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Wandula

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Grupo celebra dez anos de vida e passa a se aproximar da música brasileira

  

Formação atual do Wandula

Texto de Bianca Sobieray

Fotos de Diego Cagnato (banda) e Fernando Souza (show)

 

Ao chegar à casa de número 187, uma construção antiga já adiantava um pouco do que lá dentro encontraria. O forte cheiro de cera que vinha dos tacos de madeira do piso se misturava a uma atmosfera quase surreal. Passando por um extenso corredor, um feixe de luz vazava pela porta do último cômodo da casa. Ouvia-se também alguns acordes de violão e um cicio de pratos de bateria. Ali estavam cinco dos integrantes do Wandula.

 

E a frase "rotular é limitar" nunca se encaixou tão bem para um grupo musical quanto para eles. O número de integrantes já é um pequeno indício da diversidade sonora presente no conjunto. Em 2009 eles completam dez anos de carreira com algumas mudanças pelo caminho. O que começou como um trio, formado por Marcelo Torrone, Edith de Camargo e o violonista Cláudio Pimentel, tornou-se, hoje, um sexteto que às vezes se expande para septeto. Com três CDs lançados, a mudança na formação aconteceu para o lançamento do último CD em 2007 (álbum duplo, aliás, porque o Wandula não gravava em estúdio desde 2003 e acumulava uma grande quantidade de composições).

 

Mudou também a sonoridade em La Récréation. “O som ficou mais denso por conta da guitarra e da bateria, elementos que não existiam na banda há seis anos”, conta o pianista e tecladista Torrone. Nesta nova formação, aliás, estão o baterista JC Branco, o harpista e violonista Felipe Ayres, o baixista Denis Nunes e o “agregado” violoncelista Raphael Buratto – que passará esta temporada estudando fora do país.

 

Além do crescimento da banda, cresceu também o público, mesmo tocando pouco fora de Curitiba. “Fomos algumas vezes para São Paulo e Florianópolis e ainda fizemos uma miniturnê na Suíça, mas na maioria das vezes que tocamos foi aqui mesmo na cidade”, conta a vocalista e multi-instrumentista Edith de Camargo.

 

O som peculiar deve-se às referências de cada integrante. “Na maioria das vezes as composições partem de mim e da Edith, mas nós apenas mostramos o caminho. Daí se dá a preciosidade do Wandula. Encaixamos as referências de cada um nas músicas. São ingredientes diferentes que se completam”, conta Torrone. Tanto que Denis toca em uma banda de samba-rock, Felipe desenvolve um trabalho com música eletrônica, Edith desenvolve um projeto solo com canções francesas, Torrone segue o estilo minimalista em seus trabalhos individuais, Branco toca também na banda Bad Folks e Rafael aposta nos pedais de sua guitarra para criar texturas diferenciadas para as músicas instrumentais do ruído/mm.

 

Edith - James SessionsNuances brasileiras

Nesta década de carreira, o grupo conquistou público e imprensa, sempre com ótimas críticas sobre banda. O estilo dos ouvintes e admiradores do Wandula é variado, talvez pela diversidade de elementos sonoros, com canções que vão de atmosferas intimistas, beirando um cabaret, à sofisticação de músicas minimalistas. “Eu acho que um termômetro bom de reconhecimento da banda é quando tocamos em bares, por termos um som mais intimista que, teoricamente, não daria certo nesses locais. A gente consegue, de uma forma ou de outra, impor um silêncio na platéia quando estamos tocando. Eu mesmo não sei se ficaria tão quieto”, conta Denis, junto a uma risada geral. Outro termômetro de reconhecimento foi a apresentação do grupo no lançamento do último CD, realizado no Teatro do Sesc da Esquina. Foi preciso fazer um show extra, já que os ingressos para o espetáculo esgotaram muito antes do imaginado, formando uma enorme fila em frente às bilheterias do teatro.

 

O grupo agora inicia uma nova etapa, por conta de um projeto com músicas da brasileira Nara Leão. “Isso nasceu através de um convite do Sesc, para homenagearmos a cantora em um show junto com o Sergio Loroza, em outubro do ano passado. É um novo momento, pois até então não éramos muito brasileiros, por causa da sonoridade. Agora podemos fazer esse link com a música brasileira”, explica Torrone. Neste ano eles também pretendem iniciar novas composições para um próximo disco, ainda sem data marcada para nascer. Além disso, o grupo pretende tocar mais fora da cidade, e apresentar o Wandula para todo o Brasil.

 

Torrone - James SessionsDespretensiosamente bonito

Dando continuidade ao projeto James Sessions, organizado pela produtora curitibana Maamute, quem se apresentou na última quinta-feira (15.janeiro) foi justamente o Wandula. Apesar das músicas tranquilas, era impossível não se pegar batendo o pé e balançando a cabeça no ritmo das canções. A teoria do baixista se confirmou. Foi impressionante, em um ambiente como o James, bar de indie rock normalmente agitado, como o público acalmou-se para ouvir a banda. As dezoito músicas apresentadas foram um mix das canções do último álbum com três de Nara Leão (“Amazonas”, "Tu Verras... Tu Verras" e “Opinião”) e “Ederlezi”, música popular cantada por ciganos da ex-Iugoslávia para comemorar o retorno da primavera.

 

Abrindo o set, “So Many Moons II”, serviu para a banda dar uma amostra de sua sonoridade. Sem letra (é apenas instrumental) também veio para quebrar o clima de pista que tomava conta do local até pouco antes, quando a discotecagem estava em ação. Entre “Fallen Angels”, “Sans Toi” e “Hors-Jeu”, Edith esbanjou delicadeza em seu timbre de voz e se dividindo entre o acordeon e a escaleta. Mesmo com alguns momentos de microfonia – de fato, o som do Wandula sempre fica muito melhor equalizado em teatros – tudo soava perfeitamente bem. Na metade do show, o sorteio de alguns CDs mostrou a calorosa relação entre banda e público, quando todos gritavam o número de suas comandas para serem chamados ao palco e ganhar o tão desejado disco.

 

Da metade para o final, Edith trocou de lugar com Torrone em algumas músicas – ele assumiu a dobradinha acordeon-escaleta; ela, o teclado. Numa sintonia perfeita, baixista e baterista formaram uma cozinha divertida de se ver e ouvir, dando, junto com o violão de 12 cordas, uma parede sonora interessante para deixar livres os efeitos da guitarra e as intervenções da dupla fundadora – Edith, em alguns momentos, chegou até a simular um trompete com a própria voz. Para o bis ficou reservado um dos grandes sucessos da banda, "Sad Days", onde um dos elementos com mais destaque no arranjo são os efeitos da guitarra.

 

No fim do show, o gosto de quero mais foi um pouco saciado por mais alguns discos sorteados e a certeza de que a passagem de dez anos não envelheceu o som da banda - apenas deixou-o ainda mais encantador.


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Comentarios (5)Add Comment
0
Arrumem meu nome agora.
escrito por Branco, José Carlos, 07 de fevereiro de 2009
Arrumem meu nome agora.
Espero que não tenha sido uma piada da parte de vocês, mas como estavam com o nosso release, como podem ter errado meu nome?
José Carlos Branco.
0
Além do mais...
escrito por Branco, José Carlos, 07 de fevereiro de 2009
Além do mais, a matéria está muito boa sim, gostei bastante.
Só peço para arrumerem meu nome, por favor.
Obrigado.
JC branco.
0
Thank you so much!
escrito por Branco, José Carlos, 07 de fevereiro de 2009
Obrigado mais uma vez, e parabéns pela matéria.
JC Branco.
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confusão paquidérmica
escrito por Abonico, 07 de fevereiro de 2009
seu nome já está devidamente corrigido neste texto. toda a confusão se deu porque ele foi trocado no release do show, encaminhado à imprensa pela própria produtora da banda, a maamute. achamos estranho, mas, enfim, se a informação errada veio da fonte mais oficial possível, só podíamos ter chegado à conclusão de vc teria trocado de nome artístico. mas agora já está tudo em pratos limpos. abraço.
0
Hey, Ho! Let's Go!
escrito por Branco, 07 de fevereiro de 2009
Muito bem Abonico, obrigado pelo esclarecimento, boa sorte, seu site é muito legal.
E melhor de tudo, funciona!
Parabéns.

Abrax,

JC Branco.

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