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Radiohead
Escrito por Abonico Qua, 13 de Junho de 2012 21:51
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Quinze anos depois de lançar OK Computer, grupo se transformou em sinônimo de verdade inconveniente
Texto por César Munhoz
Foto: Divulgação
“É muita verdade, né? Uma verdade meio dopada.” Palavras da paulista Fatima Buava quando ouviu OK Computer pela primeira vez, em 1997. Na época, eu e ela éramos penpals, (do inglês, “amigos de caneta”). Nos conhecemos nos classificados da Metal Head, revista feita de papel e nos correspondíamos via carta de papel. As cartas levavam semanas pra serem respondidas e traziam um catatau de conteúdo profundo e banal, escrito, desenhado, colado, rasurado. Tipo o encarte do OK Computer, que é um ensaio sobre a perda/busca de sentido na coisa toda. É desconcertante, agressivo, rizomático e político. É, também, bonito.
A verdade chapada de OK Computer é essa que a gente vive hoje, de zumbi, de fone de ouvido e cara colada no smartphone. Like a cat tied to a stick that's driven into frozen winter shit. Dizer que o disco e o encarte são proféticos é um papo que cansa, mas lembro que pra mim o mundo fez mais sentido a partir dele. A gente tentou ser competitivo nos 80, depois tentou ser feliz e clean nos 90, fez ioga e tai chi, deixou tudo em tons pastéis, inventou o networking informal, constituiu família. Passada a primeira metade da década, a gente sentou e fez força pra acreditar que tinha conseguido, que ia ficar tudo bem. Mas rolou uma comemoração fedidinha, tinha cheiro de mentira.
Não rolou. Ficamos mais distantes, mais individualistas, domesticamos o último pingo de vontade de mudar, viramos o próprio bug do milênio. OK Computer não é exatamente um réquiem, está mais para um exame de sangue que traz notícias que não são positivas nem negativas. É só uma verdade. Faça o teste rápido: olhe no espelho agora e veja essa vontade que você tem de se encontrar, de acreditar em si mesmo e no outro, de ser cada vez mais feliz e de viver em comunhão, mas que esbarra na falta de fé adquirida com as experiências que não deram certo. Fica aquele gosto de leite ralo com corante azul-Facebook. Um desânimo, uma falta de.
Ouvir Radiohead deixa a gente online, integrado. O ritmo da vida é assim mesmo, a parada tá no contratempo, em não fingir que tá tudo bem, em viver agora, andar com a perna torta, conviver com a dor nas costas. É tudo tropeço. É assim mesmo, fio. Respira. Do jeito que der. Tá tudo no lugar errado. Uma coisa de cada vez. Esperança. Tira o lixo. Medo de morrer. Esperança. The panic. The vomit. Siamo tutti little monster.
Sobre a música. Engraçado que se diga por aí – quase como uma verdade absoluta e chapada – que o Radiohead ficou mais experimental e livre depois do OK Computer. Isso pode ser verdade para o Kid A. Mas, no fundo, no fundo, o som da banda fica cada dia mais previsível – sentença dada pelo próprio Kid A. Confere aí: batida 5 por 5 ou 3 por 3, ou 5 por 3 (com uma caixa extra fora do compasso), barulhinho que entra e sai, melodia e drama, falsete e jateado de areia.
OK Computer fez com que o britpop deixasse de ser sinônimo de djengo-music*. Tipo, hoje você pode ouvir Oasis se quiser, mas só se quiser mesmo. De qualquer maneira, inaugurou-se uma nova ditadura. Mais uma unanimidade, que saco. Não dá pra falar mal de Radiohead. Uma das maiores bandas do mundo. Mas não dá vontade de falar mal. Uma das melhores bandas do mundo. Sempre conecta. Atinge a síntese que o Sigur Ros não consegue (“Treefingers”, “Kid A”, “Pyramid Song”). É rock'n'roll (“National Anthem”, “There There”). Pode ser triste, introspectivo, fatalista, infantil, mas nunca de maneira gratuita (“Weird Fishes”, “No Surprises”). Juntando tudo isso, dá pra dizer que todo disco do Radiohead é um filme do Jodorowski, mas a banda não se esquece que a única coisa indivisível no universo pop é a canção. Incomum e universal, o Radiohead se tornou uma das maiores bandas do mundo porque fala a verdade inconveniente e fora do compasso. E principalmente porque nunca se esqueceu da música.
* Djengo-music é um termo cunhado pelo Canisso, baixista dos Raimundos, durante entrevista que fiz com ele em 1998, para definir música feita com acordes repetitivos de violão. Tipo “Wonderwall”.- 22/06/2012 00:07 - Fiona Apple
- 20/06/2012 20:57 - Arnaldo Antunes – ao vivo
- 19/06/2012 23:30 - Scissor Sisters
- 18/06/2012 01:29 - Atari Teenage Riot – ao vivo
- 17/06/2012 01:23 - Hot Chip
- 10/06/2012 00:52 - Arnaldo Dias Baptista – ao vivo
- 10/06/2012 00:17 - Hives
- 09/06/2012 19:12 - Cultura Inglesa Festival 2012 – ao vivo
- 06/06/2012 00:37 - Marisa Monte – ao vivo
- 05/06/2012 01:10 - Dado, Bonfá & Wagner Moura – ao vivo

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Tinha em mente aquele Radiohead do primeiro álbum, entre o chato e o histriônico. O OK Computer mostrou que eles realmente eram artistas - porque ainda acho o The Bends superestimado, datado.
De qualquer forma, sua analogia com o exame de sangue é muito acertada. Keep on rockin', César!
abs