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Jay Reatard
Escrito por Abonico Sáb, 16 de Janeiro de 2010 23:54
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Fãs e amigos despedem-se do dínamo garage rock de veia autoral para lá de compulsiva
Texto por Olga Costa (gentilmente cedido pelo Portal RockPress)
O músico Jay Reatard faleceu na madrugada de 13 de janeiro, aos 29 anos. Sua morte está sendo investigada como homicídio. Um de suas gravadoras, a Goner Records escreveu: "É com grande tristeza que anunciamos a morte de nosso bom amigo Jay Reatard. Jay morreu dormindo". Reatard, nascido Jimmy Lee Lindsey Jr, fez parte da cena garage de Memphis durante alguns anos, antes de estourar em 2006, com o álbum Blood Visions. Seu álbum mais recente, Watch Me Fall, saiu em 2009. Era seu segundo título pela Matador, cultuado selo de Nova York e um dos principais nomes das últimas décadas no cenário independente mundial.
Jay Reatard era inquieto. Mentalmente hiperativo. Ainda com seu nome de batismo pegou pela primeira vez numa guitarra. Jimmy Lee Lindsey Jr. nasceu no dia 1º de maio na cidade Lilbourn, Missouri, Estados Unidos. Com oito anos, mudou-se com os pais para Memphis, onde, mais tarde, conseguiria inspiração suficiente para compor, bastando caminhar alguns minutos pela cidade.
A grande motivação de Jay para mergulhar de cabeça no rock’n’roll foi um show da banda Rocket From The Crypt. Ser compulsivo como compositor o levou a formar diversas bandas, entre elas aquela da qual adotaria seu nome artístico, Reatards.
A velha combinação de garoto problemático na escola + guitarra mais uma vez surtiu efeito. Com 15 anos já tocava e compunha canções. Escrevia e gravava tudo dentro do quarto. Tornou-se um compositor voraz, capaz de escrever uma música por dia. Quando Steve Hyden em uma entrevista, ano passado, perguntou-lhe se ele ainda fazia isso, respondeu: ”costumava fazer bastante, antes de assinar com a Matador. Tinha deixado um pouco de lado, por conta dos singles que estava prestes a gravar.”
Ganhou respeito da crítica especializada e fãs com seu talento para fazer música concisa: três acordes+punk+garagem+refrão pegajoso. Em 2006, quando lançou seu primeiro solo, Blood Visions, fez uma limpeza no som, o que o tornou mais “acessível”: “Antes, minha música estava fora do radar. Mas agora parece que a garotada ouve punk rock tanto quanto ouve indie rock. Claro que a internet tornou isso mais fácil”, declarou.
Em entrevista para a Billboard americana, disse que Watch Me Fall, lançado ano passado, era sobre como lidar com a morte e a velhice. Ainda na mesma conversa comentou que era o primeiro trabalho em que ele sentia ter deixado para trás o adolescente inconseqüente – afinal estava perto dos 30.
Na trajetória de Jay Reatard é possível identificar influências diversas que vão desde o óbvio, como Ramones (“I See You Standing There/Rotten Mind”) até Nick Lowe (“I’m Watching You”) e Stranglers (“Another Person”). Jay também tinha completa consciência de que não exercia controle algum sobre o que lançava no mercado. Para muitos, era um músico raivoso; para outros, um talentoso compositor com noção de seu lugar ao sol. Outras tantas, desde 13 de janeiro, preferem imaginá-lo em um balão rumo ao céu aberto, prometendo que voltará
Homenagens
Muitos artistas e jornalistas que admiravam o trabalho de Reatard expressaram seus sentimentos em relação à sua morte. Abaixo, alguns comentários e homenagens de amigos e fãs.
>> O No Age postou no seu blog algumas fotografias em homenagem ao músico.
>> Beck postou em seu site oficial uma versão feita por Reatard de sua música "Gamma Ray".
>> Bradford Cox (Deerhunter/Atlas Sound): "Jay foi o que poucas pessoas tem a capacidade de ser. Ele criou um álbum inegavelmente clássico, que contém tanta dor transferida para uma fita, de uma forma tão explosiva, que faz você se sentir diferente depois de ouvir. Ele era transgressivo e honesto. […] Amava música e trabalhou muito desde jovem para alcançá-la. Estou realmente transtornado de vê-lo partir."
>> Gerard Cosloy (co-fundador da Matador Records): "Estava em um voo para NY esta tarde e quando pousei havia muitas mensagens sobre a morte de Jay Reatard. Estou aborrecido, confuso e muito triste pela perda de uma das pessoas mais incríveis que tive o prazer de conhecer. Dentro da indústria fonográfica, sim, nós perdemos um fantástico performer e compositor e um insaciável amante da música. Mas também perdemos um grande amigo e esta é a parte que doi mais. Nós não somos os únicos sentindo isso agora, obviamente. Os amigos de Jay em todo o país, em todo mundo, estão lidando com isso. […] Nossos pensamentos estão com este enorme grupo de pessoas."
>> Pixies: "Queremos expressar nossos pêsames aos amigos e familiares de Jay Reatard, por seu súbito falecimento."
>> Carlos Nishimiya (Surfadelica, Continental Combo, Kid Vinil Xperience, Los Tornados, Maria Angélica Não Mora Mais Aqui): “A primeira vez que ouvi Jay Reatard foi, como em tantos casos, na casa do velho amigo Kid Vinil. Era um dos primeiros compactos
>> Ted Leo (Ted Leo & The Pharmacists): "Cara, tenho que dizer, esta notícia do Jay Reatard está me batendo muito forte. Só encontrei com ele algumas vezes, mas... ugh! Estranho... E triste ... Vamos pegar leve com as conclusões precipitadas e ter um pouco de respeito, ok? Sem levar em conta como aconteceu, isso aconteceu."
>> Tom Leão (Rio Fanzine/O Globo): "Só descobri o som dele nos dois últimos anos e achei muito divertido, provocante, gostava também da batida, um punk diferente. Pena que morreu justamente quando lançou o seu melhor disco solo”.
>> Ulysses Christianini (Pisces Records, Books & Films): “Infelizmente perdemos uma grande promessa da música. Jay Reatard tinha muito talento e vai deixar um vácuo na musica de boa qualidade!!!”
>> Vivian Girls: "Nós amamos sua música!"
>> Mauricio Melo (Portal Rock Press): "Estava meio desconectado nestes dias e fui pego de surpresa com esta notícia. Assisti ao Jay no Primavera Sound 2009 e realmente o rapaz fez um show ao seu estilo. Parecia um integrande de banda de death metal tocando um punk rock de garagem que algumas vezes lembrava o Toy Dolls. Foi legal! Ele era bem querido por aqui [Barcelona] e já tinha tocado neste festival em edições anteriores quando ainda era bem desconhecido."
>> Todd Patrick (Promoter DIY): "Você foi talentoso e perturbador e uma influência positiva e negativa para muitas pessoas. Você não deveria estar morto."
>> Zola Jesus: "Blood Visions foi um álbum perfeito."
>> Small Black: "Existem poucos que poderiam fazer mais em um minuto."
>> Sky Larkin: "A guitarra Flying V nunca pareceu tão em casa como nas mãos dele."
>>
>> Abonico Smith (Mondo Bacana): “Estrela que se divertiu para valer no tempo fugaz que teve de carreira. Deixou alegria e boas músicas. E um ótimo videoclipe...”
>> Assista aqui ao clipe da música “It Ain’t Gonna Save Me”
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escrito por Claudio Lopes, 17 de janeiro de 2010
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