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Smashing Pumpkins

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Oceania é mancha azul-piscina no vermelho-sangue do grupo e divide opiniões de jornalistas e fãs

Billy Corgan e seus novos escudeirosTextos por César Munhoz e Brenda Lee Follador

Fotos: Divulgação

No impiedoso e fantástico universo do entretenimento de massa, não dá pra lançar um disco que venha acompanhado de um apelo do tipo "por favor, entendam que eu estou aqui tentando fazer algo que satisfaça meu coração". Azar o seu e azar o meu. O martelo dos deuses – no caso, dos fãs – desce com tudo, no peito. E fãs de Smashing Pumpkins gostam de usar esse martelo com força, têm uma expectativa lazarenta. Com essa expectativa – acreditam esses fãs – não se brinca. É como pedir um Waldo X-Picanha (quem não é de Curitiba, “googleie”, por favor) e esperar nada menos que um Waldo X-Picanha, não um McFish.

Os Pumpkins são responsáveis por discos eternos. Isso dá a eles um peso que não sei se ainda querem ter. "Querem" não. "Quer", porque, apesar da exaltação das personas dos integrantes originais como se fossem X-Men, a banda sempre foi, em essência, o Billy Corgan. Com certo apoio do Chamberlain. Tô ligado que já vai pintar um bando de enxaquecas dizendo que o Iha é fundamental, que ele fez uma paradinha importante em "Mayonnaise", outra em "Soma". Pra esses tatus, eu digo, pra não dizer outra coisa, que vão todos ouvir Siamese Dream na câmara criogênica, de preferência em uma nave cheia de aliens. Beijo e não me liguem. O carequinha quer criar e o problema não é seu, é dele. No caso, é um problema mesmo, porque Oceania é um disco estranho, um “quase disco”.

Faço força pra gostar das coisas e fiz muita força pra me empolgar com Oceania, porque é o disco novo da minha banda do coração. Além disso, não dá pra ignorar (muito menos detonar de graça) um álbum novo dos Smashing Pumpkins, goste ou não. Se você não gostou do Zeitgeist, vá pra câmara criogênica também. E as canções avulsas de Teargarden By Kaleidyscope, então?

“Fellowship” é BOM DEMAIS. Mas esse disco, assim, inteiro, como peça única, eu não entendi. Tem os sempre desejáveis fósseis do Thin Lizzy em “Panopticon”, tem um riffão bonito em “My Love Is Winter” e tem “Celestials”, que demora dois minutos pra só então se revelar a coisa linda que é. Mas... cara... de boa... engrossa o caldo aí.

Oceania é uma feijoada de bufê por quilo, com três ou quatro pedaços de carne suculenta e feijão aguado. Dói fundo dizer isso, mas o disco é 2 killers para 10 fillers. Por Deus, a faixa-título é um filler :...Oceania compartilha com Machina I o excesso de pretensão e a escassez de música simples e fantástica – o inverso do segundo Machina, um disco feito pra ser resto, mas que, de longe, é um dos melhores. Oceania nasce com aura de importante, mas não é.

Quem sabe a seqüência das músicas não seja a mais feliz: Por que não abre com “Chimera”, “Inkless” e “Glissandra”? Recicla “Fellowshi”p, não faz mal. MAS CHEGA CHEGANDO, PORRA! Depois viaja na maionese. Primeiro me conquista, depois fica progressivo. Eu preciso de amor quentinho e vermelho, não dessa vibe azul piscina... Mas, enfim, quem sou eu pra dizer o que o Corgan deve fazer? O caminho é dele, só dele. Eu sigo, reverencio e pago pau. (CM)

***

Os Smashing Pumpkins retornam à ativa com Oceania, álbum lançado dia 19 de Junho, que faz parte do projeto chamado Teargarden By Kaleidyscope. Inicialmente Teargarden... seria um projeto em que 44 faixas seriam disponibilizadas gratuitamente, pouco a pouco, em um período de dois anos. Porém, como não obteve o retorno esperado, Billy Corgan optou por retornar ao formato de álbum, tendo iniciado as gravações de Oceania em abril de 2011.

As treze faixas são um compilado de letras bem elaboradas, mesclando ora guitarras pesadas e um rock incorporado (como na primeira do álbum, “Quasar”), ora por canções suaves e com aquela melancolia de álbuns anteriores como Mellon Collie And The Infinite Sadness, de dezessete anos atrás.

Ainda são encontradas clássicas influências da banda (como New Order e Cure), nas canções “The Celestials” e “Windflower”. Por alguns momentos, também é possível comparar as grandes introduções das faixas com o clássico costume do Pink Floyd em trabalhar em tal área. Isso sem contar que a parceria entre Billy Corgan e os novos integrantes Mike Byrne (bateria), Nicole Fiorentino (baixo) e Jeff Schroeder (guitarra), cada qual dando seu pitaco na criação das melodias, faz de Oceania um álbum exemplar e único. O resultado é a critica positiva que vem pipocando em algumas publicações de todo o mundo.

Oceania compensa os nove meses de atraso do lançamento com músicas que conseguem nos tocar e fazer pensar, ao invés de apenas apostar no peso dos instrumentos. Sendo o nono álbum lançado pela Smashing Pumpkins, pode se ver que a banda não saiu de forma e que boas novidades surgirão em breve. Estaremos lá para presenciar. (BLF)

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Comentarios (2)Add Comment
0
Pitchfork
escrito por César Munhoz, 25 de junho de 2012
0
...
escrito por Viteck, 05 de julho de 2012
Muito bom o primeiro texto!!!

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