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Dengue Fever – ao vivo
Escrito por Abonico Qua, 01 de Agosto de 2012 01:59
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Grupo americano incendeia os paulistanos com poderosa mistura de rock com a música cambojana
Texto e foto publicados originalmente em LineUp Brasil
A Mostra Sesc de Artes encerrou no domingo 29 de julho com o excelente show do Dengue Fever, dos irmãos Ethan e Zac Holtzman e a bela vocalista cambojana Chhom Nimol. A banda faz um psycho-rock dançante, diretamente ligado com os anos 60 e 70, quando o encontro com a cultura ocidental (graças à guerra com o Vietnã) fez florescer no Camboja um rock’n’roll apimentado com os vocais típicos daquela parte da Ásia.
O Dengue Fever já tem dez anos de estrada e cinco álbuns gravados, mas conserva um quê de banda iniciante, muito pela timidez de Nimol, que não nega seu passado de cantora de karaokê. Isso não é nenhum demérito, veja bem: o Camboja tem uma tradição musical de cantores amadores e não raro é possível encontrar verdadeiras virtuoses acompanhadas de um tecladinho midi. É o caso de Nimol. Num trinado de ave-rara, a moça alcança belos tons agudos, levando a plateia a uma viagem instantânea para a Ásia. A banda que a acompanha compensa o gestual contido da moça: o baixista Senon Williams não poupa reboladas e explora o palco todo, muitas vezes acompanhado pelo enfurecido saxofonista David Ralicke.
O show começou com as canções mais tradicionais, cantadas em Khmel, a língua falada no Camboja, e foi se acidificando gradativamente. Pouco a pouco o rock entrou com mais peso, e logo o guitarrista Zac já estava fazendo duetos em inglês com Nimol, um pouco mais solta com o microfone em punho.
Acompanhando os dois, lá no fundo do palco estava Ethan, o criador da banda. Totalmente tímido, ele tocava o teclado que dá o molho especial para a mistura cambojana e acompanhava as canções cantarolando, embora não tivesse microfone. Foi ele quem primeiro se encantou com a música asiática, durante uma viagem nos anos 90. Ele relembra a história: “Eu não imaginava que isso ia acontecer quando fui viajar. Foi uma surpresa pra mim. Eu estava na Ásia e fui comprando alguns instrumentos, no Vietnã, no Camboja… Encontrei umas fitas K7 de música cambojana e trouxe para os Estados Unidos. O Zac tinha se mudado de São Francisco para LA e juntos fizemos uma coletânea com as fitas, chamada Electric Camboja. A coisa foi ficando maior pra gente à medida que fomos conhecendo mais sobre a música cambojana, sobre a história do Camboja e sobre o que aconteceu com os músicos de lá. O momento de virada foi quando a banda toda viajou pra o Camboja. Nós éramos os primeiros ocidentais a voltar lá e tocar aquelas canções, desde que o Khmer Rouge (regime comunista que governou o país nos anos 70) proibiu essas canções e assassinou os músicos que as compuseram.”
A viagem continuava no palco, com ares de trilha sonora de filme vintage de detetive. Em “A Gogo”, o público perdeu a timidez e cedeu aos apelos de Nimol, abandonando as cadeiras do auditório. No palco baixo do novíssimo Sesc Bom Retiro, o show virou uma festa democrática com o público dançando praticamente junto com a banda. O auge da apresentação foi sem dúvida o hit “One Thousand Tears Of A Tarantula”, que entrou na trilha sonora do seriado Weeds. Infelizmente, foi a última música do set list e restavam apenas as duas músicas do bis para a galera se acabar dançando.
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