Arquivo
Nirvana
Escrito por Abonico Qui, 10 de Dezembro de 2009 01:39
Twittar este Artigo
DVD traz registro integral do show histórico que a banda fez no Reading Festival no verão britânico de 1992
Texto por Abonico R. Smith
Fotos: Reprodução
Noite de domingo, 30 de agosto de
Aquele show de encerramento do Reading não era apenas o gran finale da participação da banda em toda a temporada britânica de verão. Era também a despedida oficial do Nirvana para os seus fãs da ilha. Depois dali, a banda partiria para correr outros continentes (América do Sul inclusive, com duas históricas noites no Brasil em janeiro do ano seguinte) e demais países europeus em meio a diversas confusões internas que levariam à iminente desintegração da banda e ao suicídio de Cobain no começo de 1994. E o trio retribuiu à altura, com uma apresentação que entrou para a história.
O DVD Nirvana Live At Reading (Geffen/Universal), enfim, ganha as lojas de todo o mundo neste pré-Natal trazendo oficialmente e na íntegra o tal show. Dezessete anos depois sacia a sede dos fãs pelo material que flagra no seu auge a mais importante banda do planeta no final do século. Dá até para perdoar a mais completa falta de extras (sim, é apenas o show e só) e relevar o design de imagens feito nos moldes do finado VHS. Este é, sim, o documento que faltava para não deixar mais dúvidas de como ao vivo aquela formação era demolidora (em todos os sentidos, alías).
O grande destaque do DVD é mostrar Kurt Cobain ainda em pleno domínio de toda a situação. Se em menos de dois anos dali em diante toda a sua trajetória profissional e pessoal se degringolaria por completo, no palco do Reading, regendo e hipnotizando uma massa por completo, Kurt sabe cada passo que dá, cada nota que cospe em sua guitarra, cada palavra que diz. Faz o povo dizer em uníssono “nós amamos Courtney” (santa ironia...) por causa do nascimento da filha Francês Bean doze dias antes, sai do palco com cigarro na boca e dando conselhos a um fã mirim para nunca fumar e brinca de tocar o início do hino norte-americano após a imolação de sua guitarra (tal qual Jimi Hendrix deixaria eternizado em Woodstock em 1969) durante a habitual sessão de destruição de instrumentos e aparelhagem de palco
Nevermind quase todo
O set se equilibra entre quase a íntegra do festejado e arrasador Nevermind (que catapultou o grupo ao megaestrelato e primeiro lugar nas paradas e vendagens logo após o seu lançamento em setembro do ano anterior) e várias faixas da coletânea Incesticide (que seria lançada meses depois, em dezembro, trazendo diversas covers e raridades gravadas antes da fama para EPs, compactos e álbuns especiais). A plateia se esgoela em clássicos como “Breed”, “Lithium”, “Stay Away”, “In Bloom”, “Sliver” e “Come As You Are”. Em “Smells Like Teen Spirit”, hora para uma traquinagem de Kurt. Ele começa tocando “More Than a Feeling”, da banda setentista de rock radiofônico Boston e assim segue por um minuto até inverter do nada os acordes e realmente começar a tocar o megahit do Nirvana.
O repertório também pinça algumas momentos do álbum de estreia Bleach (que a Sub Pop acaba de relançar em luxuosa edição especial de vinte anos, com um segundo disco trazendo gravações ao vivo da época em que o Nirvana era só mais uma empolgante do underground de Seattle). Basta contrabalançar a beleza melódica de “About a Girl” com o peso de “Negative Creep” e “Blew” para perceber o quão poderoso já era o Nirvana desde o início.
Mas o melhor daquela noite fica com a antecipação de três músicas que o mundo só viria a conhecer um ano depois, com o lançamento do conturbado álbum In Utero. São elas a esporrenta “tourette’s”, a irônica “Dumb” e a surpreendente “All Apologies”, que aqui aparece bem mais pesada do que quando gravada para o disco. E ainda sobra para o resgate de heróis esquecidos do punk americano, com o Nirvana revivendo as bandas Wipers e Fang nas respectivas covers de “D-
Cadeira de rodas
No final do bis, quando acaba o hardcore “Territorial Pissings”, vem o tradicional quebra-quebra no palco que leva o público ao delírio – e põe Grohl em tal estado de alucinação que ele acaba se destacando mais do que Cobain na arte do autovandalismo ao destruir o seu kit bateria. O momento mais marcante desta noite em Reading não é o encerramento apocalíptico. Pelo contrário. É justamente o começo...
De roupa de hospital e peruca loira, Kurt é levado ao palco em uma cadeira de rodas guiada pelo amigo e jornalista Everett True, que fez para o semanário Melody Maker a matéria que chamou a atenção do mundo inteiro para o Nirvana, o grunge e o rock de Seattle. Krist anuncia ao microfone que o vocalista está cheio de dores mas vai tentar fazer o show assim mesmo. Ele levanta-se canta um verso de amor e despenca para trás, deixando todo mundo em breve estado de estupefação. Mas logo voa para sua guitarra e dá ínicio à destruição sonora na forma de 25 músicas.
Toda esta encenação sarcástica se deu porque na semana que antecedeu o festival correu os tablóides sensacionalistas britânicos alimentaram o boato de que o vocalista teria sido internado para tratar de problemas mentais. É bom lembrar que este seria apenas o ponto de partida para os constantes ataques pessoais que a imprensa faria ao músico até a sua morte...
>> Assista aos clipes de "All Apoogies" e "Smells Like Teen Spirit", ambos extraídos de Live At Reading DVD
- 26/12/2009 00:49 - Feira Música Brasil – Ao vivo
- 11/12/2009 15:32 - Rogério Skylab
- 04/12/2009 21:06 - Dirty Projectors – Ao vivo
- 04/12/2009 18:12 - Beach Boys – Ao vivo
- 01/12/2009 21:18 - Mallu Magalhães

| < Anterior | Próximo > |
|---|





