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Curitibanos preparam álbum com influências atuais sem deixar de fazer rock com conteúdo e sotaque brasileiro

 

 

 

 

 

 

Texto de Bianca Sobieray
Fotos de Marcelo Stammer

“Me empresta a sua caneta?”, disse Wonder Bettim com uma folha em branco nas mãos, pronto para escrever o set list do show que estava para começar. Seria mais uma apresentação da banda curitibana Sabonetes, que faz parte da safra renovada do rock local e nacional. O quarteto foi escolhido para dar o pontapé inicial na nova programação para as noites de quinta do James Bar, chamadas James Sessions, realizadas em parceria com a produtora curitibana Maamute, que mal nasceu e já está botando fogo na cena da capital paranaense.

Junto com a participação do público, que cantava e acompanhava as melodias ora dançantes, ora enérgicas, estava o fruto de cinco anos de trabalho. O que começou como diversão virou, enfim, coisa séria. “A gente era calouro e queria tocar em uma festa da faculdade. Nos juntamos, ensaiamos e estamos aí até hoje”, conta o guitarrista e backing vocal Wonder. (E nem a recente mudança de integrante atrapalhou algo. Para a vaga de baixista, aberta quase que de uma hora para outra no final de 2008, foi convocado um dos mais talentosos músicos do rock curitibano de hoje: Rodrigo Lemos, mais conhecido como o guitarrista e vocalista da Poléxia.)

Inicialmente tocando apenas covers, o som foi amadurecendo e ganhando personalidade. Com o passar do tempo, mais precisamente em 2007, surgiram as primeiras composições próprias. Em maio do ano passado, algumas canções ganharam forma definitiva e o grupo lançou um EP, com três músicas, disponibilizadas no MySpace da banda. As canções foram produzidas por Tomás Magno, que já trabalhou com inúmeras figuras do cenário mainstream nacional, como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Skank, Detonautas, Nando Reis e Barão Vermelho – e também pilotou outros curitibanos no estúdio, como Anacrônica, Terminal Guadalupe e Charme Chulo.

Daqui a alguns meses virá o primeiro álbum, também produzido por Magno. “Quando fomos produzir o EP, ele sugeriu algumas mudanças. Já para o CD, elas foram poucas. Estávamos em sintonia produtor entre banda”, afirma Wonder, entusiasmado. Segundo os músicos, o disco terá a mesma sonoridade das músicas já disponíveis, mas com uma roupagem mais elaborada e com toques especiais. Tentando fugir do hype atual, eles buscam conteúdo e qualidade. “Queremos fazer rock brasileiro e músicas com conteúdo. O hype passa, o que é bom fica”, pontua o guitarrista e vocalista principal Artur Roman.

Naturalmente atual
Apesar das principais influências apontadas pelo grupo irem de Beatles à bossa nova passando por Mutantes, o que se ouve é uma música atual, com ares de novo rock. Porém, sem parecer plágio de outras bandas de hoje. “Talvez esse toque atual seja algo como um inconsciente coletivo, que está aí, mas sem a gente perceber. Normalmente escutamos um artista uma vez ou duas e paramos. Nada que afete diretamente nossa música”, explica Artur. O grupo mostra-se antenado às novidades do mundo da música ao citar grupos recentes, como Little Joy, que tem na sua formação Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Fabrizio Moretti (Strokes). Duas das bandas, por acaso, que também compõem a sonoridade do Sabonetes.

Também fã da cena musical curitibana, o quarteto, que desponta como uma das principais bandas locais, confessa perceber o reconhecimento de muita gente de fora no atual cenário rock da cidade. “Aqui as bandas são unidas, parceiras”, afirma o baterista Alexandre Guedes.

A afinidade entre os integrantes ultrapassou a linha dos palcos. Recentemente eles alugaram uma casa, no bairro Jardim Botânico, em Curitiba, e foram morar juntos. O habitat foi carinhosamente apelidado de A Bolha e foi responsável por uma união ainda maior do grupo, tanto nos momentos bons, relacionados à música, quanto nos não tão agradáveis, como chegar no fim do mês e ter que dividir todas as despesas. “Fazemos tudo juntos e, por incrível que pareça, nunca brigamos”, comemoram.

Neste ano, contudo, o foco não estará mais n´A Bolha, mas no disco novo e na tarefa divulgá-lo para todo o país. Para o quarteto, afinal, “banda não tem casa fixa; ela está onde o público está”.

Próximas James Sessions: Wandula, Ruído/mm e Stella-Viva

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Comentarios (1)Add Comment
0
Revelações
escrito por Dary Jr., 13 de janeiro de 2009
A banda e a autora do texto são duas boas e promessas. Parabéns a ambas.

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