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Wander Wildner

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Mais romântico do que brega e menos punk do que nunca, cantor e compositor gaúcho inaugura nova fase com visual inspirado em Hunter Thompson e raízes fincadas na Música Popular Gaúcha.

Helena Nacinovic

 

Eterna alma gonzo

Texto de Tiago Ben Agostini

Foto de Helena Ncinovic

A primeira mudança óbvia é no visual, agora mais clean - as camisas havaianas floridas e as calças estampadas dão lugar a camisas brancas e calça preta de couro. Depois, a mais significativa vem no som, mais romântico do que brega e menos punk do que nunca, com significativas raízes na distante MPG (Música Popular Gaúcha). Isso em disco, porque ao vivo o que vale mesmo é a energia. E Wander Wildner, o ex-punk-brega-agora-gonzo, tem isso de sobra.

Na verdade, toda essa mudança é, para Wander, apenas uma invenção dos jornalistas. "Ela (a mudança) está sempre acontecendo. Não me vejo como um cantor ou como um punk-brega, como as pessoas me vêem. Eu não sigo nenhuma cartilha ou forma pré-estabelecida". É assim que ele começa a conversa. De fato, Wildner é o cantor que se notabilizou por uma independência total e irrestrita durante boa parte de sua carreira. De vocalista de uma das principais bandas punks nacionais da década de 80 (Os Replicantes), virou iluminador de shows até entrar na carreira solo. E, por mais que queira negar, sempre foi conhecido pela persona do punk-brega, que ele até pode ter criado involuntariamente.

Em todo esse tempo de carreira solo - lá se vão 12 anos do lançamento do primeiro disco, Baladas Sangrentas - Wander foi praticamente um "cavaleiro solitário", viajando sozinho pelo Brasil e montando suas bandas de apoio nos lugares onde tocava - quando não havia a tal banda de apoio, o show era solo, violão e voz. "Eu tenho de fazer tudo. Depois de compor a musica, preciso encontrar pessoas para me acompanhar, gravar, produzir o disco, lançar, divulgar, fazer shows... É um puta trampo! Eu sou muito mais produtor do que cantor. Passo mais tempo produzindo do que cantando. Sou um artista amador. Ou seja, faço o que faço por prazer. Não sou profissional, porque teria de ser competitivo e isso eu não sou"

No novo álbum, La Canción Inesperada, a intenção era ter uma dinâmica diferente dos anteriores. Apesar do começo mais punk-brega com a versão de "Um Bom Motivo", cover da banda catarinense Stuart, as músicas vão tomando novos caminhos. "Chamei o Berna e o Kassin para produzirem porque queria que cada uma tivesse uma cara", explica. As bases foram gravadas por Wander, Flu (ex-DeFalla) no baixo e Barba (ex-Los Hermanos) na bateria. Depois, os produtores tiveram liberdade para mexer como quisessem no material. "Queria que cada música do disco fosse inesperada. E são! Esse disco sai daquela concepção simples de música de banda de rock com vocal, guitarra, baixo e bateria. É um disco mais trabalhado", orgulha-se.

Apesar de atender às expectativas do músico, o trabalho acaba soando um tanto quanto irregular. Apesar das boas versões da já citada "Um Bom Motivo" e de "Without You", (regravação do Badfinger), além da inédita "La Canción Inesperada", o álbum, ao querer soar diversificado se perde em sonoridades insossas. Bons exemplos são mais regravações, as de "(Não contavam com) Os Pistoleiros", da banda catarinense Os Pistoleiros, e de "Amigo Punk", um dos maiores clássicos do rock gaúcho na voz da Graforréia Xilarmônica. Na verdade, pela própria quantidade de versões (sete, número grande mesmo para um artista que sempre incluiu covers em seus álbuns) o disco parece um tanto preguiçoso.

No entanto, em cima de um palco, que é onde Wander sempre foi mais forte, não tem nada desse papo. Apesar de o show pegar fogo mesmo com os clássicos (o que é meio óbvio) - "Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", "Eu Tenho Uma Camiseta Escrita eu te Amo", "Bebendo Vinho", "Lugar do Caralho" e tantos outros -, a banda é competente e contagia. "Queria um show com mais dinâmica, com mais espaço para a música. Ir além do rock!" Tanto consegue que em algumas apresentações "Eu Não Consigo..." e "Eu Tenho Uma Camiseta..." são tocadas em (per)versões que lembram marchinhas - de carnaval para uns, de alemão para outros. E só Wander para fazer indies e punks dançarem um e um em pleno Sesc Pompéia....

Agora o cantor leva em frente sua turnê de divulgação do novo álbum. Em breve deve estrear uma temporada de shows todas as quartas-feiras no bar Astronete, em São Paulo. E também participa de um curta-metragem sobre o gonzo, o novo personagem criado. "A influência do Hunter Thompson tem a ver com a visão política das coisas. Ele não fazia concessão em nada, escrevia do jeito que via as coisas." Assim é Wander Wildner. Sincero e, principalmente, independente.


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Comentarios (1)Add Comment
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escrito por tidus, 28 de julho de 2009
cara não concordo, acho o album La Canción Inesperada muito bom, é minha opinião, li não sei onde que o wander deixou pra traz esse lado "romantico" do la canción e agora vai mudar um pouco pro próximo, algo mais punk, é esperar pra ver, e na boa num achei muito legal o show dele aqui em curitiba em 2008, ele tava muito chapado, vai ver foi isso também, e acabei nem indo no de março de 2009, mais sou fã e adoro ouvir o som dele!

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