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A Place To Bury Strangers – ao vivo

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Camadas e camadas de barulho foram a receita do sucesso do trio shoegazer em apresentação em SP

APTBS: wall of sound devastadorTexto por Aldo Hanel

Foto: Denise Machado/Beco SP/Divulgação

Beco 203, 11 de Julho de 2012. Enquanto nas ruas de São Paulo milhares de pessoas faziam barulho pelo título do Palmeiras, na casa de show, três pessoas conseguiram fazer do barulho sua maior arma pra conquistar seu público.

Tudo que talvez tenha dado errado com o Radio Dept dias antes no mesmo local – fossem as grandes filas ou problemas com o som – desapareceram nesse dia. Outro ponto em comum entre as duas apresentações, além de até certo ponto o estilo musical, é o fato de que falamos de duas bandas grandes para os apreciadores do gênero shoegazing e que ao mesmo tempo são nomes desconhecidos do grande público, mesmo com vários anos de estrada e participações em trilhas sonoras.

Apesar de ter surgido nos anos 2000, a história do A Place To Bury Strangers (ou mais precisamente de Oliver Ackermann) volta até o começo dos anos 90 onde o mesmo era um dos membros fundadores do trio Skywave. Apesar da qualidade, o Skywave também falhou em atingir um grande público – ou talvez até por essa qualidade tenha falhado.

Um dos fatores mais interessantes e que contribuiram para o ambiente criado no Beco 203 foi a presença das duas gerações de fãs, sejam os entusiastas da cena shoegazer que viveram seu auge e declínio na primeira metade dos anos 90 ou os jovens que redescobriram e estão se encarregando de levar a mesma pra frente nesse mais recente revival do gênero – que traz mais elementos recentes para a característica wall of noise do shoegaze. Outro ponto positivo que merece ser citado antes da resenha em si é o preço cobrado pelo merchandising da banda. Não me recordo de ter pago tão pouco por LPs, singles e EPs em um show internacional. Ponto para o A Place To Bury Strangers.

A abertura ficou a cargo dos brasileiros do Single Parents. Mesmo com o som cru (se bem que essa característica era tudo o que os presentes buscavam), o grupo ainda deu toques mais interessantes ao seu barulho, com uma violinista tocando junto em parte do show. Eles serviram ao seu propósito com excelência, sendo uma excelente preparação para o que ainda estava por vir, apesar de que nada que acontecesse poderia nos dizer o que realmente iria se passar depois.

Assim que pisou no palco, o APTBS mostrou a que veio, dando aos presentes exatamente aquilo que eles queriam: barulho. O show, tanto falando da banda quanto do público, transcorreu como um enorme crescendo de mais de uma hora de duração. Embaixo de todo o barulho da guitarra, baixo e vozes distorcidas, tinha uma bateria que parecia acelerar com o tempo, que acelerava o público, a performance do trio e todo o aparato de iluminação. Isso elevou a apresentação a um outro nível, a um transe em que todos os sentidos eram atacados de forma brutal e ainda assim, melódica e agradável.

Aos poucos, o público que começou balançando a cabeça e batendo os pés e o trio que começou tímido se soltaram, culminando no caos visto na metade final. Uma gigante roda se formou na plateia. Só conseguia enxergar pertences voando, como bonés, celulares e óculos quebrados, além do próprio baixista Dion Lunadon, que deu seu show a parte se jogando sobre os fãs e deixando os mesmos participar do show juntamente com ele. Provavelmente na parte final do show ninguém mais sabia o que estava acontecendo, tamanha era a parede de som e luzes e a catarse coletiva do público – tanto os que apreciavam o show calmamente de um lugar mais distante,quanto aqueles que fizeram parte daquela enorme roda no meio da pista. Tudo isso ao som de um set list que priorizou o segundo e mais conhecido álbum da banda, Exploding Head, passando brevemente pelo début e o recém-lançado "Worship", além de músicas de EPs.

Se algo pode resumir tudo o que aconteceu neste espetáculo – e chamo de espetáculo pelo mais puro sentido da palavra – foram os dois minutos finais. Um baixo despedaçado voando de volta ao público, quase que como um "thank you" do outrora tímido trio, a saída rápida e o som que se prolongou por mais alguns minutos com a plateia ainda tentando entender o que havia presenciado e estática. Espetacular, simplesmente espetacular. Uma aula de barulho e com certeza valeu cada hora (dias, para alguns) de zumbido.

Set List: “In Your Heart”, “Deadbeat”, “Ego Death”, “I Know I'll See You”, “So Far Away”, “Why I Can't Cry Anymore”, “Fear”, “Keep Slipping Away”, “Drill It Up”, “You Are The One”, “I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart”, “Ocean” e “Lost Feeling”.


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