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Quarteto não decepciona no segundo álbum mas perde aquela sensação do ineditismo da estreia

Vaccines e a chegada da idadeTexto por Brenda Lee Follador

Foto: Divulgação

Não inventaram ainda uma fórmula exata sobre como fazer sucesso com uma banda. Alguns grupos demoram anos e apresentam vários álbuns, mas só alcançam o seu auge quando já possuem um belo histórico nas estradas, enquanto outros lançam seu trabalho via internet e em poucos dias já são fenômenos globais. Este último exemplo é o caso do quarteto Vaccines, que estourou nas redes em pouco tempo e agora volta, dois anos depois do início de carreira, com o segundo álbum, Come Of Age.

Com apenas um ano de banda o Vaccines já havia lançado What Did You Expect From The Vaccines?, que chamou imediatamente a atenção de pessoas importantes da mídia inglesa, tendo então prontamente o elegido como a nova promessa dos anos 10. Tão forte foi o bafafá em torno do álbum, que eles logo ganharam o prêmio de “Melhor Talento Emergente” no Quintessentially Awards, o de “Música do Dia” da Q Magazine e o de “Banda de 2011” no MTV Awards.

No começo deste ano, os ingleses decidiram apostar novamente suas fichas e gravaram o segundo álbum, que contou com a ajuda do produtor Ethan Johns, responsável por trabalhos brilhantes de outras bandas e ainda ganhou o Brit Awards 2012 de “Melhor Produtor Britânico”. Um estúdio na Austrália foi o local escolhido, por ser repleto de paz e tranquilidade, além de ser reaproveitado para as férias do vocalista. Justin Young necessitava de um tempo para recuperar sua voz debilitada – afinal, fora operado três vezes em um espaço de tempo de apenas nove meses.

O título do novo álbum veio da letra de “No Hope”, o primeiro single lançado e que já possui clipe (aliás, o Vaccines faz clipe de quase todas as suas faixas). A música abre Come Of Age com riffs ágeis, espírito enérgico, letra sentimental e a impressão de que nada na sonoridade foi alterada. Mas com o passar das outras faixas, pode se chegar à conclusão de que as novas canções carregam mais seriedade e sentimentalismo, tanto na parte letrada quanto na melodia. E esta foi a intenção do Vaccines: fazer um registro mais íntimo, porém com o mesmo ar de jovialidade e intensidade de sempre. “I Always Knew”, “All In Vein” e “Weirdo” são introspectivas, com vocal adocicado e duração maior. Já “Teenage Icon”, “Ghost Town” e “Change Of Heart pt. 2” são bem trabalhadas, lotadas de pedais e rápidas. Mas as que mais chamam a atenção são “Bad Mood”, que é inspirada no punk e traz peso aos ouvidos, e “Aftershave Ocean”, balada meio beatle que começa calma e vai crescendo, tomando forma, se movendo. As duas são boas candidatas a outros ótimos singles do grupo.

Infelizmente, a expectativa fica meio em vão, já que todo mundo esperava mais do Vaccines. Quando Come Of Age chega ao fim, a satisfação chega mas com aquela impressão de que algo está faltando. Falta é a intensidade e a sensação maravilhosa de ouvir What You Expect From The Vaccines? do começo ao fim, sem pestanejar e clicando várias vezes no repeat. Será que a banda realmente é a revelação dos anos 10? O jeito é esperar para ver.

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