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Tom Zé – ao vivo
Escrito por Abonico Dom, 03 de Junho de 2012 17:29
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Baiano mostra no Fito, em Curitiba, que objetos comuns também podem virar bons instrumentos musicais
Texto por Vivian Faria
Foto de Dudu Schnaider/Divulgação
“Tom”, gritava parte do público. “Zé”, respondia outra parte. O relógio marcava quase 20h40 – horário previsto na programação para início do último espetáculo da noite de 26 de maio – e, mesmo de dentro de uma das salas do Festival Internacional de Teatro de Objetos, o Fito, já era possível ter noção de que não eram poucos os ‘curitibanos’ que queriam aproveitar a noite de sábado ao som do baiano Antônio José Santana Martins.
Na verdade, a tenda erguida ao lado do MON para abrigar o evento estava lotada e, mesmo com alguns minutos de atraso (possivelmente devido a um pequeno atraso nas peças realizadas nas salas ao lado do palco), logo estavam todos, admiradores e curiosos, entoando o cativante refrão de “Elaeu”, que abriu o show e foi repetida mais tarde a pedido de uma fã.
Tom Zé veio acompanhado de Lauro Léllis (bateria), Jarbas Mariz (cavaquinho, viola 12 cordas, percussão, voz), Cristina Carneiro (teclados, voz), Felipe Alves (baixo, voz) e Renato Léllis (guitarra, voz), e assim que cantou a primeira música anunciou que o show, chamado Música AntiMúsica e apresentado em edições do Fito realizadas em outras cidades, teria de ser adaptado: a plateia pedia algo mais agitado. O que ofereceu ao público foi uma viagem por ritmos e gêneros, sem deixar de lado o propósito central do espetáculo: mostrar que também é possível fazer música com objetos como martelos, capacetes e esmeris. Afinal, se eles podem dar vida às diversas histórias encenadas nos três dias de festival, podem também assumir o papel de instrumentos musicais.
Com a desenvoltura de veterano, Tom Zé conversou com o público o tempo todo, fez rir com piadas – algumas já usadas em ocasiões anteriores – e brincadeiras e mostrou que continua forte no improviso. Quem se desdobra para acompanhar a velocidade do pensamento do senhor de 75 anos é a banda. O resultado é bom e divertido.
Em “Augusta, Angélica e Consolação”, o compositor colocou o guitarrista Renato Léllis para cantar, dizendo que os mais jovens também precisam de espaço. Apenas comentários assim e os pequenos lapsos de memória que o faziam esquecer alguns versos de músicas para lembrar o público que estavam todos diante de um senhor nascido na década de 30. Os pulos, a empolgação e as travessuras eram de criança – entoou “Hein?” vestindo uma calcinha por cima do macacão e seguiu o show com essa calcinha na cabeça.
Tom Zé ainda fez o público cantar e dançar com “Menina, Amanhã de Manhã”, “O Amor é um Rock”, “2001”, “Xique-xique” e “Moeda Falsa”. Em alguns momentos foi prejudicado pela curiosa (porém recorrente) combinação de dois microfones (um headset e um normal), mas nada que não fosse solucionado rapidamente, geralmente com a ajuda do escudeiroJarbas Mariz.
Por ser exatamente aquilo que reza a lenda, Tom Zé roubou a atenção em meio a saca-rolhas e vestidos gigantes. Talvez por isso também ele tenha feito valer o clima de ‘tudo é possível’ que pairava na tenda do festival.
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