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Preguiça sorumbática e falta de ousadia travam o novo álbum do DJ e produtor


Moby: sem muitos riscosTexto por Fernanda Blammer (gentilmente cedido por Miojo Indie)

Foto: Divulgação

Em 2012 serão vinte anos passados desde que Moby lançou seu autointitulado trabalho de estreia. Um conjunto de doze faixas que passeavam pelo acid house, o techno e pequenas inserções de música ambiente, que ao serem concentrados personificavam a figura do artista nova-iorquino, atuante desde os princípios dos anos 80 nos mais variados clubes e pistas do mundo todo. Em Destroyed (Mute/EMI, 2011), décimo disco de estúdio do produtor, o DJ lida com o peso de quase trinta anos de carreira, tentando manter as mesmas referências que construíram sua sonoridade e ainda assim soar inovador.

O primeiro e mais perceptível aspecto do novo álbum de Moby está na "preguiça". Não pelo fato do produtor transformar seu disco em um registro enfadonho de ser ouvido, mas na maneira sonolenta e suave com que as batidas, teclados e sobreposições de sons acabam inseridas. Até que "Be The One", segunda faixa do disco, exploda em seus minutos finais, são as frequências moderadas da canção de abertura "The Broken Places", com seus quatro minutos de passeios pelo etéreo e sonorizações melancólicas que lembram uma chillwave mais limpa (se é que isso é possível) que acabam por predominar.

Bem, de fato o álbum repassa a todo instante uma sensação de acordar, como se o disco inteiro fosse crescendo conforme o dia se desenvolve aos olhos de seu criador. Começa pequeno, com batidas e texturas brandas, como as que são encontradas em "Sevastopol" e "The Low Hum", para posteriormente ganharem contornos um pouco maiores, com as faixas quase envoltas em uma espécie de névoa eletrônica, mas que permitem a entrada de pequenos focos de luz. Em "Rockets" essa mescla de suavizações sintéticas cresce tão intensamente, que chega a lembrar alguma coisa do Goldfrapp, principalmente do álbum Seventh Tree (2008).

A maneira sorumbática com que o produtor entrelaça os versos e a sonoridade das canções transmitem um ar de despedida através do disco. Essa sensação de "adeus" talvez seja explicada pela mudança de Moby de New York para Los Angeles. A cidade, que durante anos serviu de sede para que o artista desenvolvesse seus projetos, agora é apenas mais uma no jogo de inspirações que compõe o novo disco. Tanto a capa quanto as faixas são inspiradas, segundo o que o próprio músico já assumiu, nessa troca de lugares, esperas em aeroportos e as constantes mudanças de espaço físico adquiridas ao longo de suas excursões pelo globo.

Entretanto, por mais que Destroyed repasse uma série de elementos e inspirações que o complementam, a falta de renovação dentro do álbum é algo que toma por completo todas suas 17 faixas. Principalmente quando ressalta sua veia minimalista, ou percorrendo os caminhos da deep house e do ambient, Moby se revela como um artista que vive de sua estabilidade e não parte em busca de algo novo. Sempre que o produtor se arrisca - como ocorre nas duas maiores canções do álbum, "Lacrimae" e "Slow", ambas com mais de sete minutos - algo, talvez a idade ou o receio, o puxa de volta, impedindo que o disco soe de maneira inédita.

É possível encontrar muito mais disposição e criatividade dentro das piores faixas dos trabalhos do Long Arm ou do novato Nicolas Jaar, do que dentro de Destroyed. É nesse ponto que a "preguiça" realmente surge dentro do trabalho de Moby, mas não pela temática das faixas e sim pela falta de vontade do produtor em movimentar algo que se revele tão inovador quanto fora em suas canções no começo da carreira. O responsável por álbuns como I Like to Score (1997) e Play (1999) já não existe mais e teremos de nos acostumar com isso.



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