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Vampire Weekend
Escrito por Abonico Dom, 17 de Janeiro de 2010 22:01
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Contra mostra salto evolutivo ao apostar em sutis porém substanciais associações com a música “étnica”
Texto por Eduardo Ribeiro (gentilmente cedido pelo Portal RockPress)
Em seu segundo álbum, Contra (XL, ainda sem edição nacional), que inaugura a lista de lançamentos indie em 2010, uma das mais felizes surpresas vindas do Brooklyn nova-iorquino nos últimos tempos volta a flertar seu art-rock com sonidos folk. Fórmula que deu certo no primeiro trabalho, quando eles impressionaram a cena underground trazendo influências da música pop africana e clássica. Em apenas um ano os quatro rapazes formandos da Columbia University mostram um belo salto evolutivo.
A banda surgiu no começo de 2006 e já no meio universitário os rapazes ganharam atenção dos blogs de mp3, pelo burburinho a respeito dos pocket shows que faziam nas reuniões literárias e festinhas. Mas foi somente em 2007 que os comentários em torno da música deles, embebida por uma combinação incomum de influências para o gênero, começaram a aumentar, coincidente e felizmente no mesmo ano em que a mídia musical passou a falar com entusiasmo inédito a respeito da cena alternativa do Brooklyn como o mais novo celeiro de criatividade no rock de NY pós-DFA Records. Auto-intitulado, o trabalho de estreia emplacou entre os 20 discos mais bem cotados pela crítica em 2008.
Dessa vez, a herança musical wild side sessentista latente no som do Vampire Weekend recebe também pitadas saborosas de tempero latino – ou melhor, brasileiro e mexicano. Nada que desconfigure a pegada new wave/pós-punk dos caras encontrada no debute, mas dá pra perceber que eles estão em busca de reinvenção ao incorporar, por exemplo, elementos como os batuques de zabumba com bastão do percussionista Maruo Reposco, brasileiro, na faixa de abertura “Horchata”.
Tudo muito sutil – como quando um escritor sabe que não pode abusar demais dos adjetivos em um texto para não perder a objetividade – as influências étnicas, digamos, do Vampire Weekend, são notadas em seu comedimento bem empregado. Como na levada miúda de sambinha-reggae que norteia “Diplomat’s Son”. Ou nas faixas “Run” e “Cousins”, cujas bases-mote, se tocadas em outro tempo e com mais agressividade por uma sanfona, dariam um bom arrasta pé.
Na produção do disco, o coerente, ordenado, harmonioso resultado dos arranjos combina-se primorosamente ao tratamento especial dado ao vocal de Ezra Koenig. Ele coloca suas cordas vocais a serviço de polidos e sinuosos agudos, e a voz é enaltecida por pontuais ornamentos em várias passagens, assim como “voice encoders” foram usados para distorcer ou deixá-la bem limpa. A produção saiu brilhante, e mais uma vez ficou a cargo do também percussionista/tecladista/guitarrista Rostam Batmanglij. Se há alguma coisa espirituosa e sensível sendo feita atualmente no rock, o Vampire Weekend encontra-se no apanhado.
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