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Autoramas
Escrito por Abonico Ter, 05 de Janeiro de 2010 22:51
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Trio despluga os instrumentos e reinventa sua sonoridade sem perder a essência
Texto por Bianca Sobieray
Foto: Divulgação
O intervalo entre o último álbum Teletransporte e o novo foi de apenas dois anos. Neste tempo, muita coisa aconteceu, menos o jejum na produção do grupo. “Nós tocamos em tudo quanto é lugar, Teletransporte foi um dos discos que mais rendeu frutos pra banda, tanto aqui, quanto lá fora”, conta, entusiasmado, o vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz. Falando em trabalhos fora do Brasil, nesse período, a banda lançou um EP virtual em Portugal, chamado Brasil na CEE, com músicas só lançadas lá. Além disso, o forma gravadas diversas músicas. “A gente até pensou em lançar um CD com todos esses extras que já temos, que podem vir a ser um disco físico inteiro”, comenta.
Projetos à parte, a onda agora é o MTV Apresenta Desplugado, CD e DVD recém lançados e gravados de forma acústica. Aliás, esse detalhe até pode soar estranho para os que conhecem a banda ao longo dos seus quase treze anos, mas o grupo conseguiu imprimir a identidade ao som típico de banquinho e as pegadas mais leves acabaram por reinventar as próprias músicas. “A gente pensou no formato exatamente para dar um passo à frente no que já vinha sendo feito. Queríamos uma coisa diferente só que, na realidade, não sai do estilo da banda, está tudo inserido no que a gente sempre fez. Agora, tocar com violão e com baixolão é realmente diferente tecnicamente, mas continua sendo Autoramas ali na essência”, explica o frontman.
Todo o processo de produção do novo disco – com download gratuito através do projeto Álbum Virtual, da Trama – durou mais de um ano. Enquanto a banda levava o dia-a-dia de apresentações, viagens e tudo mais, também ensaiava e pensava em como seria o novo projeto. “Fizemos alguns shows para testar o repertório. Aliás, mudamos algumas coisas depois de fazer esses shows, coisas que achávamos que não funcionavam muito bem. Tudo com tranqüilidade, para que ficássemos satisfeitos no final da história”, lembra.
A escolha do repertório foi um capítulo à parte. Além das músicas novas e inéditas, compõem o set também canções que o grupo nunca havia gravado ou sequer tocado, como “Nublado no Escuro”, música de Reginalo Rossi, e “I Saw You Saying”, clássico gravado pelos Raimundos e composto em parceria entre Gabriel e Rodolfo. Uma brincadeira virou canção em “O Samba-Rock do Bacalhau”. Segundo o vocalista, no dia da gravação, a faixa foi gravada tão de brincadeira que não foi filmada. Portanto, não está no DVD, há apenas o áudio no CD.
As participações especiais também foram escolhidas a dedo. “Rolou uma coincidência que todos eles moram no Rio, são artistas que a gente gosta e admira para caramba e estão ali, do nosso lado, apesar da gente não conviver muito. O Frejat a gente encontra uma vez na vida. O Humberto Barros, a mesma coisa. O Big Gilson, então, é de um mundo completamente paralelo ao nosso, vem do blues. Ele, inclusive, foi a pessoa que tivemos mais receio de convidar, mas ele adorou”, diz o baterista Bacalhau. A ex-Penélope Érika Martins também divide os vocais com o marido Gabriel em uma música.
Em doze anos muitas coisas mudaram para o Autoramas. Inclusive, a formação, com a saída do primeiro baterista Nervoso (hoje em carreira solo, como vocalista) e das baixistas Simone (da formação original) e Selma Vieira. Em 2008, quem assumiu o posto foi Flávia Couri (também integrante do trio Doidivinas). “Antes a gente era mais ansioso. Hoje, tudo é tratado com muito mais tranqulidade. Mas acho que a essência e a ideia inicial da banda continuam. Acho que a gente melhorou muito como músico, tecnicamente... Mas o que é legal é que mesmo com o tempo, o Autoramas continua com um estilo. Tem um som característico”, finaliza Gabriel.
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