Antes do lançamento do disco, havia o temor de que a comunidade LGBT não recebesse bem a canção. O que ocorreu, no entanto, foi justamente o contrário. Até hoje a faixa é um dos grandes sucessos dos karaokês da vida. *** Com título que satiriza um dos grandes sucessos do grupo britânico Cure, “Boys Don’t Cry”, no entanto, segue uma direção musical completamente diferente. É um bolero brega de pura dor-de-cotovelo, que se transforma em thrash metal e cita Dream Theater e Rush. O uso da segunda voz e de maneirismos vocais no fim de cada verso fincam um pezinho no sertanejo). *** Quem ouve “Débil Metal” não tem dúvida: os Mamonas têm aqui o seu momento de Sepultura, com uma letra em inglês (composta por Julio, o único que dominava o idioma entre os cinco) que não quer dizer absolutamente nada. *** Sábado de Sol” era o grande hit do trio adolescente carioca Baba Cósmica, do qual Rafael Ramos fazia parte. Gravá-la foi um modo de fazer um agradecimento ao jovem padrinho vinheta. Bonadio teve a ideia de transformar o registro em uma vinheta tal como “Sabão Crá-Crá”, durando menos de um minuto e com o acompanhamento solitário do violão. Foram feitas duas versões vocais. Na primeira, os cinco debochavam da pronúncia carioca do Baba. Na segunda, atacavam com a pronúncia guarulhense um tanto quanto italianada. Na seleção final foi escolhido o take inicial. *** “Lá Vem o Alemão nasceu de uma sugestão dada por João Augusto logo no primeiro encontro com os Mamonas: por que não fazer um samba?”. Foi a deixa para o grupo pegar no pé dos grupos famosos de pagode naqueles meados dos anos 1990, com direito a sopro sintetizado, vocalista sibilante e participação de músicos dos grupos Art Popular e Negritude Junior durante a gravação da base instrumental. Só que, claro, o pagode dos Mamonas não se restringiria a apenas um pagode. A música vira um metalzão, volta a ser pagode, volta ao metal e termina com uma insólita fusão dos dois lados. *** Além doze faixas oficiais, três outras foram gravadas durante as sessões de gravação e posteriormente descartadas na seleção final. “Não Peide Aqui, Baby” (versão em português para “Twist And Shout”) foi excluída pela gravadora sob a alegação do abuso da linguagem chula. João Augusto também limou “Onon Onon” e “Joelho” por não gostar de ambas. As três permaneceram inéditas até a inclusão em coletâneas póstumas. *** “Onon” traz uma peculiaridade: é um reggae cujo refrão traz a mesmíssima melodia do refrão de “1406”, mas com outra letra. *** O desenho da enorme boneca inflável que ilustra a capa do album foi inspirado em uma fotografia da sessão da modelo Mari Alexandre para uma edição de 1992 da revista Playboy. *** A palavra “mamonas” que ajudou a batizar o grupo, alias, estava longe de estar ligado ao seu conceito mais comum, o da planta. Neste caso, como indicava a capa do disco, a expressão significava um par de seios enormes. *** Em uma explícita referência à cultra hip hop, a boneca inflável da capa usava uma grossa corrente de ouro. Só que o pingente com logomarca inversa à da Volkswagen (famoso no visual do grupo novaiorquino Public Enemy). Quando o grupo assinou o contrato com a EMI o repertório autoral só continha três faixas prontas. O quinteto teve apenas uma semana para compor todo o restante das músicas que entrariam no disco de estreia. *** O sucesso estrondoso no Brasil levou a banda a ser famosa também na Argentina. Para se lançar no mercado latino, eles fizeram uma versão em espanhol de seu maior hit. Então, “Pelados Em Santos” virou “Desnudos en Cancún”. *** Antes do Mamonas Assassinas, apenas uma banda brasileira de rock havia ultrapassado a marca de um milhão de cópias. Foi o RPM em 1986, no auge econômico do Plano Cruzado. Alcançar tal vendagem havia sido primazia de poucos anteriormente, como Roberto Carlos, Xuxa, É o Tchan e Zezé di Camargo & Luciano. *** Há alguns anos a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) reduziu a marca do disco de diamante de um milhão de exemplares para apenas 300 mil. Para ajudar nesta contagem também entram os relatórios de vendas de fonogramas digitais, o que ainda não havia na época dos três milhões de discos do Mamonas. *** Meses depois do trágico acidente aéreo, a impensável Sabão Crá Crá” entrou para a trilha sonora da novelinha global Malhação naquele ano. *** Em 2007, outra novela, agora de uma Rede Record já ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, escolheu outra faixa deste disco para entrar em sua trilha sonora. A obra trash/cult Caminhos do Coração selecionou justamente “Robocop Gay”(?!?!). *** Ao todo o grupo cinco já ganhou cinco biografias. A primeira e mais importante delas foi escrita pelo historiador, jornalista e apresentador de TV Eduardo Bueno, também conhecido pelo apelido de Peninha. *** Rick Bonadio produziu este disco dos Mamonas Assassinas quando tinha apenas 26 anos de idade. Com o sucesso obtido pelo grupo, foi contratado pela EMI para levar novas bandas ao seu elenco. Pouco tempo depois revelou para a casa o grupo Charlie Brown Jr, formado pelo vocalist Chorão em outra cidade paulista (Santos). *** Em 2001 Bonadio criou o selo independente Arsenal, que contava com parceria com grandes gravadoras, como a Abril Music e, posteriormente, a Universal. O Arsenal durou até 2012, quando Rick criou um novo selo, agora chamado Midas. Entre os artistas que já gravaram discos produzidos pore le estão O Surto, Los Hermanos (primeiro disco), Rouge, Br’oz, LS Jack, selo próprio, Fresno, CPM 22, NX Zero, Tihuana, Hatten, Gloria, Strike, Titãs, Negra Li, Manu Gavassi, Supla, Luiza Possi, Fiuk, Fernando & Sorocaba, Sambô, Planta & Raiz, Ivo Mozart e Sergio Britto. Bonadio também participou como jurado e produtor musical de reality shows e quadros musicais de programas de TV nacionais como Ídolos, Caldeirão do Huck, Popstars, Fábrica de Estrelas, Julie e os Fantasmas e RebeldeS.

Influências: Raimundos, Titãs, Guns N’Roses, Red Hot Chili Peppers, Ultraje A Rigor, Clash, Rush, música brega

Influenciados: Baba Cósmica, Pedra Letícia, Massacration, Velhas Virgens, Virgulóides, Tarcisio Meira`s Band, Denorex 80, Mamilos Molengas


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