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Titãs – ao vivo

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O agora quarteto toca na íntegra o álbum Cabeça Dinossauro e ainda prima por um set nada óbvio

Os vocalistas remanescentes Paulo Miklos, Branco Mello e Sergio BrittoTexto por Leandro Delmonico

Fotos de Soraya Sugayama

No começo do ano eu li a notícia de que os Titãs fariam uma turnê especial comemorando os 30 anos de carreira contando, inclusive, com os integrantes remanescentes da formação original. Essa era uma verdadeira injeção de ânimo naqueles que deixaram de assistir à banda ao vivo pela ausência dos compositores Nando Reis e Arnaldo Antunes e ainda, mais recentemente, do baterista Charles Gavin na formação do grupo.

Pois bem. No último sábado (21 de julho) os Titãs trouxeram a Curitiba o show especial Cabeça Dinossauro 30 Anos de Carreira e descobri que o sonho de ver a formação original reunida vai ficar para uma próxima. Quem saiba eu assista isso em DVD mais para frente. Apesar disso, o quarteto formado por Paulo Miklos, Branco Mello, Sergio Britto e Tony Belloto mostrou que é possível segurar as pontas e lembrar que o país já teve um mainstream de qualidade, com direito a hits experimentais e tudo mais.

O show começou por volta das 0h50 e a formação enxuta, composta pelos quatro remanescentes mais o baterista Mario Fabre sacou do início ao fim o terceiro e lendário disco da banda, Cabeça Dinossauro, que acaba de ser relançado pela gravadora Warner. Não era difícil olhar para o lado e flagrar advogados, professores e pais de família cantando “Igreja”, “A Face do Destruidor” e “Bichos Escrotos”, algo bonito de se ver. Para tudo ficar mais brazuca, o show contou com alguns problemas técnicos – destaque para a pequena falha no PA durante a introdução de “AA UU”.

Após “O quê”, última faixa de Cabeça Dinossauro, a banda deixou o palco, dividindo o show em duas partes. O retorno manteve o clima pesado e cru, com destaque para as canções do disco Titanomaquia (“A Verdadeira Mary Poppins”, “Nem Sempre Se Pode Ser Deus” e “Será Que é Isso Que Eu Necessito?”), uma cover (“Aluga-se”, de Raul Sexias), pérolas da fase áurea ("Diversão", "Televisão", "O Pulso", "Lugar Nenhum") e poucos sucessos dos anos 2000 (“A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” e “Vossa Excelência”). As duas canções mais recentes – “Amor Por Dinheiro”, do álbum Sacos Plásticos (2009), e a inédita “Fala, Renata” deram uma esfriada no público. Poderiam ter optado pelas baladas na voz de Sergio Britto, como “Epitáfio” ou “Enquanto Houver Sol”, mas ficou claro que a proposta deste show não era muito noveleira...

Durante a calorosa apresentação – tão calorosa que passei mal antes do início da apresentação – tive de separar o lado critica do lado público. Cheguei a lembrar a recente troca de farpas entre o ator Bruno Mazzeo e o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira, que trouxe à tona a questão das bandas brasileiras dos anos oitenta insistirem nas aparições baseadas em sucessos do passado. No caso dos Titãs, nome de carreira consistente, algumas canções não surtem o mesmo efeito e a performance, que tanto marcou a história do grupo, perde bastante com a atual formação. Se por um lado, as vozes de Sergio Britto, Branco Mello e Paulo Miklos suprem quase todo o repertório (quase, pois “Marvin” só vale mesmo na voz do Nando Reis), por outro os integrantes ficam presos aos instrumentos e não há mais aqueles dois ou três Titãs que ficavam lá no fundo sem fazer nada a não ser dançar e que todo mundo achava um barato. Mas para o público isso é de menos hoje em dia. A trinca final “Flores”, “Sonífera Ilha” e “Marvin” fechou o repertório, que, por sinal, foi muito bom.

Foi o meu primeiro show dos Titãs. Não me sinto no direito de tecer muitos comentários. Ao ver a casa lotada e a banda tocando todas aquelas músicas que , por incrível que pareça, seriam intocáveis nas FMs de hoje, acho tudo um baita lucro. E ainda levanto a seguinte pergunta: existirão bandas de carreira no futuro?

Set list: "Cabeça Dinossauro", "AA UU", "Igreja", "Polícia", "Estado Violência", "A Face do Destruidor", "Porrada", "Tô Cansado", "Bichos Escrotos", "Família", "Homem Primata", "Dívidas", "O Quê", "A Verdadeira Mary Poppins", "Amor Por DInheiro", "Nem Sempre Se Pode Ser Deus", "Aluga-se", "Diversão", "Vossa Excelência", "Televisão", "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", "O Pulso", "Fala, Renata", "Será Que É Isso QUe Eu Necessito?", "Lugar Nenhum", "Flores". Bis: "Sonífera Ilha" e "Marvin".


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