Quarta Mai 22

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Blood Red Shoes – ao vivo

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Dupla abre o Cultura Inglesa Festival com muita microfonia, uma bela guitarrista e um baterista destruidor

Carter e Ansell: pedradas e simpatia

Texto por Raul Lorenzeti

Foto: Eduardo Gabriel

Um belo domingo, sol, frio – embora muita gente não desse bola, enquanto outras tantas davam pelota demais pro clima, se encapotando em cachecóis e blusas bonitas, quase tão britânicas quanto o 15º Cultura Inglesa Festival. O evento teve várias atrações – como uma mostra com os filmes do grupo humorístico Monty Phyton – mas o grande destaque seria mesmo os shows do Música no Parque no dia 29 de maio de 2011. Mockers, Cachorro Grande, Blood Red Shoes, Miles Kane e Gang Of Four estavam escalados para fazer as vezes da terra da rainha bem no meio do bairro do grito – sabe, o grito de independência, às margens plácidas? Então, lá mesmo, no Ipiranga, em SP.

A pontualidade das bandas não poderia deixar de ser britânica e o Blood Red Shoes entrou às 15h30 depois de mais uma apresentação besta (qual seriaa razão de se escolher caras cada vez mais espalhafatosos pra apresentar shows nos festivais do Ipiranga?). Laura-Mary Carter e Steven Ansell subiram ao palco denunciando o que viria: uma pedrada boa! A moça, muito elegante com uma meia calça preta, short jeans e camisetão do Led Zeppelin (!!), plugou sua guitarra num amp Vox de 15watts e deixou pra dois monstros JCM 900 da Marshall darem toda a sujeira que a sua Telecaster merecia.

A dupla abriu o show com “Keeping It Close”, e no primeiro bloco vieram “It’s Getting Boring By The Sea”, “Heart Stink” e “Say Something, Say Anything”. A coisa esquentou bem com o baterista Steven Ansell malhando de verdade o seu instrumento de trabalho, além, é claro, de cantar enquanto a bela Laura mantinha as coisas em casa com a sujeira devida e solos rítmicos que casavam muito bem com a bateria do seu par.

Enquanto o show rolava, tive a oportunidade de conversar com o “Papito” Supla e o vocalista do Cachorro Grande, Beto Bruno. Ambos foram unânimes: ela é uma belezinha, mas o baterista é um apavorado! E o show foi isso mesmo: a beleza de uma guitarrista empunhando uma mítica Telecaster com as vestes do Led Zeppelin e um batera realmente interessado em destruir. Perto do final do show, Steven conversou com os fãs, pedindo para que invadissem a área VIP, que estaria mais vazia se não fosse um sex pistol Glen Matlock aplaudindo com sorrisos a cada fim de música. Quase um desrespeito do sr. Ansell, porém algo plenamente compreensível.

O ponto alto ficou exatamente para o fim, quando Laura-Mary agradeceu a vinda do público mesmo sem saber quem era o Blood Red Shoes (queéisso, Laura, a gente é que agradece! e mandou a pedrada “Don’t Ask” seguida de “Colours Fade”. Os dois foram embora, deixando tudo soar uma sujeira saudável – MUITO melhor que o disco, diga-se. Importante pra molecada presente entender que a coisa funciona muito melhor quando se tem microfonia no ar.

E depois, eles ainda voltaram para autografar camisetas, discos e outras coisas, fazendo a diplomacia bacana do festival. Coisa fina!


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