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Ana Cañas
Escrito por Abonico Seg, 16 de Julho de 2012 00:14
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Novo álbum afasta cantora da MPB, brinca com as guitarras do rock e se perde em erros que levam ao nada
Texto por Cleber Facchi (originalmente publicado por Miojo Indie)
Foto: Divulgação
Mariana Aydar, Roberta Sá, Maria Rita, Marina De La Riva e tantas outras vozes femininas que sempre confundo os nomes parecem fazer parte de um grupo próprio de cantoras que ainda hoje me instigam. Uma fração volumosa de artistas bem recebidas pelo público e boa parte da imprensa que chamam a atenção não pela inventividade ou pelo tom revolucionário de suas obras, mas pela maneira como soam estranhamente iguais. É como se a mesma MPB-pop-trilha-de-novela estivesse presente em cada fração do trabalho destas artistas, que vez ou outra soam como uma versão abrasileirada de Norah Jones da boa fase (se é que isso já existiu) ou uma milésima tentativa de reavivar a memória já desfigurada de Elis Regina.
Não diferente desse adorado grupo de artistas é o trabalho da paulistana Ana Cañas, cantora que ao alcançar o terceiro disco solo, Volta (2012, Som Livre), parece manter as exatas mesmas experiências que tanto definiram seus dois últimos discos – Amor e Caos (2007) e Hein? (2009). Presa dentro da mesma atmosfera musical que define os registros de boa parte da atual safra de cantoras brasileiras, Cañas até se esforça, cria e produz ela mesma o novo disco. Um trabalho que inevitavelmente acaba incorporando os mesmos apelos “jazzísticos” e “conceituais” que tanto empobrecem e transformam em cópias uma série de registros tupiniquins.
Volta é um trabalho desconexo e estranho. Não é rock, embora brinque em diversos momentos com as guitarras e referências ao gênero. Não se apresenta como um disco de música pop, mas não desiste de apostar em versos rasos que parecem arquitetados para animar algum par românico na novela das sete. Afasta-se da MPB, ao mesmo tempo em que permite incorporar erros bem típicos do gênero. Logo, a sensação ao longo das faixas que definem álbum é que Cañas gravou boa parte do trabalho em sentimento de urgência, agarrando o máximo de possibilidades e formas sonoras possíveis sem jamais se envolver de fato com elas. Tudo é muito rápido, simples e incapaz de prender o ouvinte, mesmo que por poucos instantes.
Totalmente oposto do que preenche e engrandece os memoráveis trabalhos de nomes como Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Céu ou Juliana R, Volta (que foi gravado em um sítio no município de Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro) não apenas se preenche de erros, como arrasta uma série de faixas memoráveis dos mais diversos campos da música para junto dele. De “My Baby Just Cares For Me” (eternizada por Nina Simone) ao clássico “La Vie En Rose” (de Edith Piaf), a cada nova “interpretação” da cantora temos uma canção que parece incluída sem qualquer significado, definindo nos arranjos simples e nada inventivos a maior prova do exagero de Cañas em soar grande.
Entretanto, não há como negar a beleza e a vivacidade que se apodera de faixas como “Urubu Rei” e “Diabo”. Criações mais distintas e complexas do trabalho, ambas as composições se afundam nos ensinamentos esculpidos no rock da década de 1970 – seja ele o estrangeiro ou o nacional. Enquanto a primeira música parece um misto de Ney Matogrosso da fase com o Secos e Molhados e Zé Ramalho no ápice da carreira, a segunda permite que Cañas se entregue de vez ao fervor do blues e do rock‘n’roll clássico, não o que se apodera de forma monótona e desgastada na homônima décima primeira canção do disco (originalmente concebida pelo Led Zeppelin), mas de maneira criativa e despretensiosa, culminando em um dos grandes momentos da rasa obra.
Os raros bons momentos ao longo do disco, contudo, não conseguem salvar o restante do trabalho, arrastando Ana Cañas para um resultado ainda mais inferior que os anteriores álbuns por ela apresentados. Desnorteado e tentando a todo o momento soar como um projeto amplo, o disco manifesta um oposto dessa proposta, expondo um conjunto de músicas fracas, instrumentalmente redundantes e tão similares que por vezes parecem apenas substituir o título de outras faixas já existentes nas obras de outras cantoras. Volta é um trabalho que tenta a todo o instante se apresentar como um produto de resultado inovador, quando na verdade não é.- 21/07/2012 20:29 - Garbage
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