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Penguin Prison – ao vivo
Escrito por Abonico Qua, 01 de Fevereiro de 2012 00:08
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Projeto do novaiorquino Chris Glover opta pelo formato de banda mas faz um show morno em São Paulo
Texto e foto originalmente publicados em LineUp Brasil
Não se pode culpar só Chris Glover, a mente por trás do projeto Penguin Prison, pelo show frio que aconteceu em 27 de janeiro (sexta-feira), no Beco SP, fruto de mais uma iniciativa de crowdfunding promovida pela Playbook. A verdade é que tudo poderia ter sido um desastre não fosse o rapaz dar tudo de si desde a primeira música, quando já desceu no meio do público pra cantar junto. Chris cantou, dançou, desceu de novo lá pro final (para uma platéia meio incrédula, que simplesmente abriu passagem para o músico) e conseguiu tornar a noite divertida, mas distante de uma experiência inesquecível.
O primeiro problema, é nítido, estava no público – que em nenhum momento realmente se entregou à música da banda, o que parece estranho pra um show promovido justamente pela iniciativa popular. Não era raro ver apenas poucos corpos dançantes na frente do palco, enquanto o resto da platéia acompanhava com suas cabeças balançantes algo céticas o desenrolar do show – que só chegou a ter grandes momentos em hits como “Don’t Fuck With My Money”.
O segundo entrave, mais controverso, é a própria formação do palco. Você pode gostar ou não do estilo, mas a produção das gravações da banda é requintada para os padrões do pop atual. Ao optar pela formação de banda convencional (guitarra, bateria, teclado), o som ganha em peso instrumental mas perde os requintes da base eletrônica. E a verdade é que os músicos do Penguin Prison não são brilhantes o suficiente para compensar isso ao vivo. Então o som fica mais frágil, não chega a encher a pista como se espera de um pop de qualidade.
E por último, há o próprio Chris Glover. Bem-intencionado, afinado (com a ajuda de um autotune, mas vá lá), mas sem o carisma pop de um, digamos, Justin Timberlake – quem às vezes ele parece lembrar com os gestos no palco.
Sim, é verdade que a soma dos ingredientes não chega a ser catastrófica. É um show feito com entrega e autenticidade pela banda. A escolha pela banda ao vivo (e não pelas bases eletrônicas) mostra uma tentativa de ser o mais verdadeiro e honesto possível com seu público – e isso é elogiável. Pena que uma grande noite não se faça só de boas intenções.
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