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Brasileiros veem no cinema o show que uniu Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica no mesmo palco

 

Hetfield e Mustaine juntos de novoTexto por Costábile Salzano Jr (gentilmente cedido pelo Portal RockPress)

 

A transmissão direcionada aos cinemas brasileiros entrou em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Santos não apresentou as quatro apresentações na íntegra, como fora anunciado. Os headbangers conferiram aqui um compacto com os melhores momentos das exibições – com maior tempo, é claro, para a atração principal daquela tarde/noite de terça-feira (22 de junho), o Metallica. Vale a pena lembrar, que apesar da data, o estádio Vassil Levski, na cidade de Sofia (Bulgária) estava completamente abarrotado, inclusive de pessoas de paises próximos como Grécia, Bósnia, Romênia, Turquia, Hungria e mais os mais longínquos e sempre presentes em quais quer ocasiões, os brasileiros.

 

Como espectadores mais do que VIPs, mais de cem pessoas “invadiram” o Cine Roxy, em Santos (SP) para acompanhar da melhor forma possível – sentados confortavelmente com sacos de pipoca, chocolate, cerveja e refrigerante – um dos principais festivais do mundo, que protagonizara mais um show reunindo as quatro melhores bandas de thrash metal dos EUA.

 

A primeira banda foi o Anthrax, que serviu muito mais como um aquecimento para os ouvidos. Apesar de diversas músicas conhecidas, o pessoal acompanhou de forma contida até a bandeira do Brasil aparecer empunhada na grade por algum felizardo. A performance do vocalista Joey Belladonna arrancou muitas risadas. O frontman aproveitou o momento para mandar o recado aos fãs: "O Anthrax está de volta!".

 

Na sequência, veio o Megadeth. A entrada foi simples, sem luxo, mas com a apoteótica “Holy Wars”. Sob uma verdadeira tempestade, Dave Mustaine comandou uma apresentação idêntica ao show recente de São Paulo. Não teve nada de novo. Tudo velho. Até mesmo a cara de emburrado, ao ver a nuvem negra não deixar de castigar tanto o público como a banda, deixava a fisionomia do marrento frontman mais carrancuda. Segundo a edição, ele distribuiu poucos sorrisos, assim como no Brasil. "Symphony Of Destruction" animou a galera, que cerrou os punhos e começou a entrar no clima do evento búlgaro.

 

Porém, quando o Slayer entrou em cena, o clima mudou da água pra vinho. O visual extremo de Kerry King, a enorme pança de Jeff Hanneman (com certeza, devido ao excesso de cerveja – marca registrada em suas duas guitarras). Tom Araya simplesmente com a camisa da seleção chilena e um Dave Lombardo mais largado devastaram o palco do Sonisphere e as salas de cinema mundo afora. Mesmo abrindo com a nova “World Painted Blood”, o impacto foi instantâneo. A galera pediu pra aumentar o som e foi prontamente atendida. A cada composição, os fãs ficaram ensandecidos e vibravam como se estivessem no meio da platéia. O motivo: "War Ensemble", "Hate Worldwide", "Seasons In the Abyss" e “Raining Blood". Foram 45 minutos de pura insanidade! Sem sombra de dúvidas, com este show avassalador, a demanda por uma volta do Slayer ao Brasil aumentou (e muito!). Fica a dica aos produtores de shows...

 

No intervalo foi exibida uma homenagem especial ao finado Ronnie James Dio. O primeiro a depor foi Kerry King. Dono de poucos sorrisos, o guitarrista do Slayer se mostrou uma pessoa sensível e contou como foram seus encontros com o vocalista. Porém, os depoimentos a seguir protagonizaram uma das partes mais efusivas da exibição – e muito se deve a edição de imagens, que foi extremamente inteligente para causar o evidente impacto. O primeiro a aparecer foi Scott Ian (Anthrax), depois Dave Mustaine (Megadeth) e, por último, o baterista Lars Ulrich (Metallica). Sim, isso mesmo! Mustaine e Ulrich sentados quase que lado a lado, apenas separados pela presença fisica de Ian. Tal acontecimento praticamente anulou os contos de behing the scenes vivida pelos músicos.

 

Após tantas emoções, os fãs estavam mais do que convidados a conferir mais uma apresentação do Metallica. Porém, nada de novo para quem esteve na primeira noite dos norte-americanos em São Paulo, em janeiro. No entanto, serviu com um belo revival daquele espetáculo que até o momento está sendo considerada como o melhor show de metal realizado no Brasil em 2010. A galera aqui cantou, urrou e perdeu o juizo também. Primeiro, muitos se levantaram das poltronas e começaram a agitar em seus lugares. Porém, vários desceram as escadas e ficaram na frente da tela, curtindo o show. Até que um funcionário do cinema resolveu intervir e acabar com a festa dos mais exaltados.

 

Todo o Clássico na jam

Depois da clássica “Enter The Sandman”, veio o melhor da transmissão. Quando James Hetfield anunciou a entrada de “todos os integrantes” de Megadeth, Anthrax e Slayer no placo para uma grande jam, não foi apenas a Bulgária que estremeceu. O evento foi transmitido simultaneamente para 800 cidades de 31 países consagrados com esta exibição provocou uma onda de euforia em grande escala devido ao fuso horário, que fez o mundo tremer. A música escolhida foi “Am I Evil?”, clássico da banda britânica Diamond Head.

 

Realize ai na sua mente James Hetfield, Lars Ulrich e o desafeto Dave Mustaine tocando no mesmo palco após 27 anos ao lado dos outros integrantes de Anthrax, Megadeth e apenas Dave Lombardo representando o Slayer. O último show de Dave Mustaine com o Metallica foi em 9 de abril de 1983, no clube L’Amour, em Nova York.

 

James Hetfield, Dave Mustaine e Joey Belladonna dividiram os vocais, enquanto os outros músicos debulhavam seus instrumentos com a maior alegria. Os desfalques ficaram por conta do trio de ferro Tom Araya, Kerry King e Jeff Hanneman. Estes, pelo jeito, não têm sangue de barata como Mustaine, que ao final da jam resolveu trocar abraços com James Hetfield e Lars Ulrich. Será que as diferenças históricas finalmente terminaram ou foi apenas um ato de educação? Só o futuro dirá...

 

Com apenas o Metallica no palco, acabou o show com "Hit The Lights" e "Seek and Destroy". Ao final da apresentação, Hetfield revelou que o evento estava sendo gravado para um futuro DVD. Tal revelação deixou uma minoria revoltada.

 

Apesar dos cortes, os repertórios de Anthrax, Megadeth e Slayer duraram cerca de 45 minutos cada e só o Metallica teve praticamente mais de 1h35. Ou seja, foram praticamente quatro horas de muito heavy metal em alto e bom som em uma enorme tela de alta resolução. A sala, em Santos, não lotou, provavelmente devido a rápida divulgação. Mas quem marcou presença vibrou como se estivesse no meio daquela intensa multidão.

 

(Agradecimentos: Eduardo Marques e Leila Tupinambá, da Mobz; e Celio, do Cine Roxy)


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