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Uh La La!

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Revelação do rock curitibano prepara EP de estréia após causar sensação nos primeiros shows

Uh La La: figurino  todo especialTexto de Fernando Souza

Fotos de Marino Prieto/Divulgação

Em um típico final de tarde do inverno curitibano, com um precoce anoitecer e uma densa e ao mesmo tempo fina garoa, o local marcado para a entrevista com uma das novas surpresas do cenário rocker local é um apartamento no centro da capital ecológica. A dúvida sobre ter ou não entrado no prédio certo, por não lembrar exatamente o número passado por telefone, de cara é anulada pelo encontro com uma integrante da banda na entrada do elevador: Babi, que já teve passagem por inúmeras bandas da cidade e sempre é lembrada quando o assunto é baterista-mulher, cabelos coloridos – inclusive servindo como modelo fotográfico para fotos do encarte de um aguardado álbum de uma banda curitibana, que sairá em breve – e o famoso jargão “mostra os peitos”. Chegando ao andar, a porta entreaberta indica que aquele é o apartamento onde nas horas seguintes Mondo Bacana e Uh La La estariam frente a frente, para uma conversa abrangente, que foi do início de uma duradoura amizade entre as integrantes até os empolgados planos para a nova banda.

Lá encontramos a baixista e vocalista Andreza, trocando uma corda estourada de um violão. Ela é parceira de Babi há dez anos em diversas bandas (já extintas) como Plastic Dolls e Sterea. A TV, ligada em um desses programas que passam clipes, conquistava os olhares curiosos naquele momento. Coincidentemente, remeteu à noite seguinte, que teria uma discotecagem “anos 90 e 2000” dos integrantes da Uh La La em um bar da cidade. O programa era justamente de clipes dos anos 90, mas de um lado um pouco duvidoso daquela década – o vídeo que passava era da música “Barbie Girl”, da banda dinamarquesa Aqua (que, inclusive, acaba de lançar um Greatest Hits com direito a três faixas inéditas). Mas, evidentemente, aquela sonoridade não faria parte da discotecagem...

Com a chegada do guitarrista Ivan, a formação daquela noite estava completa, já que a tecladista e vocalista Kátia não pode ir à entrevista. Ivan é o que se pode chamar de novato nessa história. “Conhecemos o Ivan em um churrasco dos sobrinhos da Xanda [Lemos, fundadora do Criaturas], o pessoal das bandas Cosmonave e Crocodila. Ele tava lá tocando guitarra, e como precisávamos de um guitarrista na época, ligamos pra ele e ele aceitou o convite”, revelou a vocalista. Xanda cantava e tocava guitarra em outra banda que Babi e Andreza tocaram juntas, e que foi o ponta pé inicial para a Uh La La: o Gianninis. Isso junto com o também guitarrista e vocalista Zé Ivan, depois de várias mudanças de formação. Inclusive, foi através do Gianninis que a Kátia (ex-Bidê ou Balde) conheceu a dupla, em um show no James Bar, passando posteriormente a fazer parte da banda depois da saída de Xanda, que hoje mora nos EUA. O último passo da transformação foi a saída de Zé Ivan do Gianninis no final de 2008, o que levou as três remanescentes a darem início a um novo projeto.

Apenas três meses depois de toda essa reviravolta, a banda estreou na décima edição do festival Curitiba Calling, em março deste ano, cercado uma forte expectativa, jamais vista para uma primeira vez nos palcos de uma banda curitibana. Segundo Babi, “aquele primeiro show foi maravilhoso”. O público parecia mesmo muito curioso para saber o que viria das caixas de som do 92 Graus. Afinal, qual seria o resultado daquela nova identidade de nomes tão conhecidos da cena rock de Curitiba?A única pista anterior havia sido a única fotografia utilizada para a divulgação do Uh La La!: os quatro trajando roupas estilo “executivo cansado”, com camisa social e gravata e a ausência da calça, substituída por meia, meia-calça e cueca samba-canção...

 Quarteto surgiu das cinzas do GianninisSonoridade difusa

“O figurino chama mesmo muita atenção”, afirma Andreza. Mas além das roupas, a banda chama atenção também pela sonoridade, pouco comum, para a qual cada integrante levou suas diferentes influências e dessa mistura saiu o som característico da banda. “Ninguém conseguiu rotular o nosso som até agora. O pessoal assiste ao show e se pergunta com o que parece, mas não encontram resposta”, pontua a baixista. Isso é reforçado pela utilização de vários efeitos, tanto do teclado quanto da guitarra e das vozes. Contudo, já foram identificados nesta mistura difusa elementos de pós-punk (batidas), garage (guitarras sujas) e bubblegum (doces melodias de herança sixtie).

Depois da badalada estreia, a banda marcou apenas mais dois shows até este mês de julho, ambos em Curitiba. “O que nos deixou mais surpresos foi a reação do público. A gente não esperava tanto”, pontua Ivan. A baixa frequência das apresentações neste momento é atribuída à gravação de quatro músicas, que estão em fase de mixagem e estarão no primeiro EP – que logo será disponibilizado para download gratuito aqui pelo Mondo Bacana. Para divulgar o disco, já estão agendados shows fora da capital paranaense (em cidades como São Paulo, Londrina e Caxias do Sul). Existe também plano para em breve produzirem um clipe, além da participação acústica no projeto Tubo de Ensaio.

Ouvindo as quatro músicas que estarão no EP (“Remédio”; considerada pela própria banda o seu hit; “Esquece”; “Meu Bouquet”; e, com destaque, “Sai da Minha Frente”), percebe-se claramente que a intenção da banda é simplesmente divertir, fazer o público dançar. E a produção não pára: já existem várias novas canções que em breve o público poderá conferir nos shows deste semestre, junto com as covers escolhidas a dedo e deixadas com a cara da própria da banda (músicas de Ike & Tina Turner, Detroit Cobras, Blur, Breeders).

Mesmo com pouco tempo de estrada, o recém-nascido quarteto curitibano já vem conquistando a atenção do público e os holofotes, inclusive participando de vários programas de TV. É uma banda que tem, graças à sua essência e justificando seu batismo, tudo para continuar divertindo o público com uma sonoridade sincera, enérgica e descontraída. Olho e ouvido neles!