Segunda Dez 10

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Rogério Skylab

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Seus vícios e obsessões, o fim da série Skylab e o desejo iminente por novas sonoridades

 

Skylab, movido a intensas obsessõesTextos por Abonico R. Smith (matéria) e Thaísa Carolina Moreira (show)

Fotos de Rodrigo Juste Duarte

 

Rogério Skylab adverte: é um absurdo identificar sua música como “humor”. “Nunca foi minha intenção fazer algo para as pessoas rirem. Se existe algo neste sentido, é puramente acidental, força do estilo. Como nas tragédias do Nelson Rodrigues”, salienta. Seu objetivo não é apenas fugir de comparações absurdas com recentes fenômenos da internet (como as banda Seminovos ou Pedra Letícia), mas sim escapar do estigma imposto às suas participações no “Jô Soares”. O cantor e compositor sempre vai ao sofá do gordo a cada lançamento e rende ótimas entrevistas, quase sempre reprisadas no começo do ano. Só que ele, entretanto, é muito mais do que aquele cara engraçado picotado pela edição do programa. “Não consigo mostrar toda a amplitude do meu trabalho no Jô”.

 

O apelido dado ao carioca Rogério Tolomei Teixeira é também o batismo da série de discos que o tornou famoso em todo o país – série esta que chega agora ao volume IX, simultaneamente lançado em CD e DVD (o primeiro da carreira). “É tudo guiado por uma estética toda masculina. São os palavrões, a morte, o sexo, a escatologia, o mau gosto”, enumera. E talvez seja exatamente por isso, por fugir de padrões e convenções, que Skylab provoque risos em quem não o conhece e conhece sua obra.

 

Skylab é movido a vícios e obsessões. “Diversão tem a ideia de diluição, de algo passageiro. Não tem intensidade”, explica ele, que trabalhou por mais de vinte anos no Banco do Brasil porque adora uma rotina seriada, faz música porque gosta de matemática, é alcuinado por futebol (torce pelo Fluminense), acha fantástico o universo dos assassinos em série também por conta disso e, à noite, gosta de ficar conversando anonimamente em chats de sexo na internet. “Passo horas de madrugada conversando nos chats. Isso é muito bom porque lá você pode ser quem você quiser: homem, mulher... Pode ser qualquer coisa. Muita gente já deve ter falado comigo lá sem saber que era eu”. Isso, aliás, enche-o de experiências, informações e inspirações para escrever poemas, histórias e letras de música.

 

Ele também gosta muito da questão de mudança do gênero sexual. Este é o tema central do romance que está escrevendo agora, que fala sobre transformação, “O travesti é isto, é a busca pelo ideal feminino e que muitas vezes chega a ser mais feminino do que a própria mulher”. E determina que este é “o” personagem do século.

 

DVD traz set longo sem erros corrigidosElogio à falha

Por causa de sua mania seriada, Skylab embarcou numa série de dez álbuns, todos diferenciados no nome apenas pelos algarismos romanos. Nada mais natural, portanto, que antes do derradeiro volume viesse um especial, dedicado a compilar uma espécie de “melhores momentos” de sua obra. Aproveitou uma performance ao vivo em São Paulo e registrou tudo na íntegra. “Está todo o show lá. São mais de duas horas de música em um disco sem Photoshop. Se houve qualquer erro, ele está lá, foi mantido. Não há maquiagem de overdubs”. Segundo ele, esta “saída do controle” proporcionada pela falha é algo de suma importância. “Faz parte do ser humano, é quando se cria algo novo espontaneamente. É a diferença, o desvio. É a improvisação na qual se fundamenta o jazz.”

 

O set de 30 canções passeia por todos os seus discos e apresenta cinco inéditas (“Show do Rappa”, “Sem Anestesia”, “Vácuo”, “Oficial de Justiça” e “Samba de Uma Só Nota ao Contrário”). Nos resgates, a fase atual ganhou mais destaque, apesar de muitos fãs idolatrarem obras mais antigas (como o volume II, que tem o hit “Matador de Passarinho”). “O VII é um disco muito importante para mim”, fala o cantor, sobre seu último álbum gravado em estúdio (na verdade, o VIII veio antes mas só saiu depois!). “Ali eu consegui chegar ao resultado que eu queria. Hoje, por exemplo, se eu ouvir o II provavelmente não irei gostar”. E ele revela que foi complicado montar o repertório para esta gravação. “Tem gente prefere esta ou aquela que acabou ficando de fora. Ficou difícil agradar a todos”, explica.

 

Também há três convidados muito especiais no nono Skylab: o paulistano e ex-Os Mulheres Negras Maurício Pereira; o fundador das bandas gaúchas Graforréia Xilarmônica e Aristóteles de Ananias Jr; Marcelo Birck; e o carioca e vocalista do Zumbi do Mato, Lois Lancaster. Os três tem algo em comum com o anfitrião do show: todos pautam suas trajetórias musicais de acordo com a livre iniciativa, não fazem concessões artísticas e gravitam totalmente à margem do mainstream e das emissoras de rádios comerciais.

  

Com o décimo volume já em processo de concepção e previsto para ser lançado daqui a dois anos, Skylab revela todo o seu desgaste com a série homônima, iniciada no já longínquo ano de 1999. “Ela vai terminar mesmo no X. Por mais que cada disco seja diferente entre si musicalmente, tenho o desejo de mudar. Quero colocar uma outra voz para descentralizar a minha. Também quero um disco limpo, sem o palavrão”, antecipa.

 

Um pouco destas mudanças já podem ser percebidas em dois projetos paralelos, também lançados em 2009. Um é o álbum Rogério Skylab & Orquestra Zé Felipe, dividido com o baixista do Zumbi do Mato. “É bem experimental e cheio de improvisações. E erros também... Pouco técnico mas muito inventivo”, define. O outro chama-se Skygirls e no qual ele é apenas parte da banda de mesmo nome. “Além de trabalhar com uma banda diferente, com a presença de duas instrumentistas, é uma temática toda feminina, dedicado à mulher”. Outras diferenças para a série Skylab: o repertório de foi gravado depois da realização de alguns shows do grupo, há o uso de sonoridades eletrônicas e segunda voz e Rogério também canta músicas que não são de sua autoria. Dica: os dois discos estão disponíveis para download gratuito na internet. “O ano de 2009 foi atípico na minha carreira. Pela primeira vez tive vários lançamentos ao mesmo tempo, tudo isso sem produtor e sem empresário”.

 

Skylab só não deixa terminar o papo sem disparar suas alfinetadas a alguns dos principais estandartes do rock alternativo de hoje no Brasil. “Estive em Londrina agora no Demo Sul e pela primeira vez pude acompanhar um show inteiro do Wander Wildner. Que decepção! Cheguei à conclusão de que o trabalho dele é uma fórmula total. É uniforme, linear. Assim como os Autoramas também são. Todas as músicas são a mesma coisa. E isso você nunca vai encontrar no meu trabalho”, dispara.

 

Ele também se irritou ao ler críticas sobre o festival babando ovo sobre os dois artistas. “Tem de ser menos pose e mais som. Mas o grande problema do rock brasileiro é a brodagem, onde o mundo privado da amizade é mais importante que o público.... Mas não, está arraigado, é uma coisa que vem do português. Vem lá do Sérgio Buarque de Holanda e o seu ‘homem cordial’”, exclama, citando um dos mais famosos estudos do historiador, jornalista e crítico literário sobre o povo brasileiro. “Isso tudo tinha de acabar, pois afeta o profissionalismo”. E quem estiver ao lado dele que experimente falar do Cachorro Grande, então...

 

No palco, com a camiseta do RadiocaosAo vivo em Curitiba

Transitando do rock ao samba, da poesia ao conto, Rogério Skylab faz composições musicais e literárias sem medo de dizer o que pensa e o que gosta, ofenda quem ofender. Fátima Bernardes, Lula, Ana Maria Braga, meninas feias, McDonalds, freiras, viciados e serial killers estão em suas letras, que são de celebração e não de ofensa, como o próprio compositor diz. Pela primeira vez, no final de novembro, os curitibanos tiveram a oportunidade de perceber tudo isso ao vivo. E um pouco mais.

 

A camiseta azul clara com o desenho de uma menina e um coração, usada por Skylab no show no Ópera 1, contrastavam com as músicas repletas de palavrões e escatologias. A camiseta é do RadioCaos, projeto radiofônico curitibano com declamação de poesias que deixou o músico e poeta encantado. Um universo de estilos estranhos e comuns faz dele um homem exótico. Não é à toa que Skylab é adorado, com muito orgulho, no cenário underground de todo o país, principalmente no Rio de Janeiro, seu local de origem.

 

Os grupos locais Trompas de Falópio, Pão de Hambúrguer e Zoidz fizeram as apresentações de abertura, mas, o local começou a receber mais gente por volta das duas da manhã, meia hora antes de o artista carioca começar o espetáculo. “Boceta Dominante ou Dominada?” foi a primeira e mostrou uma banda afinada. Bruno Coelho (bateria), Alex Curi (baixo) e Thiago Martins (guitarra) se entendiam nas notas, acordes e distorções que as composições mereciam – aliás, distorções até demais em algumas partes. Quando, na parte instrumental das músicas sua voz não era pedida, Rogério saía de cena, deixando seus músicos tocarem se recompondo bebendo água e enxugando o suor com uma toalha branca.

 

Em duas horas de show, ele explorou o palco e gesticula sem parar – muitas vezes chamando o público para cantar. Em outras, levantou uma das mãos para o alto. As pessoas não deixaram por menos e interagiram bastante – jogaram cigarros no palco durante a música “Tem um cigarro aí?” e pediram algumas músicas. Skylab só atendeu uma vez com “Eu Tô Sempre Dopado”, penúltima a ser executada.

Roupas pretas predominavam na platéia. Era como se os roqueiros fãs de Skylab estivessem em casa. Estavam tão à vontade que, enquanto Skylab cantava, eles se esmurravam em rodinhas. Quatro jovens subiam no palco. O primeiro deu um mosh. Os outros dois dançaram ao redor do cantor, pegaram os cigarros do chão e desceram. O último colocou um quadro pintado à mão com o desenho de uma arma atirando num pássaro. A homenagem era também um pedido explícito para ouvir “Matador de Passarinho”, paródia da “Passaredo”, clássico da MPB composto por Chico Buarque e Francis Hime, em que há várias espécies do animal e todas são mortas. Apesar de não ser seu melhor trabalho, este é, indiscutivelmente, seu maior sucesso. E é com tal hit que Skylab encerrou a noite, agradecendo aos presentes.

 

Mesmo com duas horas de apresentação, alguns clássicos acabando ficando de fora do set, como “Câncer no Cu”, “Motosserra” e “Convento das Carmelitas”. Alguns tentaram pedir bis, mas quem conhece Rogério Skylab sabe que é assim mesmo: nada de bis! Mas, tudo bem, a gente só perdoa porque há sugestões de outros retornos à capital paranaense: “Quem disse que curitibano é frio? Nunca vi uma plateia tão quente. Sinto saudades já”, elogiava o artista depois. Fanático por futebol e torcedor do Fluminense, ele ainda se despediu de Curitiba na Arena da Baixada, vendo o Atlético Paranaense ganhar de 2 a 0 do Botafogo. E não há dúvidas de que isso fez o tricolor Rogério Skylab gostar ainda mais da sua primeira passagem por aqui...

 

Set: “Boceta Dominante ou Dominada?”, “Carne Humana”, “Fátima Bernardes Experiência”, “Corpo e Membro Sem Cabeça”, “Semana Passada”, “Tem Cigarro Aí ?”, “Banco da Praça”, “Eu Roubei a Gravata”, “Você Vai Continuar Fazendo Música?”, “Aquela Coisa Toda”, “Carrocinha de Cachorro Quente”, “Ratos”, “Homem do Mal”, “Você é Feia”, “Quer tc Comigo?”, “Eu Tô Sempre Dopado” e “Matador de Passarinho”.

 

>> Veja o clipe de "Você Vai Continuar Fazendo Música?", extraído do DVD Skylab IX


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Comentarios (3)Add Comment
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...
escrito por H1N1, 14 de dezembro de 2009
O Skylab IX foi gravado em São Paulo, não no Rio como diz o texto.
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Correção
escrito por abonico, 14 de dezembro de 2009
A informação já foi corrigida no texto. Obrigado!
0
...
escrito por Rafael M>, 14 de dezembro de 2009
O maior público do Skylab está em São Paulo, e não no Rio. Isso pode ser comprovado em seu blog.

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