Domingo Nov 18

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Elvis Presley

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Conheça 80 curiosidades sobre a vida e a obra do astro mais popular do rock’n’roll, que nascia há 80 anos

Elvis: do interior dos EUA para o mundoTexto por Abonico R. Smith

Fotos: Reprodução

>> Elvis Aaron Presley nasceu em 8 de janeiro de 1935, em um casebre bastante rústico, sem eletricidade ou água corrente. O local, situado no lado este da cidadezinha de Tupelo (divisa dos estados norte-americanos do Tennessee e do Alabama), não passava de um barracão de apenas dois cômodos, construído pelo pai Vernon Presley, depois de um empréstimo de 180 dólares.

>> A mãe, Gladys Smith, estava grávida de gêmeos. Jesse Garon Presley nasceu morto meia hora antes do sobrevivente Elvis. O parto foi algo tão violento que mãe e bebê tiveram de ser internados às pressas no hospital mais próximo. Jesse foi enterrado no local em uma cova não identificada.

>> Vernon pulava de emprego em emprego, enquanto Gladys ajudava na colheita de algodão. Taciturno e de poucos amigos, o pai de Elvis também era hábil em se meter em encrencas. No fim de 1937, depois de vender um porco e alterar o valor do cheque a ser descontado, ele acabou na prisão, onde ficou por oito meses. Sem ter como se sustentar, mãe e filho se mudaram e foram morar com parentes e contavam com a ajuda financeira de amigos próximos. O casebre, contudo, não foi demolido. Pelo contrário: acabou preservado décadas depois e hoje é ponto turístico de Tupelo.

Gladys, Vernon e o filho com dois anos>> A ida de Vernon ao cárcere intensificou o elo entre Gladys e Elvis, que tornaram-se inseparáveis. Em seus primeiros anos, o pequeno Presley aprendeu o que era receber bastante mimos da mãe. Nem o retorno de Vernon ao lar após cumprir a pena quebrou a forte ligação entre os dois.

>> Elvis também já demonstrava paixão pela música na infância. Aos 8 anos ele já cantava no coral da igreja frequentada pelos seus pais. Um pastor ensinou-o os primeiros acordes no violão, instrumento para o qual também recebia o incentivo dos seus tios.

>> Em casa, passava horas diárias ouvindo rádio. Uma de suas músicas favoritas era “Old Shep”. A letra, bastante triste, falava sobre o fim de relacionamento entre um menino e seu cachorro, com a triste do animal. O menino também vivia pedindo para ser levado ao auditório da emissora WELO, para acompanhar in loco o programa de auditório comandado pelo cantor country Mississippi Slim e destinado a talentos amadores locais.

Ao lado do descobridor Sam Phillips>> Sua primeira apresentação pública ocorreu aos 10 anos de idade, na Mississippi-Alabama Fair and Dairy show, em outubro de 1945. Elvis cantou “Old Shep” a capella. Como prêmio, ganhou cinco dólares e o direito de frequentar outras atrações da feira. Logo depois disso, acabou ganhando seu primeiro violão, embora ambicionasse mesmo uma bicicleta ou um rifle de brinquedo. Praticou por dois anos até receber a primeira chance para se apresentar no programa de Mississippi Slim.

>> Em 1948, a família Presley mudou-se para Memphis. Para alguém que entrava na adolescência não poderia ter havido decisão melhor. Afinal, a cidade começava a apresentar um borbulhante cenário. Por conta de sua estratégica posição geográfica, passavam por lá diversos músicos de blues, rhythm’n’blues e country das regiões próximas, o que contribui para o crescimento de oportunidades para os locais. Durante toda a década de 1950, Memphis já começava a promover uma grande interação musical entre brancos e negros, mesmo que socialmente isso ainda não se repetisse.

>> Cada vez mais assíduo nos bares, restaurantes e casas de música ao vivo, o adolescente Elvis passava a demonstrar em seu visual pequenos sinais de uma personalidade extravagante. Deixou o topete e as costeletas crescerem. Nas roupas, evitava usar jeans e optava por combinações de gosto duvidoso, como preto e rosa, inspirado pelos trajes de seus ídolos do r&b.

Dançando com seu violão em 1956>> Apesar de sua vida social “mundana”, o jovem não deixou de ir à igreja com seus pais. Claro que o principal motivo também era música. Elvis, Vernon e Gladys não perdiam as noites gospel promovidas pela Assembleia de Deus no Ellis Auditorium. Ali ele conversava com os artistas (muitos brancos como ele) e, sobretudo, aprendia os segredos de gestos e movimentos de palco para as suas futuras mise-en-scènes.

>> Quando não estava nas aulas do Ensino Médio ou observando outros artistas ao vivo, Elvis passava suas horas com um amigo dois anos mais velho chamado Lee Denson. Com ele, foi lapidando o seu conteúdo musical. Denson lhe deu muitas noções de afinação, melodias e harmonias ao violão. Na casa do garoto também se reuniu outros adolescentes que futuramente iriam se tornar importantes músicos de rockabilly e rock’n’roll. Inclusive Bill Black, que viria a tocar contrabaixo em algumas das primeiras gravações de Presley para a Sun Records.

>> Apesar do temperamento tranquilo, Elvis não era um excelente aluno no High School. Aos poucos, por causa de seu extremo interesse pela música, suas notas foram baixando nos boletins. O interessante é que nem nas aulas de Música ele acabava se destacando

>> Sua popularidade entre os colegas de escola também nunca foi lá grande coisa. Elvis frequentemente acabava ridicularizado, tudo por causa das roupas berrantes e do cabelo “comprido”.

Com Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Carl Perkins formou no estúdio o improvisado Million Dollar Quartet>> Já com 18 anos, o jovem experimentou seu primeiro dia de popstar. No dia 9 de abril de 1953, durante um dia de confraternização na escola, Elvis participou de uma espécie de show de talentos realizado em seu colégio, para uma plateia de alunos, pais, familiares e professores. Depois de números de dança, comédia e até ventriloquismo, ele subiu ao palco da Humes High para cantar “Till I Waltz Again With You”, balada de sucesso lançada meses antes pela cantora Tereza Brewer. Bastou soltar o gogó para magnetizar a plateia e deixar todos em transe com seu carisma de palco. Virou sensação entre as garotas da escola nos dias seguintes e passou a ser visto por todos como “o bonitão da bela voz”. Contudo, pouco desfrutou da fama: semanas depois ele já estava fora da escola, formado e diplomado.

>> Ao sair da escola, precisou arrumar um emprego para ganhar a vida. Tornou-se caminhoneiro mas não largava seu violão. Quando participava de reuniões com amigos, um dos assuntos frequentes nas rodas de conversa era um pequeno porém ascendente selo chamado Sun Records, fundado em Memphis por um tal de Sam Phillips. Além de lançar discos de blues e r&b, Sam descolava uns trocados de aspirantes a artistas, fazendo gravações pretensiosas de quem se dispusesse a agendar um horário e alugar o estúdio da Sun por quatro dólares. A pessoa já saía do local carregando um disquinho artesanal com o resultado daquilo que acabara de ter sido feito. Elvis, portanto, sentiu que precisaria fazer uma visitinha à Sun para alimentar seu desejo de abrir caminho para seu sonho de virar cantor profissional.

Capa do homônimo álbum de estreia>> Depois de vencer a timidez e tanto passar na frente da Sun, Elvis finalmente tomou coragem e entrou no recinto em uma tarde quente de verão em agosto de 1953. Phillips não estava mas a sua secretária Marion Keisker recebeu o garoto e encaminhou-ao ao estúdio. Somente com o acompanhamento de seu violão, ele gravou as baladas country “My Happiness” e “That’s When Your Heartaches Begin”. Criou-se, então, uma lenda de que o garoto havia feito isso apenas para o disco de presente de aniversário à mãe. Isso não é verdade, mas é muito provável que ele tenha, ao sair da Sun naquele dia, ido direto para casa para mostrar o que fizera a Gladys.

>> Marion gostara do que ouvira e marcou o nome de Presley. Entretanto, nada mais acontecera às suas aspirações de virar artista. Entretanto, Elvis não desistiu. Em janeiro do ano seguinte retornou a Sun para mais uma tentativa de se fazer ser notado por Sam Phillips. “I’ll Never Stand Your Way” e “It Wouldn’t Be The Same Without You” foram as duas obras escolhidas por ele para serem registradas. De novo, nada ocorreu depois disso. Em abril, Elvis se candidatou a uma vaga no quarteto juvenil de gospel Songfellows. Entretanto, não foi aprovado.

>> Até que uma atitude da secretária de Phillips mudou a sorte do caminhoneiro. Ao saber que seu patrão procurava um cantor para gravar a canção “Without You”, Marion tanto insistiu que Elvis fora chamado à Sun para fazer um teste no estúdio. Sam, finalmente, conseguiu notar que além de muita vontade, havia talento no rapaz das costeletas. Contudo, sua voz não era a mais adequada para a canção e, mais uma vez, Elvis foi dispensado. Só que, agora, com a promessa de que seria aproveitado pelo selo em outro momento mais oportuno.

O ídolo e o chefão Coronel Tom Parker>> Enquanto isso, Sam convocou o guitarrista Scotty Monroe e o baixista Bill Black, dois músicos do grupo de hillbilly Starlite Wranglers, para ensaiarem com Elvis e dar uma polida naquele talento bruto para uma nova audição na Sun. No dia seguinte, 5 de julho de 1954, o trio tocou as baladas “Harbor Lights” e “I Love You Because” para o produtor, mas o resultado foi irregular e regido por muita tensão. Até que em um breve momento de descanso para novas tentativas de gravações destas músicas, de improviso, o cantor começou os versos de “That’s All Right (Mama)”, um blues composto em 1946 por Arthur “Big Boy” Crudup. A brincadeira acabou sendo seguida imediatamente pelos instrumentistas e deixou Phillips atônito e pedindo por uma repetição daquele momento, para que pudesse registrar. Na mesma onda, Elvis sugeriu que o trio gravasse o bluegrass“Blue Moon Of Kentucky”, também de 1946, só que trocando o original compasso ternário de valsa por um vigoroso e sacolejante 4/4. Depois destas duas releituras, Sam Phillips finalmente encontrara em Elvis aquilo que andava procurando: um cantor branco de voz e alma negra e que pudesse reunir em suas músicas o melhor destes dois mundos musicais. Nascia ali para a vida artística o maior exemplar de fusão de influências, ritmos e gêneros que o rock’n’roll poderia ganhar.

>> A reação de Phillips ao escutar a química entre Presley, Monroe e Black se repetiu logo depois, quando a gravação de “That’s All Right (Mama)” foi enviada para a rádio local WHBQ. Pego de surpresa logo após a primeira execução, o DJ Dewey “Daddy-O” Phillips (que, apesar do mesmo sobrenome, não tinha qualquer parentesco com o produtor musical) teve de repetir a faixa várias vezes por insistentes pedidos dos ouvintes. Começava ali o sucesso quase instantâneo de Elvis como cantor.

Cantando no filme Balada Sangrenta>> Depois que “That’s All Right (Mama)” virou hit em toda a cidade de Memphis e seus arredores e alcançou a marca meteórica de vinte mil compactos vendidos, Sam não perdeu tempo e confinou a trinca para a produção de mais registros que combinassem o groove do rhythm’n’blues com a base instrumental de um conjunto de hillbilly. Então, 22 músicas foram gravadas por Elvis e seu conjunto (já devidamente acrescido por um baterista, DJ Fontana) até o final de 1955. Cinco singles com o melhor destas gravações foram lançados em um ano e meio. O último deste cinco, que trazia a hoje famosa “Mystery Train” como lado B, já chegava a colocar Elvis na parada pop nacional.

>> Passar dos estúdios da Sun para os palcos não foi muito difícil para o agora ex-caminhoneiro de 19 anos. O público da música country era predominantemente conservados, de meia-idade e composto por uma maioria masculina. Mas Elvis logo criou um novo nicho: jovens garotas deliravam e davam gritos histéricos ao ver a sua louca performance de palco, na qual remexia todo o corpo enquanto cantava e tocava violão. Aos poucos, ele virava a grande sensação pop do Tennesse. Ainda assim, Elvis passou a fazer um importante circuito de teatros, casas de shows e programas de rádio dedicados à musica country e ao emergente rock’n’roll da região. Nem o superconcorrido Grand Ole Opry, em Nashville, passou imune à estrela adolescente.

Icônica cena de O Prisioneiro do Rock>> O boom de Elvis Presley mudou os rumos sonoros da Sun. De pequeno selo regional dedicado ao r&b e ao country, a gravadora passou a investir pesado em jovens talentos do emergente rock’n’roll, muitos deles ainda com forte veia hillbilly (o que originou na vertente chamada rockabilly). Foram contratados artistas como Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins (autor de “Blue Suede Shoes”, que Elvis viria a gravar em janeiro de 1956 para o seu primeiro álbum e que se tornaria um dos maiores hits do rock em todos os tempos).

>> No primeiro dia de janeiro de 1955 (portanto, às vésperas de completar 20 anos), Elvis oficializou o contrato com o promotor musical Bob Neal para ser seu empresário oficial. O motivo foi a necessidade de expandir suas atuações e apresentações para outras importantes cidades do Sul dos Estados Unidos. Já no primeiro mês de atividade, Neal, levou sua galinha dos ovos de ouro ao Texas, onde, além de milhares de garotas histéricas, astros da música local como Leon Russell, Buddy Holly e Waylon Jennings estavam na plateia para vê-lo. Em Shreveport, no estado da Louisiana, Presley participou do Hayride, programa de rádio transmitido ao vivo que competia em importância com o Grand Ole Opry. Foi lá que travou contato com um já famoso empresário do entretenimento chamado Tom Parker e apelidado de “Coronel” por causa de sua força no ramo. Nascido na Holanda e radicado nos EUA, Parker já estava de olho no astro ascendente e ainda no decorrer daquele ano se tornara, mesmo que informalmente, seu grande mentor.

Ao fundo, Fontana, Monroe e Black>> As limitações geográficas da Sun passaram a incomodar Elvis e Parker no decorrer do ano de 1955. Tanto que conforme seu pupilo crescia, o Coronel negociava seu passe com grandes gravadoras nacionais. A Mercury e a Atlantic fizeram propostas, mas a venda do passe foi sacramentada no dia 21 de novembro com a RCA, que já tinha em seu elenco outros artistas do escritório do empresário. Por Elvis, a RCA ofereceu à Sun uma quantia de 35 mil dólares (pode parecer pouco para os dias atuais, mas era um belo montante na época) mais royalties de lançamentos futuros. Era uma benvinda grana extra para que Sam Phillips pudesse reinvestir em outros artistas de seu elenco. A transação ainda envolveu uma injeção de “luvas” de cinco mil dólares indo direto ao bolso do cantor.

>> Apesar de contar com um artista de extremo potencial financeiro, os executivos da RCA ainda não sabiam muito bem o que fazer com Elvis Presley. Afinal, ainda não havia um nicho mercadológico já consolidado para o rock’n’roll naquele ano de 1956. A saída foi promovê-lo em dois segmentos, tanto no country quanto no pop. A saída era repetir o que havia acontecido com Bill Haley na Decca. O artista, que começou em obscuras bandas de western swing, estourou em março de 1955 nas paradas “Rock Around The Clock”, já gravada sob o nome de Bill Haley & His Comets. A inclusão da música nos créditos de abertura do filme Sementes da Violência (Blackboard Jungle), um dos grandes pilares fundamentais do início de uma cultura juvenil naquela década, levou Haley à condição de estrela pop em todos os EUA.

No programa de TV dos irmãos Dorsey>> Os primeiros dividendos de Elvis para a RCA não tardaram a vir. Dois dias depois de seu vigésimo primeiro aniversário, em 10 de janeiro de 1956, o cantor já estava em estúdio com a sua banda Blue Moon Boys (Monroe, Black, Fontana) mais o pianista Floyd Cramer e o produtor Chet Atkins fazendo das vezes de um segundo guitarrista. Uma das faixas registradas naquele dia foi “Heartbreak Hotel”, escolhida pela gravadora para ser o single inicial em sua nova casa. Depois do lançamento em 27 de janeiro, Elvis caiu na estrada fazendo muitos shows. Ao mesmo tempo, Parker investia na televisão, arrumando aparições constantes em programas musicais escolhidos a dedo, como o nova-iorquino TV Stage Show, comandado pelos irmãos Tommy e Jimmy Dorsey, veteranos das big bands. No final de março, o compacto de “Heartbreak Hotel” alcançava a marca de um milhão de cópias vendidas e consolidava Elvis Presley no topo das paradas nacionais de pop, country e r&b.

>> O foco era no single “Heartbreak Hotel”, mas Elvis também cantava outras músicas em suas primeiras aparições na TV. Entre estas canções estavam “Blue Suede Shoes” (de Carl Perkins) , “Tutti-Frutti” (de Little Richard), “I Got a Woman (de Ray Charles), “Money Honey” (do conjunto vocal  de doo wop Drifters) e “Blue Moon” (feita originalmente para um filme da Metro-Goldwyn-Mayer em 1934). Todas incluídas no repertório do primeiro álbum, lançado pela RCA em 23 de março de 1956. Metade das gravações haviam sido realizadas em janeiro, sob a batuta de Steve Sholes (o homem que apostou em Elvis e bancou a sua vinda perante os demais executivos da RCA). O resto vinha da aquisição de registros inéditos dos arquivos da Sun. O disco já apostava na marca ascendente. Trazia apenas uma foto em preto-e-banco do cantor e o seu nome, que servia de título e vinha escrito em letras garrafais nas cores verde e rosa, ocupava boa parte da capa. Curiosamente, este mesmo esquema seria repetido em 1979 pela banda britânica Clash no lançamento de seu álbum mais importante, London Calling.

Hound Dog, polêmica e humor na TV>> Os direitos autorais recebidos pela venda dos discos de Heartbreak Hotel deram a Elvis a oportunidade de comprar para os pais uma casa localizada em um bairro de classe média em Memphis. Mas a sua popularidade também promoveu a concentração de uma legião de fãs na frente da residência, que por lá passaram a se aglomerar na esperança de encontrar o ídolo. Nas poucas vezes em que não estava viajando para shows e ações promocionais, o cantor procurava atender e falar com todo mundo que estava nas redondezas.

>> Nos anos finais de sua carreira, Elvis Presley teria a sua imagem intimamente ligada à cidade de Las Vegas, onde fazia apresentações constantes nos auditórios de seus cassinos e hotéis de luxo. Contudo, a sua primeira experiência no local remonta a abril de 1956, logo no início da trajetória como astro pop nacional. Tom Parker acertou uma temporada de duas semanas em um hotel, ao lado da orquestra de Freddie Martin e do comediante Shecky Greene. Contudo, a ação do empresário tornou-se um erro e algo extremamente precipitado. Elvis poderia ter um grande público jovem, mas os adultos gastadores de Vegas não se mostraram muito interessados naquela jovem promessa musical. Ao invés de gritos histéricos e muita gente cantando, o tal “cantor atômico” promovido pelo Coronel apenas recebia em troca aplausos “educados” ao final de cada canção.

A patética performance com um basset>> Logo após a má experiência em Las Vegas, Parker escalou-o para se apresentar em um outro importante programa de TV da época. O comediante e apresentador Milton Berle era um ícone televisivo dos anos 1950. Sua mãe Gladys era uma grande fã de Berle, que tinha seu show transmitido em rede nacional (pela NBC) da cidade californiana de San Diego. Sua primeira experiência com Berle foi um tanto confusa. Nos bastidores, ele e sua banda foram esnobados por Buddy Rich, icônico baterista de jazz, que considerava o rock’n’roll uma grande porcaria sem futuro e ficava escandalizado como aquele “bando de músicos caipiras” podiam tocar sem ler partituras. O cantor ainda foi obrigado a atuar em um quadro humorístico interpretando um fictício irmão de Milton, chamado Melvin. Na parte musical, apresentou uma versão ao vivo de “Blue SUede Shoes”.

>> No começo de junho Elvis foi chamado para uma nova participação no Milton Berle show. Sem a presença do chato Rich pelos camarins, o cantor pode ficar mais solto, mesmo nçao gostando muito de cantar ao vivo o single da vez, “I Want You, I Need You, I Love You”. Um pouco mais famoso, ele ganhou o direito de apresentar uma segunda canção. Não teve dúvidas sobre fazer uma escolha baseada no humor. Pinçou “Hound Dog” do repertório tocado por Freddie Bell durante a sua temporada em Las Vegas. A canção foi gravada originalmente pela blueswoman Willie Mae “Big Mama” Thornton mas a interpretação cômica de Bell era o que não lhe saía da cabeça. Na hora de tocar a música na TV, dispensou o violão para se dedicar a uma performance com muitos rebolados e passos semelhantes ao de um stripper. Elvis achava que, desta forma, estava apenas contribuindo para o tom de humor do programa.

Com a pélvis censurada por Ed Sullivan>> Mal sabia que seu momento jocoso no show de Berle contribuiria ainda mais para a ascensão de seu nome. No dia seguinte, manchetes em jornais de todo o país davam destaque a seu nome, fazendo com que finalmente ficasse conhecido não apenas pelo público mais jovem. Em contrapartida, a maioria dos comentários descia a lenha no cantor. Uma publicação de Nova York diziam que a apresentação havia sido “bastante vulgar e animalesca” e que “tudo aquilo “deveria fica restrito a bordeis e cais de portos, ao invés de serem exibidas na televisão”. Já um colunista do respeitado New York Times resolveu fazer do artista o seu alvo. Letras ininteligíveis, voz inadequada e movimentos primitivos eram elementos que estavam fazendo o ser humano “retroceder à Idade da Pedra”. Estes e muitos comentários fizeram com que aquela cultura vinda do Sul dos Estados Unidos não fosse mais tratada de forma tão indiferente (e indulgente) pelos grandes centros do país. O novo formato musical, já devidamente batizado de rock’n’roll (duas gírias bastante usadas pelos negros daquela região como referências sexuais), havia acabado de se tornar o grande inimigo da tradição, moral e bons costumes das famílias de um país assolado pela liderança conservadora no Senado de um político chamado Joseph McCarthy.

>>Toda esta reação contrária ao rock’n’roll também rendeu ao cantor um apelido do qual ele nunca mais iria se desvencilhar: Elvis The Pelvis. “Esta expressão é a coisa mais infantil que eu poderia esperar que viesse de um adulto”, comentou o astro na época. Nas suas declarações, ele ainda procurava, com humor mas sem sucesso, orientar os adultos a respeito de sua performance nos palcos. “Eu não tento ser sexy. Só me mexo junto com a música. Só balanço as pernas. Nada tem a ver com outra parte do meu corpo. Também não entendo como um tipo de música possa ter má influência nas pessoas nem fazer com que alguém se rebele contra seus pais. Mas acho que da próxima vez vou ter de colocar um medidor de rebolado no meu show”.

Debra Paget, sua paixão frustrada>> As polêmicas em torno da dobradinha Elvis e TV não pararam por aí. Depois de Berle, a agenda do cantor trazia outra participação na telinha da emissora NBC, só que com produção em Nova York. Steve Allen, reconhecido pianista e compositor de jazz, era um cara que também desprezava profundamente a nova onda do rock’n’roll. Entretanto, por questões profissionais, recebia artistas do gênero em seu show. Havia feito isso apresentando pela primeira vez na televisão o tresloucado Jerry Lee Lewis e não viu problemas em chamar Elvis e pagá-lo a quantia de 7,5 mil dólares ela participação. E ainda tentou tirar uma casquinha da polêmica com Berle, criando uma historinha falsa da quase suspensão de última hora, salva por uma proposta “genial”: apresentar um “novo” Elvis Presley à sociedade americana. Então, colocou o astro vestindo um fraque e cantando de frente a um cão basset que parecia estar sedado. Claro que o cantor não gostou nada da “provocação” e saiu disparando farpas contra Allen por horas e horas depois ao sair dos estúdios. Para ele, a experiência havia sido constrangedora. Só que o tiro do apresentador saíra pela culatra. A potência de Elvis não foi neutralizada como ainda todo o país, que havia ficado sintonizado no programa, adorou a performance de Elvis e passou a querer comprar o disco com a música. Só que “Hound Dog” nunca havia sido gravada por ele e só era cantada em shows. Às pressas, a RCA teve de encomendar a gravação para lançá-la no mercado fonográfico. O compacto com “Hound Dog” (com “Don’t Be Cruel” como lado B) ficou onze semanas consecutivas na primeira posição da parada nacional, atingindo a marca de dez milhões de cópias vendidas. É o single mais vendido em toda a carreira do artista

No exército, com outros pracinhas>> Ed Sullivan não quis ficar para trás dos concorrentes e logo acertou três idas de Elvis a seu show na CBS, o de maior audiência em todos os EUA. Por estas aparições, Sullivan pagou 50 mil dólares ao Coronel. Na primeira vez, em 9 de setembro, o apresentador estava ausente, pois se recuperava de um acidente de carro que sofrera dias antes. O substituto, o ator inglês Charles Laughton, apresentou o artista e sua banda de forma extremamente pedante. Além de “Hound Dog” e “Don’t Be Cruel”, o repertório contou ainda com “Ready Teddy” e a primeira execução na TV de “Love Me Tender”, balada gravada para o filme homônimo que iria estrear em breve e abriria caminho para a carreira de Elvis também em Hollywood. Na segunda ida, agora com Sullivan de volta, “Ready Teddy” foi a única a ficar de fora – cedeu seu lugar a “Love Me”.

>> Com o sucesso de Elvis em seus primeiros programas de TV, nada mais natural que seu carisma se estendesse às grandes telas. Algo que Tom Parker já sabia, pois Elvis havia lhe confidenciado a vontade de também ser ator. Hal Willis, produtor da Paramount, foi quem primeiro percebeu isso, contratando-o para futuros projetos, ainda em abril de 1956. Curiosamente, o estúdio ainda não tinha um projeto ideal para encaixar o seu novo contratado, que acabou “emprestado” para a rival Fox. Lá rodou o western Ama-me Com Ternura (Love Me Tender, no título original), que estreou em 15 de novembro do mesmo ano. Fofocas de bastidores dizem que o jovem de 21 anos apaixonou-se pela atriz Debra Paget, com quem protagonizava várias cenas. Só que sua irmã na história ignorou por completo a faísca de Elvis, já que na época seu namorado era ninguém menos do que o magnata Howard Hughes.

Vista frontal da mansão Graceland>> Depois de um ano extremamente puxado, Elvis aproveitou o mês de dezembro para voltar a Memphis e descansar. Ao dar uma passadinha na Sun, encontrou o amigo Carl Perkins gravando, acompanhado por Jerry Lee Lewis. Então eles começaram a gravar algumas músicas de improviso canções tradicionais do country, gospel e spiritual. Logo, outra estrela do selo, Johnny Cash, se juntaria à trinca. Todo este impromptu desembocou no projeto The Milion Dollar Quartet, que acabou engavetado por questões contratuais referentes a Elvis. O tal quarteto de um milhão de dólares só pôde ser conhecido oficialmente pelo público em 1981, quando dezessete faixas foram reunidas e lançadas oficialmente no mercado europeu pelo novo dono da Sun, Shelby SIngleton, depois de anos de pesquisa em cima de mais de dez mil horas de fitas arquivadas. Segundo o dinamarquês Ernst Jorgensen, biógrafo de Elvis e consultor do material do artista para a gravadora BMG (que hoje detém os direitos da RCA), foram gravadas um total de 47 canções pelo grupo. A maior parte delas possui arranjos e interpretações intercaladas. Algumas chegam a ser interrompidas por conversas espontâneas entre os quatro no estúdio.

>> Apesar do exercício de improviso artístico ao lado dos velhos amigos da Sun, o ano de muito dinheiro e badalação em torno de sua figura havia começado a mudar a personalidade de Elvis Aaron Presley. Tudo ao seu redor começava a ficar mais estranho, fechado e inacessível a quem conhecera aquele jovem sonhador das ruas de Memphis. Elvis começava a agir somente de acordo com seus interesses e, sobretudo, sob as ordens e supervisão de seu empresário. Às vésperas de completar 22 anos, ele já contava com um séquito de assessores, guarda-costas e puxa-sacos.

Já com os cabelos pretos no cinema>> No início de 1957 Elvis voltou ao programa de Ed Sullivan para cumprir a derradeira de suas aparições previamente acertadas. O apresentador, que já não era lá muito fã de rock’n’roll, resolveu ceder aos combatentes do gênero e censurou qualquer tomada de câmera que mostrasse o cantor da cintura para baixo. Mesmo sem ter como mostrar o molejo de sua pélvis, o astro deitou e rolou no programa. Cantou sete músicas ao todo, sendo a última uma tocante interpretação do hino gospel “(There Will Be) Peace In The Valley”. Assim, mostrava ao país inteiro uma faceta sua ainda desconhecida do grande público e antecipava algumas mudanças que estariam por vir em sua carreira.

>> Como o dinheiro não parava de entrar, para não ter mais de ouvir os vizinhos reclamando das arruaças em frente à casa em que morava em Memphis com os pais, Presley adquiriu uma outra propriedade em março de 1957, pelo valor de cem mil dólares. O local, distante do centro urbano de Memphis, era uma suntuosa propriedade batizada Graceland.Esta foi a casa onde o artista moraria até a sua morte. Depois disso, Graceland virou uma espécie de museu da imagem do ídolo, transformando-se em santuário para milhões de fãs de Elvis espalhados pelos quatro cantos do planeta. Estes viajam de onde moram para conhecer o local onde o ídolo vivia e como, supostamente, era a sua vida nos dias em que ele estava distante do trabalho.

Com Sinatra e retornando à vida civil>> Ao mesmo tempo em que Graceland significava um grande status para o jovem Elvis, a mansão também começou a dar pequenos indícios de sua derrocada. A primeira a ser atingida diretamente foi sua mãe. Pouco depois de se mudar para lá, Gladys caiu em depressão e tornou-se bastante infeliz. Sentia-se completamente isolada dos amigos das comunidades mais pobres de Memphis. Reclamava sempre da grande ausência do filho, cada vez mais distante do lar por conta de compromissos profissionais, e da má interpretação da imprensa com relação ao seu trabalho. Enquanto a saúde da mãe só piorava, Elvis, já aos 22 anos, também começou a sentir a pressão dos infindáveis deveres vindos com o estrelato.

>> Durante boa parte do primeiro semestre de 1957 Elvis viveu enfurnado nos estúdios da Paramount, para rodar as cenas de seu segundo filme, o primeiro pela companhia que viabilizara seu desejo de se tronar astro do cinema. Para participar de A Mulher Que Eu Amo (Loving You), ele tomou um decisão que manteria para o resto de sua vida: abandonar o castanho claro natural e tingir os seus cabelos de preto. Tudo porque, como o longa era colorido, achava que fotografaria melhor nas telas. Vernon e Gladys participaram da sequencia final, fazendo uma pequena ponta em um auditório. Depois da morte da mãe, em 1958, em consequência do uso extremo de álcool e remédios, Presley nunca mais conseguir assistir ao filme.

O famoso terno de lamê dourado>> Em março de 1958, Elvis estreou ao vivo, na frente de doze mil pessoas na cidade de Chicago,um polêmico terno de lamê inteiramente dourado e que havia lhe custado 2,5 mil dólares. É com esta roupa que ele posou para as fotos que iriam compor a capa da coletânea 50,000,00 Elvis Fans Can’t Be Wrong, lançada no ano seguinte.

>> A partir de maio, Elvis estava comprometido com mais um longa-metragem, desta vez bancado pela MGM – já que a Paramount ainda preparava a chegada de A Mulher Que Eu Amo aos cinemas. Em O Prisioneiro do Rock (Jailhouse Rock), ele interpretava um cara que sai da prisão e começa a ganhar o mundo graças aos seus dotes musicais. O principal destaque da trilha sonora gravada por ele foi a faixa-título, assinada pela dupla de hitmakers Leiber e Stoller. Para aceitar a oferta de estrelar a história além de cantar a trilha sonora, Coronel Tom Parker impôs uma condição financeira: o recebimento de 250 mil dólares e mais 50% da dos ganhos de distribuição do filme. Logo após o lançamento em outubro, Jailhouse Rock fez tanto sucesso nas bilheterias dos EUA e do Canadá que, naquele final de ano, o nome de Elvis Presley passou a ser considerado o quarto mais rentável entre os artistas de Hollywood.

>> O sucesso arrasador nos cinemas – com três sucessos iniciais entre 1956 e 1957 – foi determinante para uma grande guinada na carreira fonográfica de Elvis. Após ter lançado dois álbuns em seu ano inicial pela RCA, ele se viu sem tempo para construir um disco de carreira na temporada seguinte. A solução foi improvisar um disco de canções natalinas para tentar rentabilizar um pouco mais nos meses finais de 1957.

Com Ann Margret em Viva Las Vegas>> No fim de 1957, o rock’n’roll já era uma novidade consolidada na música popular americana. Elvis Presley havia se tornado O Rei do Rock, extrapolando as vendas de seus discos. De quebra, ainda construía uma sólida carreira de ator. Até que chegou um comunicado inesperado: uma carta de convocação para que o jovem se apresentasse ao exército americano. Enquanto as pessoas próximas a Elvis entravam em pânico, o sempre astuto Coronel aproveitou a ocasião para capitalizar ainda mais em torno de seu comandado e ainda projetar uma estratégia de marketing para 1958. Primeiro, pediu adiantamentos para que Elvis pudesse terminar de cumprir seus compromissos já firmados. Então, nos intervalos das filmagens de seu quarto longa Balada Sangrenta (King Creole, de novo pela Paramount), isolou-o dentro de estúdios de gravação de áudio. O objetivo era gravar a trilha do filme e ainda estocar o máximo possível de canções para abastecer o mercado enquanto Presley estivesse longe dos holofotes durante o serviço militar. Para Parker, o fato do seu protegido passar a usar farda e obedecer aos seus deveres de cidadão como qualquer outro seria algo bastante positivo. Então, não seria mais visto como uma ameaça à sociedade e sim um artista mais sério e respeitado pelos setores mais tradicionalistas da sociedade branca norte-americana que ainda não enxergavam o seu valor.

A Máfia de Memphis dos anos 1970>> Para muita gente, a chama rock’n’roll de Elvis apagou-se em 24 de abril de 1958. Foi o dia em que ele se encaminhou para fazer os testes físicos no Serviço de Alistamento Militar de Memphis e, ao ser considerado apto para o exército dos EUA, recebeu o número 53 310 761 e cortou o cabelo no tradicional estilo reco. Em setembro, com a imprensa registrando tudo, embarcou de navio rumo a bases militares do país na Alemanha. O agora pracinha fora enviado à cidade de Friedberg, para, junto com outros soldados, servir ao país na Terceira Divisão Armada. Não havia para ele qualquer privilégio de popstar por lá. Presley acordava às cinco da manhã para encarar uma dura rotina diária de tiros, manobras e outros exercícios físicos e militares. Enquanto isso, do outro lado do oceano, Tom Parker começava a tentar manter o poder da marca do cantor, lançando coletâneas de hits das paradas ou gravações somente lançadas em singles e EPs e fornecendo à imprensa o máximo de fotos de seu protegido em terras germânicas, já que os jornalistas tinham raríssimas possibilidades de ter acesso a ele.

>> O tempo em que viveu na Alemanha marcou o início de uma perigosa relação. Enquanto cruzava os Estados Unidos na condição de popstar, ele conseguia manter-se firme na distância das anfetaminas, que já eram consumidas em larga escala no circuito country estabelecido no sul do país. Só que um sargento conseguiu quebrar a resistência e introduziu Elvis Presley às drogas, sob o argumento de que, com elas, poderia manter-se acordado e alerta durante as frias madrugadas em que estivesse escalado para o plantão. Manter o controle do peso seria um outro benefício destas pílulas. Elvis, então, entusiasmou-se com a “descoberta” e, ao retornar para o seu país no ano seguinte, não abandonou o hábito recém-adquirido.

>> Além do vício nas anfetaminas, Elvis também trouxe de seu período vivido na Alemanha a base para a chamada “Máfia de Memphis”, que se tratava de um punhado de amigos próximos que formavam um círculo fechado em torno de Elvis, impossibilitando o acesso de “forasteiros” ao Rei do Rock. Charlie Hodge (também cantor e guitarrista) e Joe Esposito eram pracinhas como Presley e foram alguns dos “fundadores” do grupo.

O astro, a mulher Priscilla e a recém-nascida filha Lisa Marie Presley>> Também durante o serviço militar do outro lado do Oceano Atlântico Elvis conheceu várias garotas com quem os relacionamentos não eram lá muito sérios. Mas tudo mudou em setembro de 1959 quando conheceu a enteada de um oficial da Força Aérea. Priscilla Ann Beaulieu tinha apenas 14 anos e não era lá muito fã do cantor, mas engatou um relacionamento sólido com ele, mas sempre sob a supervisão dos pais. Quando Presley deixou a Alemanha para voltar aos EUA, em 2 de março de 1960, Priscilla foi filmada dando adeus ao namorado. Até que, dois anos depois, o romance foi retomado a pedido de Elvis, que trouxe a jovem, então com 16 anos, para viver com ele em Graceland. O casamento dos dois foi realizado no primeiro dia de maio de 1967. Logo depois nasceu a única filha do casal, Lisa Marie Presley. A união durou até 1973, quando o divórcio tornou-se inevitável graças a várias escapadelas do marido e ao controla cada vez mais extremo da Máfia de Memphis em sua vida. Semanas depois de consumada a separação, o cantor regravou “Always On Mind” como um pedido de desculpas por seus erros em relação a “Cilla”. Ela, por sua vez, permaneceu amiga de Elvis por causa de sua filha e até contou em sua autobiografia detalhes da relação. Em 1986, Priscilla começou a namorar um brasileiro, Marco Garcia, com quem teve um filho no ano seguinte. Marco é um dos irmãos de Tony Garcia, um polêmico empresário origem paulista e radicado há quase três décadas em Curitiba (por onde concorreu a alguns cargos políticos, sem conseguir ser eleito, no entretanto).

Como um pracinha também no cinema>> Em 5 de março de 1960, Elvis deu adeus à vida de militar e voltou a ser um civil. Logo, estava de volta aos estúdios para preparar um novo single. “Stuck On You” e o lado B “Fame And Fortune” foram gravadas no dia 20 e o disquinho já chegava às lojas no dia 23. Contudo, milhões de cópias já haviam sido vendidas antecipadamente para um séquito de fãs que esperava ansiosamente pelo retorno de seu Rei. Para promover o lançamento, o cantor fez uma aparição no programa Timex Special, comandado pelo mesmo Frank Sinatra que anos antes, durante o estouro inicial do rock’n’roll chamara os fãs do gênero de delinquentes e cretinos. Mesmo assim, para alavancar a audiência, Sinatra aceitou receber Presley , que embolsou 125 mil dólares pela participação. O programa, que recebeu o título de “Welcome Home Elvis”, foi gravado em um hotel em Miami. Vestindo smoking, Elvis cantou as duas faixas do novo single e ainda protagonizou um dueto com o anfitrião em um medley orquestrado com as canções “Love Me Tender” e “Witchcraft”.

>> Uma semana depois de gravar o programa de TV com Frank Sinatra, Elvis estava de volta aos estúdios, desta vez para gravar uma balada que pouco tinha a ver com suas origens musicais. “It’s Now Or Never” nada mais era do que uma versão em inglês para a tradicional canção napolitana “O Sole Mio”. Quando voltou da Alemanha, ele já tinha 25 anos de idade e estava consolidado como ídolo de adolescentes histéricas. Tom Parker, então, decidiu transformá-lo em uma figura a ser consumida também pelos membros mais velhos da família. O Rei do Rock não era mais “do rock”: tornava-se, em um caminho sem volta, ícone da indústria do entretenimento. Com “It’s Now Or Never”, um papel em um filme que remetia às Forças Armadas dos EUA (Saudades de um Pracinha ou G.I. Blues, no título original) e o lançamento de um álbum composto apenas por músicas gospel (His Hands In Mine). “It´s Now Or Never” entrou para a História como o segundo single mais vendido pelo artista, atingindo a marca de nove milhões de cópias.

Cena de Garotas e Mais Garotas>> Em 1961, Elvis fez apenas duas apresentações ao vivo, ambas de caráter beneficente. Estas foram as duas aparições públicas na música até o retorno aos palcos em Las Vegas, oito ano depois. Já no cinema, continuou a marca de duas estreias por temporada, lançando no verão Coração Rebelde (Wild In The Country) e no fim do ano Feitiço Havaiano (Blue Hawaii, que já pegava carona na onda dos filmes sobre praia, surfe e galãs com belos corpos). A prioridade da carreira eram, definitivamente, os filmes e suas trilhas sonoras. Para isso, alugou uma casa em Bel Air para morar enquanto estava em ação em Hollywood. Quando não tinha compromissos de trabalho, voltava a Memphis. Mas em ambos os casos estava cercado apenas pela sua roda de amigos, que faziam as vezes de secretários particulares em troca de pequenos benefícios, mimos e presentes valiosos. Na verdade, a Máfia de Memphis supria a carência sentida pelo ídolo desde a morte da mãe

Com a roupa certa na praia de Acapulco>> Nos anos iniciais desteretiro” artístico dos anos 1960, Elvis mantinha Priscilla “escondida” em Graceland, para que a imprensa não descobrisse a sua relação com uma garota ainda menor de idade. Por sua vez, ela se resignou a manter a discrição e se adaptar à nova realidade na cidade de Memphis. Enquanto isso, uma enxurrada de longas-metragens com a atuação e as canções de Elvis varria as telas dos cinemas. Foram lançados ao todo 23 títulos entre 1962 e 1969: Em Cada Sonho Um Amor (Follow That Dream, 1962); Talhado Para Ser Campeão (Kid Galahad, 1962); Garotas e Mais Garotas (Girls!, Girls! Girls!, 1962); Loiras, Morenas e Ruivas (It Happened At The World’s Fair, 1963); Seresteiro de Acapulco (Fun In Acapulco, 1963); Com Caipira Não se Brinca (Kissin’ Cousins, 1964); Amor à Toda Velocidade (Viva Las Vegas, 1964); Carrossel de Emoções (Roustabout, 1964); Louco Por Garotas (Girl Happy, 1965); Cavaleiro Romântico (Tickle Me, 1965); Feriado no Harém (Harum Scarum, 1965); Entre a Loira e a Ruiva (Frankie And Johnny, 1966); No Paraíso do Havaí (Paradise, Hawaiian Style, 1966); Minhas Três Noivas (Spinout, 1966); Meu Tesouro é Você (Easy Come, Easy Go, 1967); Canções e Confusões (Double Trouble, 1967); O Barco do Amor (Clambake, 1967) ; Joe é Muito Vivo (Stay Away,Joe, 1968); O Bacana do Volante (Speedway, 1968); Viva Um Pouquinho, Ame Um Pouquinho (Love a Little, Live a Little, 1968); Charro! (1969); Lindas Encrencas: As Garotas (The Trouble WIth Girls, 1969) ; e Ele e as Três Noviças (Change Of Habit, 1969).

>> Nos momentos de reclusão em casa, Elvis não descansava muito. Ao lado de sua “Máfia” passou a dar altas e lendárias festas nas suas duas residências. Tranquilizantes e estimulantes eram ingredientes fartos nestes eventos. . Sexo casual com starlets à disposição também não faltavam. Para Elvis, era normal ter casos passageiros com algumas coestrelas de seus filmes. Um de seus affairs mais famosos foi Ann-Margret, com quem contracenou em Amor à Toda Velocidade. As revistas de fofoca viviam noticiando as escapadelas do casal, que eram muito mais do que um mero golpe de publicidade para o filme. Nascida na Suécia, a atriz era uma bombshell platinada conhecida como “Elvis de saias”.

O tédio explodiu no set de Clambake>> Aos 30 anos de idade, Elvis era um milionário entediado. Tinha dinheiro e poder nas mãos, mas sua vida estava completamente sem rumo e objetivos. Um pouco de sua grande influência entre os jovens já havia sido perdida para os Beatles, os Beach Boys, o folk de Bob Dylan e o psicodelismo da turma de San Francisco. Em agosto de 1965, promoveu um encontro com os Fab Four em Graceland. Enquanto John, Paul, George e Ringo se sentiam deslumbrados diante da realeza do rock, o anfitrião não se impressionou muito com aqueles rapazes esquisitos e de cabelos compridos. Também já havia flertado com a contracultura e experimentado LSD mas também viu que sua onda era outra. Só se sentia motivado pelos cada vez mais crescentes questionamentos espirituais e ensinamentos religiosos e filosóficos vindos do Oriente. Foi seu cabelereiro Larry Geller quem lhe apresentou estas novidades. Enquanto sentia os primeiros sinais da estagnação de sua carreira, passou a ler o que lhe recomendava pelo seu novo “guru”, um rapaz sensível e antimaterialista, bem diferente do séquito “mafioso” que o acompanhava. A Vida Impessoal, de Joseph Benner, passou a ser seu livro de cabeceira. Entretanto, Geller era sempre ridicularizado pelos outros amigos do astro e não tardou a ser afastado dele depois de muita grosseria e violentos xingamentos do Coronel Tom Parker.

>> Durante as filmagens de O Barco do Amor, no início de 1967, Elvis ficou de saco cheio de tudo. Não compareceu ao set de filmagens, muito menos deu satisfações sobre a ausência. Na sequência, desculpou-se, dizendo que tinha sofrido queimaduras de tanto cavalgar – ele havia descoberto sua paixão por cavalos e, na impossibilidade de mantê-los em Graceland, comprou para eles um rancho também na região de Memphis. Ressabiado, o Coronel exigiu um atestado médico. Então Elvis conheceu o médico George Nichopoulos, a quem espantou pelo grande interesse por automedicação e o conhecimento de drogas legais. Um sentiu que poderia confiar no outro e, aos poucos, Dr Nick acabou se tornando um amigo íntimo de Elvis. Nos anos 1970, seria uma pessoa de suma importância na vida do cantor.

Especial para a NBC significou o retorno com todo o gás à carreira musical>> Após a oficialização do casamento, Priscilla bem que tentou muda a vida do marido e trazê-lo “de volta à realidade”. Persuadiu Elvis a queimas os livros indicados por Geller e vender o rancho comprado para os cavalos, já que os custos eram altos e a vida de caubói não lhe apetecia muito mais. O próximo passo, um pouco mais difícil, seria a tentativa de neutralização da influência da Máfia de Memphis e o consequente afastamento destes amigos que só queriam saber de mulheres, farras e presentes caros. Enquanto isso, fazia o marido viver os primeiros passos da paternidade e desfrutar momentos idílicos a dois. Depois de passar alguns dias de férias no Havaí, Elvis voltou a Graceland magro, bronzeado e com um entusiasmo jamais visto nos meses anteriores. Queria retomar a carreira musical e as apresentações ao vivo. Para isso, sabia que deveria dar um grande passo e se empenhou para que a sua volta à televisão significasse o ponto exato de uma grande reviravolta pessoal e profissional.

>> Elvis passou quase todos os dias duas últimas semanas de junho de 1968 nos estúdios e camarins da NBC, para ensaiar e gravar as várias partes do especial que seria levado ao ar no fim do ano. Com muitas interferências do Coronel, os produtores e diretores da emissora criaram um confuso roteiro que incluía dois formatos distintos de apresentações ao vivo mais número gravados em playback e explorando o lado ator que já não ia bem de bilheteria nos cinemas. No melhor dos formatos live, Elvis se reuniu com Monroe e Fontana e mais dois músicos de apoio para um set unplugged. Fontana batucava em violões e cases e somente Elvis empunhava uma guitarra (ainda que semiacústica). Dispostos em um círculo, os músicos fizeram tudo de maneira bem informal, conversando e fazendo piadas entre si. Quem ganhou foi o público, sentado ao redor de uma espécie de ringue de boxe sem as cordas. No repertório, vários resgates do comecinho de carreira do astro. O segundo formato live contou com Elvis sozinho cantando em uma arena, com uma orquestra fornecendo as bases por trás da plateia e invisível no vídeo. Já os números em playback traziam dançarinos preenchendo as telas com suas coreografias e um tom dramatúrgico um tanto duvidoso, graças a historinhas canhestras e a interpretação sem muito brilho de Presley.

Temporadas para a plateia rica de Las Vegas trouxeram-no de volta aos palcos>> O especial foi exibido pela NBC na noite de 3 de dezembro, como parte de sua programação para o Natal. Os três formatos se revezavam no decorrer do programa e os cortes entre eles acabaram atrapalhando a fluência do produto como um todo. Mesmo apresentando um quebra-cabeça meio complicado de ser digerido com naturalidade, o programa foi recebido com uma grande audiência e aprovado pelos fãs. Eles se surpreenderam com boas novidades, como um Elvis vestindo couro preto dos pés à cabeça e alguns arranjos de rock’n’roll adaptados para o groove da soul music. Entretanto, na hora do rebolado, ficou claro que a idade já começava a pesar e a pélvis, outrora polêmica e fascinante, já dava sinais de enferrujamento e não obedecia tanto assim aos movimentos de outras partes do corpo.

>> E mais uma vez a TV havia sido uma grande aliada para impulsionar a carreira do astro. Depois do especial para a NBC, estava claro que sua intenção era abandonar a carreira de ator (o que realmente fizera em 1969 depois de cumprir as últimas obrigações contratuais com Hollywood) e resgatar a magia musical nos palcos, diante de um público que havia sido ignorado por completo por dez anos. Mas Coronel Parker achava melhor ter um local fixo para as apresentações antes de Presley voltar a percorrer o país. E, de novo, sua interferência na carreira do pupilo resultou em polêmica. Como o dinheiro corria fácil em Las Vegas, seria algo garantido se uma série de shows fosse acertada por lá. Fez um acordo com um milionário hotel que estava prestes a ser inaugurado na cidade. Os fãs, por sua vez, argumentavam que, recomeçando por Las Vegas, Elvis estaria distante de suas raízes culturais na interiorana Memphis. Claro que a corda pendeu para o lado mais poderoso do negócio.

>> Para o seu retorno aos palcos, Elvis descartou o som rústico e básico que ele apresentava no começo da carreira. Queria arranjos grandiosos, com orquestra e várias vozes o acompanhando. Entretanto, quis fugir do conceito das big bandstradicionais, já apresentados por grandes crooners de Vegas como Sammy Damis Jr e Frank Sinatra. Para diferenciá-lo queria muito groove, muito balanço. E ainda ficou com a responsabilidade de escolher a dedo os músicos que iriam formar a sua banda de apoio. Entre os integrantes de sua “comitiva musical” estavam o amigo da Máfia de Memphis Charlie Hodge, o maestro Bob Morris e dois conjuntos vocais para compor as melodias dos backings. Este, portanto, seria o desenho sonoro que o acompanharia até a sua morte.

Com o figurino de super-herói bizarro>> A estreia no International Hotel de Las Vegas estava marcada para 31 de agosto de 1969. Apesar de sua insegurança natural momentos antes do show, Elvis sabia que iria entregar à plateia exatamente o que ela esperava dele: arranjos grandiosos, um vozeirão de arrepiar, alguns hits colecionados ao longo da carreira. Mas visualmente entrou no palco surpreendendo. Os cabelos estavam bem maiores e as estilosas costeletas foram trocadas por dois tufos enormes de suíças. A roupa também trazia novidades. O cantor não queria mais nada que limitasse seus movimentos. Por isso adotou um figurino baseado na cor branca mas que mais parecia um quimono transgênico de karaokê com diversos desenhos coloridos e detalhes brilhantes espalhados nas mangas, peito e abdômen (e uma imprescindível gola, sempre levantada junto ao pescoço). Estava marcada, assim, a persona com a qual a extensa maioria dos imitadores de Elvis se identificam até hoje e tentam reproduzir em suas performances por todo o mundo.

>> A primeira temporada em Las Vegas foi um sucesso, tanto de bilheteria quanto de crítica. A imprensa celebrava o retorno com tudo do Rei do Rock à carreira musical. A revista Rolling Stone, criada no auge da contracultura norte-americana, deu-lhe uma capa e chamou o espetáculo de “sobrenatural”. Para a segunda temporada, iniciada em janeiro de 1970, Elvis trocou de maestro: a presença de Joe Guercio tornou o som de sua banda ainda mais grandiloquente. No piano, outra novidade: Glen Hardin, também arranjador, que tocara nos Crickets criados por Buddy Holly. O público exigiu e uma terceira temporada, em agosto do mesmo ano, foi agendada. Durante os ensaios e alguns shows, Denis Sanders rodou o documentário Elvis É Assim (Elvis The Way It Is), que levou aos cinemas uma outra faceta do astro, que abandonara de vez a condição de galã

O encontro com Nixon na Casa Branca>> O dinheiro continuou entrando a rodo na conta do astro em 1970 e o astro nem queria saber de controle de gastos, apesar dos constantes apelos da esposa e do pai. Para o Natal, comprou uma peculiar lista de presentes para serem distribuídos aos amigos: dez automóveis Mercedes-Benz e mais de trinta armas de fogo. No dia 19 de dezembro, cedeu aos impulsos e protagonizou uma viagem sem que ninguém soubesse. Pegou o primeiro avião disponível e rumou para a capital norte-americana Washington DC, onde ficou em um hotel. De lá foi a Dallas, no Texas, e alugou uma limousine para ir a Los Angeles e se encontrar com um ex-integrante da Máfia de Memphis, Jerry Schilling, que agora morava e trabalhava na Costa Oeste dos EUA. Contou a ele que retornaria a DC, para encontrar-se com o presidente Richard Nixon por um motivo: queria receber uma carteira de agente federal de narcóticos. A questão é que ninguém, nem mesmo Nixon ou seus assessores, sabiam de toda esta viagem de Presley. Desde que ele tinha 21 anos de idade, o artista nunca mais havia saído por conta própria ou circulado pelo país sozinho ou sem guarda-costas ou mesmo a companhia de um pequeno séquito dos amigos-auxiliares. Em todo o trajeto mostrou que estava se divertindo com o feito. Enquanto interagia com milhares de fãs nos aeroportos, que não acreditavam no fato de estarem cara a cara com o ídolo, Priscilla e Vernon se mostravam angustiados em Graceland, sem qualquer notícia ou sinal do paradeiro de Elvis.

>> Depois de algumas negociações com assessores do presidente, Nixon recebeu Elvis no Salão Oval da Casa Branca em 21 de dezembro e lhe deu a tão cobiçada carteira de agente honorário contra a s drogas. Foi o que bastou para inflar o ego cada vez autoindulgente do cantor, que agora era capaz de armar, por sua própria conta, até mesmo um encontro com o homem mais poderoso da política de todo o planeta. Após receber este presentinho natalino de Nixon, ele passou a levar o distintivo para todos os lugares e sentiu-se com mais moral para seguir em sua postura de colecionador de armas de fogo. Ele mantinha esta mania desde os tempos de exército e, enquanto abria a todo mundo sua opinião de que todo cidadão norte-americano deveria se armar, ele passou a manter um grande arsenal em Graceland. Uma destas pistolas era carregada sempre com ele, escondida no cano da bota, até mesmo durante as suas apresentações. Segundo ele, isso seria a sua segurança caso houvesse alguma tentativa contra a sua integridade física.

Aloha From Hawaii foi transmitido via satélite para vários países>> Enquanto reencontrava-se com o sucesso nos palcos, nos bastidores a vida de Elvis Presley tomava novos rumos. Ou melhor: novos-velhos rumos. As loucuras de toda aquela curtição ao lado da Máfia de Memphis do início dos anos 1960 voltou com tudo. Afinal, em Las Vegas havia não só a distância da supervisão de seu pai e esposa, como também ali, naquele território onde o dinheiro sempre falou mais alto, ele encontrou uma situação propícia para mergulhar na libertinagem e nas substâncias ilícitas. A rotina passou a ser bastante noturna: as apresentações acabavam já de madrugada, Elvis ia para a cama ao raiar do dia e só acordava por volta das cinco da tarde. Para aguentar o tranco deste estilo de vida de exageros e nada compatível com o avançar da idade, anfetaminas, soníferos e antidepressivos passaram a ser usados não apenas constantemente, mas também em grandes quantidades. E o casamento com Priscilla dava seus últimos passos, em virtude da quebra de laços afetivos entre os dois. Segundo consta em várias biografias, Presley teria passado a ter repulsa por fazer sexo com mulheres que já haviam sido mães, sem contar isso à esposa. Ela, por sua vez, teve um caso com um professor de dança sem que o marido percebesse qualquer sinal e, quando se cansou de vez da situação com o cantor, fez as malas, mandou-se de Graceland com Lisa Marie e agilizou a papelada do divórcio.

>> Depois das três temporadas arrasadoras para um público elitizado em Las Vegas, Coronel Tom Parker voltou a agendar uma turnê por todo o país, dando a chance da população americana vê-lo em várias cidades, sempre em locais maiores e entradas com preços mais acessíveis. Como assistir a uma apresentação do artista ganhou o status de “experiência”, Guercio introduziu uma novidade na abertura: Elvis entrava no palco ao som da solene “Also Sprach Zarathustra”, peça mais conhecida por sua execução no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick. Enquanto a plateia lutava para não perder a respiração, caminhava até a frente do palco uma espécie de “super-herói da música popular americana”, vestindo um uniforme (um tanto quanto bizarro, aliás), com direito a capa, poses e vários lenços que pouco ficavam enrolados em seu pescoço e eram arremessados a quem estava na região do gargarejo. Os shows de Elvis Presley ganhavam a magnitude de rituais religiosos e o astro, mesmo depois de tanto tempo afastado do rock, reivindicava o seu quinhão na época do grandes shows de arena da época.

Com o polêmico médico e amigo Dr Nick>> A volta grandiosa aos palcos americanos foi o segundo passo do renascimento musical de Elvis. Mas, no começo dos anos 1970, ele já era um astro de apelo planetário. Europa e Japão insistiam para ver o ídolo de parto. Só que apesar de Elvis ter dito que seria ótimo excursionar pelo mundo, ele era bastante acomodado e sabia que viajar pelo globo terrestre daria muito trabalho. Sobretudo para driblar os funcionários das alfândegas e seguranças dos aeroportos de vários países e andar sossegadamente com suas armas, drogas e medicações. Por sua vez, Tom Parker também tinha seus motivos para não agendar algo fora do país. Ele fugira de sua Holanda natal após envolver-se em um misterioso caso de assassinato e, mesmo “escondido nos EUA e tendo construído uma carreira de sucesso profissional e nas finanças com outra identidade (seu nome original, registrado após o nascimento em 1909, era Andreas Cornelis Van Kuijk), ele era uma imigrante estrangeiro ilegal e sem passaporte oficial.

>> Para solucionar o impasse, o Coronel veio com uma solução, até então inédita no showbiz: Elvis teria um show nos EUA transmitido via satélite para o mundo inteiro, em uma operação que significava uma nova parceria com a rede de TV NBC. Elvis, disposto a afogar as mágoas deixadas pela partida de Priscilla, até emagreceu um pouco mais para mergulhar de cabeça no projeto. Aloha From Hawaii foi gravado ao vivo em dois shows realizados em janeiro de 1973. Primeiro este registro foi exibido pela televisão em fevereiro, para vários países da Europa, Oceania e Ásia. Os EUA só tiveram a sua chance em abril de 1973, mas o resultado foi espetacular: a audiência superou a da chegada do homem à lua, quatro anos antes. A estimativa do público atingido ao redor de todo planeta é de 1 bilhão de espectadores.

O disco só com o falatório dos shows>> Por questões contratuais, Aloha From Hawaii quase não pôde ser visto na TV brasileira. O contrato exigia que a transmissão fosse em cores e este sistema só passou a ser adotado em nosso país no ano posterior. Entretanto, a TV Globo contornou a situação e acabou exibindo o filme/show em uma madrugada de 1973. Logo depois, as mesmas imagens foram parar na programação de cinemas de algumas capitais.

>> Apesar da presença dos grandes sucessos da carreira no repertório de Aloha From Hawaii, uma música em particular chamou a atenção. Por sugestão de Paul Anka, o autor da versão em inglês da letra original em francês (cantada e composta por Claude François), Elvis Presley incluiu “My Way” no set list. A canção já era sucesso na voz de Frank Sinatra desde que “The Voice” a lançara no comecinho de 1969. Quatro anos depois, na voz grave de Elvis, os reflexivos versos dedicados à revisão de uma vida inteira do protagonista da canção, ganhou novo impulso e se tornou um ícone dos anos que antecederam a morte do Rei do Rock.

>> Quando gravou Aloha From Hawaii, Elvis já tinha uma nova namorada fixa. Ex-Miss Tennessee e irmã de um dos guarda-costas do astro, Linda Thompson era uma aspirante a atriz quando o relacionamento começou. Por ser uma garota da mesma região que Presley, tinha mais afinidades com ele do que Priscilla, inclusive a paixão pela música gospel.  Só que, mais uma vez, a infidelidade e compulsão pelas drogas faziam dele alguém cada vez mais difícil de se aguentar. A duração de quatro anos do namoro (de julho de 1972 a novembro de 1976) foi até algo duradouro, já que nos últimos meses, Elvis estava longe de ser o mesmo Elvis que havia encantado o mundo até então.

Em uma de suas últimas apresentações, já com a saúde bastante deteriorada>> Meses depois de realizar o sonho de gravar nos estúdios da lendária Stax (a gravadora que na última década havia dividido com a Motown o status de sinônimo de soul music de excelente qualidade) e alguns dias após concluir o divórcio de Priscilla, Elvis tomou um grande susto. Em outubro de 1973 teve uma séria intoxicação causada por um coquetel de drogas (cortisona, demerol, esteróides, novocaína) e foi levado às pressas à UTI do Hospital Batista de Memphis. Chegou a ficar brevemente em estado de coma. Dr Nichopoulos, que não havia sido quem lhe receitara as drogas quase fatídicas, tentou fazer com que seu amigo fosse tratado como um dependente químico, mas não obteve sucesso. Para o hospital, Elvis era vip e foi liberado com incrível rapidez para “descansar em casa”. O que, obviamente, acabou não acontecendo...

>> Não eram apenas a saúde e a conta bancária (então quase sempre no vermelho por causa de gastos incontroláveis) que se deterioravam. A relação de duas décadas com Tom Parker também já dava altos sinais de desgaste. Os dois viviam às rusgas havia algum tempo. O auge da briga ocorreu quando o Coronel, lançou pelo seu próprio, sem a autorização de seu empresariado, o disco Having Fun WIth Elvis On Stage. Neste disco de 1974, Elvis não cantava absolutamente nada. O que havia ali eram apenas diálogos com a plateia e os músicos gravados entre as canções de seus shows. O blá-blá-blá incluía ainda algumas piadas meio sem graça e até mesmo arrotos. Nem é preciso dizer que resenhas críticas publicadas na época pela imprensa bombardearam o lançamento desaprovado até mesmo pelo seu protagonista. O pior é, apesar de tdo usso, Parker insistiu no projeto e lançou outros volumes semelhantes logo depois.

Com a nova namorada Linda Thompson, em uma fotografia do ano de 1976>> Elvis e Parker não se entendiam mais. Outro exemplo disto foi o veto do produtor à gravação da canção “I Will Always Love You”, da cantora e compositora country Dolly Parton. Presley gostara da música, ainda inédita, que a já veterana artista havia lhe apresentado. Entretanto, o Coronel, ao fazer a negociação dos direitos autorais, impôs que metade dos royalties fosse para ele e seu empresariado. Parton, insultada e confiante no potencial da música, negou a proposta e não teve a sua obra cantada por Elvis. Ela mesma acabou lançando-a em um compacto em 1974. Fez um relativo sucesso, mas nada comparado à regravação realizada por Whitney Houston para a trilha sonora do filme O Guarda Costas (1992). Houston, que também protagonizou o longa (ao lado de Kevin Costner, um dos principais atores de Hollywood no começo dos anos 1990), acabou emplacando o sexto lugar na lista dos singles mais vendidos de todos os tempos, em “edição física”. Foram compradas, ao todo, mais de vinte milhões de unidades. Dolly ganhou rios de dinheiro com os direitos autorais e mostrou que estava certa ao se proteger da ganância do empresário.

>> Depois de muito bate-boca (alguns deles ocorridos em pleno palco) e xingamentos mútuos entre Parker e Elvis, a situação entre os dois tornou-se insustentável durante o ano de 1974. O cantor quis romper o empresariamento e o Coronel pediu dois milhões de dólares para pôr um fim no contrato. Quando os dois pareciam ter deixado as desavenças de lado, veio a punhalada. Parker não só vendera para a RCA os direitos de todo o catálogo do artista por US$ 5,4 milhões como ainda embolsou boa parte da quantia. Isto significava que, a partir daquele momento, Elvis não teria mais controle sobre toda a sua obra como também não receberia nada mais de direitos autorais de qualquer coisa que já houvesse feito. Cada vez mais revoltado, passou a encher linguiça em seus shows com muito falatório e coisas sem sentido (que acabou sendo utilizado pelo produtor no já citado álbum Having Fun WIth Elvis On Stage). Fora dos palcos, seguiu os passos da mãe e caiu em uma grande depressão, ficando cada vez mais isolado de tudo e todos em Graceland. Dr Elias Ghanem, outro médico que cuidava dele, assinou um atestado dizendo que seu paciente não teria mais condições de se apresentar ao vivo por um bom tempo. Coronel teve de engolir a seco o xeque-mate de Elvis, que o livrava de várias obrigações contratuais em seguida.

Manchete do tablóide britânico The Sun anuncia a morte do astro>> Depois de seu quadragésimo aniversário em 1975, a imprensa já falava que Elvis havia virado um dinossauro ultrapassado, gordo e sem qualquer sinal do sex appeal do passado. Seus shows já eram confusos, repletos de falas e reações agressivas, o que causava incertezas e até raiva em quase todas as pessoas que o cercavam pessoal e profissionalmente. Isso quando não parecia um sonâmbulo em ação, balbuciando e esquecendo trechos de letras, encostando ao pedestal do microfone. Aos poucos, até mesmo os mais fiéis e devotados membros da Máfia de Memphis passaram a se afastar de vez da vida do cantor. Estúdios de gravação há muito tempo não viam mais a sombra do artista e a RCA não tinha mais nem as raspas do tacho para utilizar como material inédito a ser lançado em disco. Nem uma forçada sessão em Graceland funcionou: ele quase não saía do quarto e poucas vezes se dispôs a se encontrar com os músicos na parte de baixo da casa para registrar algo. Uma outra sessão marcada para Nashville acabou também não acontecendo por indisposição do artista em sair do atoleiro psicológico e espiritual no qual se enfiara. Enquanto isso, a saúde começou a ir ao espaço a passos largos e seguidas internações no hospital tornaram-se realidade. Até que seu coração parou de bater de vez no dia16 de agosto de 1977, aos 42 anos de idade. Naquela madrugada, Elvis fora encontrado caído no banheiro, trajando pijama dourado e com o rosto em meio a uma poça de vômito. Apesar das tentativas de amigos, seguranças e do Dr Nichopoulos em reanimá-lo, nada mais pode ser feito. Às 3h30, o Hospital Batista de Memphis declarou a morte de seu paciente, deixando para a História da cultura pop do Século 20 um grande mito.

O beijo encenado por Michael Jackson e Lisa Marie Presley no VMA de 1994>> Elvis foi sogro post-mortem de Michael Jackson e do ator Nicolas Cage. Sua única filha, Lisa Marie, havia acabado de se divorciar de seu primeiro marido, aos 26 anos, em 1994. Vinte dias depois ela pegou o mundo de surpresa casando-se de novo, desta vez com Michael. Os dois se conheceram em 1975, quando ela, dez anos mais nova que ele, estava nos bastidores de uma temporada de apresentações do pai. Em 1992, retomaram a amizade em um momento crucial para Jackson. Foi quando Lisa serviu de amparo emocional para o cantor, com quem falava todos os dias durante aquele período em que ele estava sendo execrado publicamente e acusado de assédio sexual infantil. Mas a relação foi vista com descrédito por quase todo mundo, levando o casal inclusive a uma histórica encenação de um beijo público no palco do Video Music Awards daquele mesmo ano. Em janeiro de 1986, citando diferenças “irreconciliáveis”, o casal se divorciou legalmente, embora tenham tentado algumas vezes reatar a relação posteriormente. Anos depois, Lisa Marie desfez um noivado ao conhecer, durante uma festa, Nicolas Cage. A festa de matrimônio dos dois foi realizada no Havaí, em agosto de 2002, apenas dez dias após Nicolas pedi-la em casamento. Só que tudo terminou de maneira tão abrupta quanto começou: passados 108 dias da cerimônia, Cage deu entrada nos papéis do terceirodivórcio da vida da filha de Elvis (que ainda se casaria mais uma vez logo depois).


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Comentarios (1)Add Comment
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posso postar esta materia sobre Elvis no meu grupo no facebook?
escrito por Jorge Elias Fabrinos Baptistas, 14 de março de 2018
Achei super interessante , a materia : Conheça 80 curiosidades sobre a vida e a obra do astro mais popular do rock’n’roll, que nascia há 80 anos. por isso gostaria de divulga la em meu grupo do facebook: Elvis Presley, king of Rock and Roll.
peço permissão ao autor para postar essa materia em meu grupo com a finalidade apenas de divulgar as curiosidades sobre Elvis Presley para todos seus fans.

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