Arquivo
Bruno Morais – ao vivo
Escrito por Abonico Qui, 30 de Agosto de 2012 00:14
Twittar este Artigo
Depois de oito anos sem cantar em Curitiba, cantor paranaense mostra toda a sua química no Paiol
Texto por André Mantra (Blog Cena Low-Fi)
Foto: Vinicius Grosbelli
A mais recente edição do projeto Radar – A Nova Música Brrasileira nos 40 anos do Teatro Paiol levou ao palco pela primeira vez um paranaense que havia mais de 8 anos não se apresentava musicalmente na capital Curitiba. Acompanhado por uma (super)banda formada por grandes amigos que se divertiram tanto quanto o londrinense, Bruno Morais apresentou um set de 15 canções para um Paiol que, mesmo sem a lotação dos 220 lugares, contou com uma plateia participativa e vibrante, como a de um estádio de futebol em dia de clássico.
No show – que também contou com a cenografia do Emerson Minaif e a iluminação de Elisa Ribeiro – pôde-se notar um bom número de objetivas, o que demonstra maior presença da (nova) mídia em shows de artistas brasileiros que ajudam a inovar a música produzida no país. É justamente essa a relevância do trabalho de Bruno, que colhe e distribui bem os seus frutos por saber exatamente onde deve ser metódico ou pragmático, mostrando-se também consciente da importância dos momentos de liberdade criativa ou dos improvisos a partir do reconhecimento de suas limitações. A cada trabalho fonográfico fica mais evidente a tese, mas, sem dúvida, é no palco que essa química já aparece muito bem balanceada, provocando reações ainda mais agradáveis para quem literalmente paga o preço para vê-lo e ouvi-lo.
A noite de 23 de agosto no Paiol começou por uma sequência de quatro canções do (segundo o próprio seu único e) mais aclamado álbum, A Vontade Superstar: “Hoje Eu Vou Te Acordar”, “A Vontade”, “O Mundo é Assim” e “Bombeiro Vermelho”. A cada duas músicas executadas, um papo breve com o público – nessa altura a voz sussurrada contrastava com o pique do cantor, produtor e compositor paranaense no palco, que mais parecia um menino largando das mãos superprotetoras dos pais por alguns segundos.
Antes de prosseguir o show, um comentário sobre o álbum de 2009 e aos acordes do violão de Estevan Sinkovits começou a ser executada a canção “Ela e os Raios” (do compacto Estúdio A.2). Na sequência, o suingue brasileiro de “Do Inferno” e na releitura de “Pode Sorrir”, do mestre Nelson Cavaquinho, se ouvia uma linha vocal mais descontraída por parte da atração da noite, muito bem marcada pelas palmas da plateia e dos vocais da banda em um momento de pura descontração. “Planos” foi centrada na troca de olhares entre os músicos que deram ainda mais groove no arranjo, resultado de MPB + dub + Jazz e, claro, de mais um show particular do trio de metais (formado por ninguém menos que Richard Fermino + André Sanders + Didi do Trombone).
O set seguiu com “Valha-me” (do primeiro trabalho solo, que, na visão do artista é mais “uma espécie de demo”) e logo depois “Sorriso Dela”, do tremendão Erasmo Carlos. Por sinal, outra releitura muito feliz de uma das músicas com maior ênfase no afro-beat (graças à colaboração do Bixiga 70 no fonograma) e muito bem representada pela banda, que ainda conta com o produtor Guilherme Kastrup (bateria, percussão, vocais e programações) além do carismático baixista Ricardo Prado.
A esta altura o auge da apresentação estava a ficar mais evidente com a execução de “Continuar”. Sim, mais uma faixa de A Vontade Superstar, o álbum. Outro momento de um vocal mais emocionado acompanhando a desenvoltura de Bruno Morais no palco – seguido por “O Mundo Vai Me Convencer” e “Cidade Baixa”. Surgiu aí o momento “bis”, quando o público fez questão de demonstrar a vontade de ouvir mais do artista que ali se apresentava, sem ninguém arredar pé do teatro (como muitas vezes acontece, inclusive, em shows muito bacanas). Pois bem, aí vieram, sob muita concentração, “Bichinho do Sono” – com um arranjo muito lindo com alternâncias de intensidade dos músicos – e, para sacramentar a bela noite, um bis da música “A Vontade”.
E assim foi quarta edição do projeto Radar, que nesta temporada contará com nove noites ao todo. Aos olhos de quem vos escreve, parece que para manter esse panorama mensal da nova (e ótima) música brasileira no Teatro Paiol (ou em qualquer palco curitibano) precisa- se ampliar o público, que, apesar de esparso, já mostra-se antenado e apaixonado a cada evento. É bacana ver que até quando o show acaba o público participa conversando com o artista no backstage e consumindo os produtos oferecidos para a venda (incluindo vinis, quando vivemos em plena era do Iphone 4, internet banda larga, memes e redes sociais). Vida longa ao Verdura Produções (de Beth Moura & Cia) e aos parceiros do Yá Yó (do Aly Maltaca). Vamos chegar junto, galera! Curitiba merece mais artistas bacanas que representam muito bem a (nova) música brasileira (autoral).- 31/08/2012 00:39 - Vaccines
- 30/08/2012 01:28 - Ringo DeathStarr + Subburbia + Espiral de Bukowski
- 27/08/2012 22:21 - Maroon 5 – ao vivo
- 25/08/2012 23:55 - Cat Power
- 25/08/2012 23:14 - XX
- 23/08/2012 01:52 - Lobão – ao vivo
- 23/08/2012 00:36 - Alanis Morissette

| < Anterior | Próximo > |
|---|











