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Mallu Magalhães
Escrito por Abonico Ter, 01 de Dezembro de 2009 21:18
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Novo álbum revela maturidade e surpreende por passear por folk, reggae, MPB e psicodelia
Texto de Elson Barbosa (gentilmente cedido pelo portal Bis)
Foto de João Wainer (Divulgação)
Mallu cresceu. Um ano após o hype da artista-adolescente-que-canta-em-inglês, de "Tchubaruba" na propaganda de jeans e de uma certa saturação de imagem, ela volta agora com Mallu Magalhães, segundo álbum, maduro e consistente.
Talvez seja a idade quase adulta (16 para 17 anos é um passo enorme em qualquer pessoa), talvez pela proximidade de artistas de primeiro time (o namorado Marcelo Camelo, o produtor Kassin), ou talvez pela própria consciência artística cada vez mais forte, essa pausa de um ano fez bem à artista. Diferente do primeiro álbum, de 2008 e no qual os folks ingênuos abriam pouco espaço para músicas mais sérias (como "Noil"), em seu novo álbum, prometido para chegar às lojas esta semana, Mallu mostra a face contrária. É a maturidade artística deixando mostrar alguns poucos momentos adolescentes.
O que mais chama atenção é que o trabalho aponta para todas as direções. Não tem uma música parecida com a outra. Boogie ("My Home Is My Man"), reggae com vocais doo wop ("Shine Yellow"), MPB com clima setentista ("Versinho de Número Um"), balada ao violino ("É Você Que Tem") convivem com momentos menores do folk country ao estilo do primeiro disco ("Nem Fé Nem Santo", "Ricardo", "Soul Mate").
Não só o repertório amadureceu, mas também em voz. Mallu parece não cantar tão solta quanto no primeiro disco. O que era espontaneidade agora virou uma interpretação mais séria, até triste ("Make It Easy") e por vezes sonolenta ("É Você Que Tem", "Te Acho Tão Bonito"). Mas o que surpreende no trabalho é a ousadia. "Bee On The Grass" exala uma psicodelia beatle/mutante com diversas mudanças de arranjo e trechos soterrados em efeitos. "O Herói, O Marginal", essa com a participação da banda Jennifer Lo-Fi, começa como um reggae praieiro e guitarras em reverb para cair em uma viagem instrumental lisérgica e surpreendente pela qualidade.
Mallu Magalhães (o disco) talvez não tenha um hit tão certeiro quanto "Tchubaruba" ou "J1". Mas é o trabalho de uma artista cada vez mais madura e consciente de seu talento, tendo uma banda competentíssima por trás executando suas ousadias. A artista tem potencial e bons padrinhos artísticos para integrar um time cada vez mais restrito de primeiro escalão da música brasileira. "Bee On The Grass" atesta: Mallu ouviu os discos certos.
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