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Oito motivos para gostar da banda que chegou a ser chamada de “o som do novo milênio” pelos britânicos

Garvey e sua turma: altos, baixos e altosTexto por Abonico R. Smith

Foto: Universal/Divulgação

O NOME

Batizar uma nova banda é, muitas vezes, tarefa ingrata. Como colocar um nome que reflita a proposta e a sonoridade? Tem gente que apela para o humor ou referências de livros e filmes. Nomes de discos ou músicas antigas também são outra fonte bastante usada. Nestes tempos de internet, nomes com uma palavra só são algo complicado para os domínios. Assim como palavras corriqueiras, aquelas bastante usadas no dia-a-dia. Mas uma coisa acho que você vai concordar comigo: esse pessoal foi originalíssimo na hora de decidir seu batismo. Afinal... Não é todo dia que aparece um grupo chamado "Cotovelo". Sim, cotovelo. Aquela parte das mais esquecidas e feias do corpo humano – ao lado do tornozelo e do calcanhar. Haja criatividade e bom humor para encarar um nome que é “puro osso”... (Na verdade, o nome vem de uma série de TV produzida pela BBC, na qual o detetive Philip Marlowe, grande criação literária de Raymond Chandler, dizia ser “elbow” a palavra mais sensual do mundo.

MANCHESTER

Morrissey já perguntou quem colocou o M em Manchester e eu vou além: o que é que tem de mais sagrado na água daquela cidade? Afinal, há várias décadas que de lá saem alguns mais empolgantes e interessantes bandas e artistas britânicos. A seleção é tão forte que nem dá para escalar um time separando titulares e reservas. Só para citar 25 deles: Fall, Buzzcocks, Magazine, Joy Division/New Order, Smiths/Morrissey, Durutti Column, A Certan Ratio, James, Stone Roses, Happy Mondays, Inspiral Carpets, 808 State, Oasis/Noel Gallagher, Verve, Chemical Brothers, Badly Drawn Boy, Doves, Elbow, Starsailor, Courteeners, Joy Formidable, Ting Tings, Hurts, Egyptian Hip Hop e Wu Lyf. Mas… err… teve também Simply Red, M People, Swing Out Sister, Herman’s Hermits e Bee Gees!!!!

I'M A LOSER, BABY

O Elbow tinha tudo para dar errado na carreira. Seu álbum de estreia, Asleep In The Back (2001) foi bastante celebrado pela novidadeira imprensa britânica, que chegou a chamar a banda de “o som do novo milênio”. Contudo, a boa maré não durou. Durante as gravações do primeiro videoclipe do segundo álbum, Cast Of Thousands (2003), o vocalista e compositor do grupo, Guy Garvey, quase morreu afogado. Para completar, o disco não teve a mesma performance de público e crítica que o anterior. Pior ainda foi o desempenho do sucessor Leaders Of The Free World (2005), quando as vendagens alcançaram números pífios e o espaço na imprensa minguou. Seria mesmo aquela a tal banda do "som do novo milênio"? A gravadora estava convencida de seu erro e deu um bilhete azul ao quinteto. O fim da linha parecia estar bastante próximo. Afinal, como convencer a grande massa de que o Elbow ainda tinha algo bom pela frente?

THE SELDON SEEN KID

Uma mãozinha do destino, entretanto, estaria por vir quando o futuro parecia bem negro. O grupo ganhou uma nova chance de outro selo a Geffen, com uma estrutura ainda maior que o anterior V2 e ainda todo o apoio da multinacional Universal. Detalhe: todo o álbum foi composto, gravado e produzido pelos próprios cinco integrantes, sem qualquer ajuda externa de profissionais de estúdio. No primeiro semestre de 2008 viu a luz do mundo inicialmente desacreditado quarto álbum The Seldon Seen Kid. A imprensa britânica voltou os olhos à banda e deu boas resenhas e um generoso espaço de matérias e entrevistas. O público também respondeu bem e as vendas chegaram à soma de um milhão de cópias físicas e digitais. O maior golpe de sorte, porém, veio mais para o final da temporada O disco recebeu uma das indicações a álbum do ano pelo Mercury Prize, simplesmente o principal prêmio anual da música do Reino Unido. O azarão ainda foi além e, para surpresa de todos, ganhou a votação do júri. Então, o Elbow estava de volta ao panteão das grandes bandas da ilha da Rainha.

BUILD A ROCKET, BOYS!

O Elbow ainda estava na estrada, divulgando o bem-sucedido The Seldon Seen Kid, quando deparou-se com mais uma boa safra de canções já prontinhas, pedindo para serem registradas em estúdio. “O prêmio mexeu com a empolgação de Garvey”, contou por telefone o baixista Pete Turner, em entrevista para este jornalista que escreve aqui. “Ele começou a escrever várias letras, sempre misturando um teor bastante pessoal com aquela sensação de maturidade e aprendizado com os erros do passado”, completou. Em março de 2011, exatos três anos depois do lançamento do álbum anterior, chegava às lojas a mais recente obra do quinteto, não muito diferente de The Seldon Seen Kid. Baladas e um pezinho e meio no rock progressivo são os principais elementos do DNA desta sonoridade. A edição brasileira de Build A Rocket, Boys! – que é repleto de letras atormentadas, que vão do amor ao caos – sairá em fereiro de 2012, pela Universal tupiniquim.

O GENESIS DE PETER GABRIEL

Quando Peter Gabriel liderava o Genesis, nos primeiros anos da trajetória do grupo (1967-1974), dava ao rock progressivo uma cara diferente, performática e ousada o bastante para ir além do tecnicismo extremo daquele gênero. Não tardou para que gerasse muitos discípulos, que foram do Kansas ao óbvio Marillion. Décadas depois, o Elbow provou que aquela fase inicial do Genesis ainda pode render muitos bons frutos. Muitas músicas de The Seldon Seen Kid e Build A Rocket, Boys! trazem influências explícitas daquela genial banda, que mudou do vinho ao vinagre quando Phil Collins assumiu o comando e os vocais que eram de Gabriel. Guy, por sua vez, nunca negou a sua inspiração-mor. “Cresci ouvindo detalhadamente cada disco do Gênesis. Foi Peter Gabriel quem me ensinou a criar melodias e harmonias”, disse, certa vez, o vocalista do Elbow.

GRANDES SHOWS EM GRANDES FESTIVAIS

Desde o lançamento de The Seldon Seen Kid que o Elbow vem sendo figurinha carimbada em grandes festivais do circuito alternativo de ambos os lados do Oceano Atlântico. Os clássicos eventos anuais britânicos (Reading/Leeds, Glastonbury, T In The Park, V Festival), americanos (SXSW, Coachella, Lollapalooza) e europeus (Roskilde, Benicassim) estiveram na agenda do quinteto, que foi capaz de emocionar em todas as vezes que subiu ao palco – apesar de ser uma banda com sonoridade mais voltada a público bem menores e diferentes dos festivais. Só que tem apenas um porém nisso tudo quanto ao Elbow: todo este sucesso não conseguiu chegar até agora ao Brasil. “Pois é, adoraria poder tocar pela primeira vez em seu país, apesar de admitir que não conheço muita coisa de música brasileira”, respondeu o baixista Pete Turner ao ser questionado o porquê do ineditismo verde-e-amarelo no passaporte da banda. “Só que isto independe da nossa vontade. Envolve questões de bastidores, agenda, turnês, acertos financeiros. Mas fica a torcida para que a gente consiga se apresentar em algum festival por aí”.

BOAS PERSPECTIVAS PARA 2012

Ao que tudo indica, a temporada promete para Garvey, Turner, Richard Jupp (baterista) e os irmãos Mark (guitarras) e Craig Potter (teclados). Seguindo a tradição recentemente iniciada, o Elbow nem soprou as velinhas do primeiro aniversário de Build A Rocket Boys! e já tem um novo disco sendo preparado. “Estamos desenvolvendo uma nova técnica de gravação para iniciar o processo de composição das letras”, revelou Pete. “Guy é o mais ansioso para poder chegar a parte dele”, acresentou, sem perder a chance de tirar uma com a cara do colega de banda. “Pensamos em gravar tudo e lançar o disco ainda este ano. Vamos ver se conseguiremos”. E o sexto álbum não é a única coisa a vir por aí. O Elbow irá lançar uma faixa que será utilizada nas transmissões dos Jogos Olímpicos de Londres pela BBC. “Nunca fomos muito chegados em eventos esportivos deste tipo e porte, mas está sendo uma boa e excitante experiência trabalhar nesta composição”, finalizou o baixista.

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