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Novaiorquinos brincam com texturas e vozes femininas para encantar a plateia paulistana

 

Longstreth, o divertido maestro da noiteTexto por Gustavo Bresler (gentilmente cedido pelo site Move That Jukebox)

Fotos de Diego Maia

 

Quarta, 2 de dezembro de 2009.Em uma Clash calorosa e semivazia, o espetáculo começa. A competente banda Holger abre a noite com entusiasmo, se divertindo bastante e trançando pelo palco. Esforços ignorados pela apática plateia, que se encosta pelas paredes da casa, demonstrando nada além da expressão blasé característica dos seguidores do hype, negando até mesmo os insistentes pedidos da banda por palmas. Mas nada abate o quinteto, que segue bailando entre os instrumentos, encenando coreografias e criando um ambiente que poderia muito bem ser visto em um videoclipe de Born Ruffians ou Vampire Weekend.

 

A ansiedade agora toma conta. O show já está atrasado em meia hora e os técnicos aparentemente ainda tentam regularizar o sistema de som. Mas a imprevisibilidade é intrínseca aos Dirty Projectors e, sutilmente, dois integrantes sobem ao palco. Enquanto Dave Longstreth dedilha em sua guitarra os primeiros acordes da serena “Two Doves”, Angel senta-se em uma banqueta e prepara-se para entoar com sua voz deveras angelical os belíssimos versos da canção. A plateia já não é a mesma – se outrora se mostrava indiferente, agora se desmancha com a beleza da composição e em ovação recebe o restante da banda e seus primeiros sorrisos. A festa continua com as harmoniosas “Cannibal Resource” e “Remade Horizon”, destacando a impressionante capacidade vocal do trio feminino.

 

Amber e Haley, duas das vocalistasDoces harmonias vocais

Após piadas e trocadilhos de um Dave bem humorado e esbanjando simpatia, segue-se uma jam pesada e cheia de barulho. Distorções, vozes ecoando, ressonando, melodias orgânicas, batidas fortes e cruas criam uma sobreposição de camadas e texturas inconcebíveis e inacreditavelmente harmoniosas. Amber, Angel e Haley enchem o local. Suas vozes já não são simples fonemas, mas instrumentos complexos e inspirados.

 

Carismático e modesto, Longstreth ainda encontra fôlego para acanhar os presentes: “We feel a little bit awkward playing here in Brazil.. I mean, you, guys, can do anything! Brazil is the most musical country in the world! That’s what we can do and we feel very grateful to be playing here.” (ai, para, vai! hihi)

Realmente é muito fácil orquestrar uma guitarra como ele. not.

 

O show continua com um combo matador: “No Intention”, a famosa “Stillness Is The Move” e “Usueful Chamber”, a última com direito a um toque esquizofrênico que faz todos chacoalharem ao coro de “Bitte orca, orca bitte!”. Nem o mais blasé resiste. Uma verdadeira catarse.

 

O maestro da noite agradece ao público, à banda e quase mata alguns do coração dizendo que este seria o último show deles… (pausa interminável) em 2009. (ufa!)

 

Eles deixam o palco, mas o reverberar da mágica guitarra branca entrega um encore. E assim é. Voltam para explodir a Clash com “Temecula Sunrise” e recolher os cacos com a linda “Knotty Pine” da coletânea Dark Was The Night. Aposto que David Byrne daria tudo para poder acompanhá-los nesse show. Emocionada, a banda agradece novamente e diz que espera poder tocar novamente no Brasil em breve. Nós também.

 

PS: Interessante destacar que, avessa aos péssimos costumes tupiniquins de separar a banda do público por gorilas alfabetizados, a Clash trouxe a grade para junto do palco, permitindo aquela intimidade maior, como deve ter mesmo um show deste porte.


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