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Revelação americana passa pelo Brasil no maior clima de “Curtindo a Vida Adoidado”

Gatesmith: voz grave e consistenteTexto por Gisele Pungan e foto de Zé Roberto Pereira (originalmente publicados em LineUp Brasil)

Cinco garotos com menos de vinte anos viajando o mundo, fazendo seu som, cercados de gatinhas dando mole e de gente interessada no que eles tem para mostrar. Camarins com garrafas de Jack Daniel’s à vontade, lugares exóticos como o Japão e Brasil no roteiro, festinhas pré e pós-shows. Parece a descrição de um filme da Sessão da Tarde? Pois é mais ou menos isso que os meninos do Howler estão vivendo, com a mesma profundidade que um Ferris Bueller’s day off pode oferecer.

Jordan Gatesmith e sua turma não estão preocupados com as referências musicais, nem com influências, nem com coisa nenhuma. “Strokes? Is this it!”  é o que têm a declarar sobre as constantes comparações com os colegas americanos pouco antes de subir no palco do Beco 203 no dia 26 de fevereiro, em São Paulo.

São eles mesmos quem montam os instrumentos no intervalo entre o show do Some Community, a banda de abertura, e o deles, a atração principal. Fazem um show enérgico, capitaneado pela boa voz de Jordan (grave e consistente, a única coisa que o aproxima de Julian Casablancas) e pela bateria acelerada de Brent Mayes, que chega a lembrar um punk rock californiano.

Tão preocupado quanto eles estava o público que veio até a Rua Augusta conferir quem são os caras por trás do hype que a imprensa promoveu. Era para ser um show levantado pelo sistema de crowdfunding, mas quando pergunto na fila de entrada quem tinha comprado seu ingresso dentro do esquema colaborativo não encontro ninguém. Foi difícil também encontrar alguém que pudesse citar alguma música da banda ou que se declarasse fã. A maioria estava por ali para ‘ver qual é’. Com as expectativas baixas de ambos os lados, o resultado foi parecido com a sensação que uma boa tarde de férias pode nos trazer: diversão sem compromisso, imediata, simples.

Com apenas um álbum gravado, America Give Up, lançado nesse ano (Nota do editor: já com edição brasileira via Lab 344), sobrou tempo para a banda conversar com o público durante o show. O baixista France Camp encarnou o típico americano-médio e elogiou os drinks tropicais (“Piña Colada is great”, disse), as garotas e o colorido típico do Brasil. Estava achando incrível poder usar uma camisa com estampa floral. O vocalista Jordan também tentou ser simpático: no meio do show pediu que o público cantasse alguma coisa, como o hino nacional, por exemplo – sugestão que foi prontamente atendida pela plateia num surto de ufanismo coletivo.

Sem covers nem nenhuma versão especial das músicas do álbum, a banda apresentou um bom shuffle das suas onze canções, tocadas com um entrosamento excelente, fruto da grande turnê que eles estão fazendo desde o começo do ano.

Set list: “América”, “Beach Sluts”, “For All Concern”, “Too Much Blood”, “Wailing (Making Out)”, “This One’s Different”, “Pythagorean Fearem”, “Told You Once”, “Back To The Grave”, “Back Of Your Neck”. Bis: “Black Lagoon”.


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