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Yuck – ao vivo

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Quarteto britânico inebria e hipnotiza plateia curitibana com seu poderoso misto de noise, shoegaze e lo-fi

Max Bloom (em primeiro plano): liderando a festa dos bons sonsTexto e foto por Abonico R. Smith

Primeiro foi o pós-rock melancólico do curitibano Trio Kraide. Depois, as tintas psicodélicas de outra atração local, o já estabilizado como quinteto Marakesh. Depois, outro trio, desta vez de S.Paulo, o Ombu, reunindo um pouco da proposta das bandas anteriores ao mesmo tempo em que entortava e desacelerava as batidas. Assim foi toda a tarde daquele domingo 13 de novembro de 2006 no Arnica Cultural, uma casa próxima ao Parque Barigui transformada em centro cultural alternativo na capital paranaense.

Contudo, a trinca servia apenas de aperitivo para o prato principal da noite, a ser servido a cerca de duas centenas de jovens que compunham uma plateia ávida por distorções, barulhos e microfonias. À espera de três pizzas que teimavam em nunca chegar ao local via motoboy estavam quatro músicos na mesma faixa etária de seu séquito de fãs de vinte e poucos anos. Era o Yuck que chegava a Curitiba depois de passar por Belo Horizonte e Belém em sua primeira turnê pelo Brasil. Na bagagem, três álbuns lançados nos últimos cinco anos e a condição de queridinho da turma alternativa. Sobretudo a que se interessa por uma nova geração que teima em ressuscitar nuances sonoridades do alt-rock americano dos anos 1990.

De um lado, um pé fincado na melancolia cabisbaixa shoegaze. Do outro, o noise lo-fi endiabrado tornado clássico por selos como Matador e Merge. Ecos de Superchunk, Yo La Tengo, Dinosuar Jr, Pavement, Teenage Fanclub, Galaxie 500, Velocity Girl, Mogwai e Sonic Youth podem ser ouvidos aqui e ali nas músicas do Yuck. Para o guitarrista Max Bloom, que herdou o posto de frontman após a saída do cofundador Daniel Blumberg (ocorrida em 2013, pouco antes das sessões de gravação do segundo álbum, Glow & Behold) não chegou a ser um grande problema a responsabilidade de segurar os vocais principais. Com Max sendo auxiliado pela baixista londoner-nipônica Mariko Doi o que menos deu para sentir falta naquele não-palco (no Arnica, os músicos tocam ao mesmo nível da plateia, apenas circundado por ela) foram os vocais dilacerantes e displicentes que ajudaram a construir a fama da banda em seu trabalho de estreia. Também ninguém se importou se o baterista original, o americano Jonny Rogoff, também não estava mais na formação. Com a ajuda do amigo James – vindo de outra banda londrina com altas semelhanças sonoras, o History Of Apple Pie – o Yuck promoveu um passeio por toda a carreira, indo dos primórdios (“Georgia”, um dos dois singles em vinil lan;cados em 2010, fechava o set list) a seis faixas estrategicamente pinçadas do mais recente álbum, Stranger Things, lançado alguns meses da vinda ao Brasil.

Durante cerca de uma hora, Max, Mariko, James e o segundo guitarrista Ed Hayes fizeram a festa dos curitibanos amantes dos bons sons alternativos. Apesar de Stranger Things ainda ser pouco conhecido suas faixas não fizeram feio, graças à conjunção das melodias com efeitos hipnóticos obtidos em pedais como os de phaser e reverb. Somente três canções de Grow & Behold, mais lentas e elaboradas em uma fase de turbulência e transição (não por acaso o disco foi recebido com mais frieza por críticos e fãs), foram tocadas e estrategicamente colocadas para o meio do repertório, provavelmente para criar um clima propício para um intervalo de respiro entre a euforia inicial e o crescendo de empolgação na parte final.

E como era de se esperar, as faixas pinçadas do primeiro álbum, batizado apenas com o nome da banda, tivera a melhor recepção da noite. Depois do pontapé inicial no set com os dois singles mais recentes, “Holing Out” e “Get Away” esquentaram a temperatura que insistia em despencar naquela noite no Arnica. Pouco depois, ninguém mais ligava para o frio sacudindo corpo e cabeça ao som de “The Wall” e “Operation” e, novamente, acompanhando a letra inteira em uníssono. Até chegar o gran finale de Georgia com sua habitual sobreposição de efeitos sonoros capaz de provocar um turbilhão de sentimentos difusos naquelas pobres almas twee já bastante inebriadas e seduzidas por uma banda ainda vivendo seus melhores anos criativos. Coisa muito rara de aparecer em uma cidade cada vez mais rendida a velharias e mesmices do rock, diga-se de passagem.

Set List: “Cannonball”, “Hearts In Motion”, “Holing Out”, “Lose My Breath”, “Get Away”, “As I Walk Away”, “Middle Sea”, “Rebirth”, “The Wall”, “Hold Me Closer”, “I’m OK”, “Operation”, “Yr Face” e “Georgia”.

 


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