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Cultura Inglesa Festival 2012 – ao vivo
Escrito por Abonico Sáb, 09 de Junho de 2012 19:12
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Domingo no parque com Franz Ferdinand, Horrors, We Have Band, Garotas Suecas e Banda Uó
Texto por Raul Lorenzetti
Fotos: Cultura Inglesa/Divulgação
São Paulo, domingo, 27 de maio de 2012. It’s always better on holiday.
Acordei umas 10h da manhã, fazia sol e havia um corpo desmaiado na sala de casa. Cutuquei o cadáver, “Vivo?”, “Vivo!”. Achei que a casa estaria mais cheia de hóspedes de outros cantos, uma vez que todo mundo gosta de Franz e que o show era de graça. Me enganei.
Acelerei algumas coisas, numa tranquilidade boa – era domingo de sol, cara! – entre café, cigarros de café-da-manhã e músicas novas apresentadas pelo reverendo Padovani (no caso, o corpo que estava usufruindo da sala de casa num belo colchão sem lençol). E rua!
Rua. Mercado. Frutas. “Tá com fome? Uma vitamina ali no BH?”. Misto quente e vitamina. Metrô até o Alto do Ipiranga. A pé na Nazareth. Parque da Independência e... Cacetada!
Bastante gente? A fila dobrava a esquina do parque e descia, serpenteando até pra baixo do palco. A Banda Uó foi ouvida da fila. As moças entraram antes, lá em cima, quando a fila da revista dividia homens e mulheres – a fila dos homens era bisonhamente maior.
Descemos pacientemente, num sol danado e colocamos a conversa em dia enquanto bebíamos a cerveja que explodia na nossa cara quando o lacre se rompia. Após uns 30 minutos de fila, voilá: um belo domingo no parque.
Entramos por volta das 14h30 a tempo de ver Garotas Suecas tocando Rolling Stones – os caras entraram com o zap logo de cara: “Sympathy For The Devil” na cara da sociedade paulistana. O show foi divertido, a banda é carismática e, no desafio/audácia de tocar os Stones, passaram sem deixar muitos feridos pelo caminho.
Aí o caldo engrossa – errado. We Have Band. Foram 40 minutos da mesma música. Depois, o único hit da banda. 45 minutos de show. Ponto – mesmo.
O Horrors subiu no palco precedido pela apresentação de Edgard Picoli, que soltou um “shoegaze” para definir o som da rapaziada e, quando percebeu que não tinha “ornado”, emendou “é... definições são sempre definições”. Ligeiro.
O show do Horrors foi bacana. O guitarrista Joshua Third certamente destoava do resto do grupo e bagaçava a guitarra, fazendo MUITO barulho. O resto se apoiava na figura do vocalista Faris Rotter – que parecia uma mistura do Julian Casablancas no vestuário, Paul Banks na voz e Joey Ramone no esqueleto.
Os rapazes de Southend mandaram bem e fizeram um show calcado no disco Skying (de 2011 e lançado há pouco no Brasil via Lab 344), com poucas coisas do Primary Colours (2009) e nada do primeiro, Strange Houses (2007). No fim, eu realmente não entendi onde o Horrors cola no Cramps, segundo os jornalzões noticiaram durante os releases da semana.
Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bob Hardy e Paul Thomson subiram no palco, meio que dando um olé no apresentador que, claramente, foi instruído a dar aquela enroladinha na hora de anunciar a banda. Pé no peito, “Darts Of Pleasure”.
Eu gosto do Franz. Mas, cara, começar um show com “Lordes do Prazer”, que termina com “Eu sou superfantástico”, é de uma cara-de-pau enorme, que precisa de muita pose pra segurar – e, PODE ACREDITAR que eles seguram, amigo! Oh, yeah!
Segunda música, surpresinha com “Tell Her Tonight” e um medinho me abateu “já são duas do primeiro...”. Será que eles iam tocar muito pouco ou quase nada do último Tonight...? “Right Thoughts”, música nova, me deu outro medo por carregar mais que uma identidade da banda: uma preguiça de se reinventar – e eu realmente considero a trajetória do Franz uma evolução. “Do You Want To?” veio pra cortar qualquer reflexão, com uma introdução diferente – as músicas ao vivo tem alguns arranjos distintos, o que, com certeza, conta muito pra mim enquanto espectador. “No You Girls”, a primeira do terceiro disco a entrar na parada; “Brief Encounters” música nova com um errinho no final. Tá tranquilo, Alex.
“Walk Away” e sua elegância foram transformadas pelo coro de Kapranos com a galera no final, cantando “la la la lá”. O rapaz é um tremendo frontman: o show do Fraz é como o seu som, cirúrgico. Tudo é muito bem pensado, proposto e executado. As coisas ficam realmente divertidas quando Alex resolve sair do script: seja alongando um trecho com sua voz de tenor sexy, ou jogando a guitarra nas costas pra finalizar “Ulysses” – o grande momento do show, sem dúvida.
Ainda houve “Can’t Stop Feeling” com direito a homenagem para Donna Summer com um trechinho de “I Feel Love”. “Fresh Strawberries” e “Trees & Animals” foram apresentadas ao público paulistano que reagiu com pouco entusiasmo – a galera estava afim mesmo era de um GRANDE karaokê. Na opinião ranzinza deste que cá escreve, as músicas são bem boas – aliás, “Fresh Srawberries” foi a única que mostrou algo diferente do que o quarteto fez nos três últimos álbuns.
As três últimas músicas do show foram uma ode à nostalgia: “’40”, “Outsiders” e “Michael” finalizaram numa paulada só o show que já tinha ganhado em carisma e diversão, mas tinha devido um bocado no set list.
O bis veio com “Jacqueline” e “This Fire”. O Franz já tinha colocado fogo em São Paulo outras duas vezes, talvez fosse o caso de descobrir a que a pauliceia veio com “What She Came For” ou ter botado todo mundo no parque pra viajar com “Lucid Dreams”, ambas ignoradas pelo grupo na apresentação. Alguns podem argumentar que elas não funcionariam em um local aberto, show de festival, etc. Eu acho que Franz funciona em qualquer lugar.
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