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Onde quer chegar o grupo que ousou encarar uma multinacional nestes tempos de independência ou morte?

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Mudanças de comportamento

Texto de Abonico R. Smith
Foto de Lucas Bori/Divulgação

A ironia sempre foi um elemento imprescindível ao rock´n´roll. Parte integrante de sua história desde o surgimento, ela rege letras, declarações, entrevistas e muito da atitude de seus astros, justamente por ser um gênero onde o choque sócio-cultural e a quebra de barreiras e paradigmas contam tanto quanto (e em certos casos até muito mais) do que a própria música.

O Moptop é hoje, no rock produzido em território verde-e-amarelo, um dos maiores adeptos da ironia. O quarteto carioca já usou e abusou dela para em seus cinco anos de estrada, desde que optou por cantar na língua pátria e sobretudo depois que, fazendo o caminho inverso de quase todos os seus contemporâneos, abandonou a independência para assinar contrato com a multinacional Universal - há dois anos, quando soltou seu álbum de estréia, epônimo, chegou a causar zunzunzum por causa de um vídeo fake colocado no YouTube, durante o qual os músicos zoavam com a situação e brincavam de dar declarações-falsas-que-parecem-ser-verdadeiras.

Agora o Moptop volta a usar a ironia recurso principal ao lançar o segundo álbum, Como Se Comportar, que chega às lojas nesta semana. Tudo já começa no próprio título. "Foi mais uma brincadeira com todas aquelas inseguranças que assombram qualquer banda no segundo disco. E o engraçado disso é que nós quatro estamos muito mais confiantes com esse trabalho.", explica o guitarrista Rodrigo Curi.

Contudo, o batismo que pode soar também uma resposta "suave" aos constantes detratores - quem acompanha a carreira do Moptop sabe que a boa parte do público alternativo (em especial, o carioca) tacha o grupo como mera cópia dos Strokes, não engoliu muito bem o trabalho de estréia e ainda fez a credibilidade dela ser posta em xeque por causa de sua repercussão mínima e vendagem inexpressiva, tanto em "disco físico" quanto em ações digitais.

Segundo o baterista Mario Mamede - o integrante que mais fala, muitas vezes muito mais do que o próprio vocalista/guitarrista Gabriel Marques - a decisão de trilhar uma trajetória mais pop foi uma escolha bem consciente dos quatro. Ele garante que o equilíbrio foi sempre o principal objetivo do grupo. "Claro que nós gostamos da sonoridade indie, da sujeira, de garagem. Mas também acreditamos no negócio. Chega até a bater um certo saudosismo daquele clima dos anos 90, em que você tinha as bandas tocando no Chacrinha ou naqueles programas da Manchete", explica, mostrando que ainda pode ser possível buscar um espaço no mainstream sem abrir mão do que você é e daquilo em que acredita.

Raízes alternativas
Por tudo isso, a grande polêmica deste álbum pode estar centrada na assinatura da produção artística. A banda revela que assim que recebeu da gravadora a indicação para produzir o álbum bateu uma certa estranheza. Afinal, o galês - que tocava em um grupo chamado Bliss (que estourou no Brasil com apenas um hit, "I Hear You Call", por causa de uma propaganda de famosa marca de cigarros) e está radicado no Brasil desde a década passada - já assinou trabalhos de nomes como Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Cidade Negra e Negra Li. Isto é, com direcionamento muito mais pop e voltado para o mercado do que uma banda oriunda da cena indie e com som baseado apenas na soma de duas guitarras, baixo e bateria.

Contudo, a chacoalhada inicial não resistiu à primeira conversa com Ralphes. "Ele não só adorou nosso som como disse que nunca havia tido a oportunidade de trabalhar antes aqui com algo mais underground. E acabamos descobrindo ainda que antes do Bliss ele tinha uma banda cujo nome foi tirado de uma música dos Buzzcocks, que ele adora o punk rock britânico. Então, acabou rolando toda uma identificação durante o trabalho de produção de Como se Comportar. Ele nos passou muitas orientações importantes de como agir no estúdio. Por exemplo, o fato de não tocar todo mundo ao mesmo tempo ou precisar esconder a voz no meio das guitarras", lembra o baterista.

Como se Comportar é um disco mais enxuto. "Está com um instrumental mais preciso que os anterior. Fizemos todos os arranjos pensando principalmente em soar bem ao vivo. E para criar uma dinâmica maior nas músicas com apenas nós quatro tocando, era preciso saber a hora certa de tocar. Só que o curioso disso tudo é que usamos guitarras e baixos bem mais distorcidos desta vez", adiciona Rodrigo. Quem ouvir vai notar muita diferença em relação ao anterior. As guitarras estão mais altas, por exemplo. Há musicas mais lentas e também há mais rápidas, aquela coisa do nem barro nem tijolo", ressalta Mário.

Variedade e maturidade
De fato - e contra as previsões dos detratores do primeiro álbum - o leque sonoro se abriu. O Moptop de hoje é mais parecido com aquela banda de cinco anos atrás, que ainda cantava em inglês e tinha outro nome, Deluxe. Isto é, aquela cara pós-punk (batidas dançantes, baixo marcado, guitarras furiosas) resgatada pela geração Strokes permanece, claro, porque faz parte da identidade e da formação musical dos quatro músicos. Agora, contudo, o espaço também acaba sendo cedido a outras referências sonoras.

"A gente achava difícil criar uma unidade musical forte com tanta variedade. Então, optamos por restringir o repertório do disco anterior. Além disso, eram aquelas músicas que soavam melhor ao vivo", afirma Rodrigo. "Agora estamos vivendo outro momento, com um pouco mais de maturidade e uma certa necessidade de arriscar. Conseguimos criar uma identidade mais forte. Hoje é possível fazer um arranjo mais ousado soar como Moptop".

Agora o caldeirão ganhou ingredientes de country ("História Pra Contar"), surf music sixtie ("Contramão"), billy ("2046"), trilha de faroeste ("Bonanza"), jazz ("Adeus"), disco a la Blondie ("Desapego"). Até balada tem e ainda com um certo balanço soul ("Bom Par"). E tem "Aonde Quer Chegar". O primeiro clipe do disco é justamente uma faixa que remete ao Moptop que todo mundo fora do underground aprendeu a conhecer no outro disco. A letra narra um impasse a dois, com frustrações e arrependimentos no final da balada, durante a aurora. O arranjo vai na mesma linha pós-punk que consagrou sucessos anteriores como "O Rock Acabou" e "Sempre Igual".

E onde o Moptop quer chegar com este segundo disco? Seria mesmo no tão falado e discutido mainstream? O que significaria a capa (desenhada por Benício, o mesmo do álbum anterior e mais conhecido pelos cartazes dos mais clássicos filmes dos Trapalhões nos anos 70 e 80), que mostra os quatro integrantes fincando a bandeira da banda no chão repleto de destroços de guerra e lixo tecnólogico?

"Cada um de nós quer chegar em algum lugar diferente", minimiza Mario, sem perder a chance de fazer uma piada e ainda sair pela tangente diante da pergunta. "Tem quem só queira ir ao banheiro neste instante. Já eu estou louco para voltar à estrada. Faz oito meses que a gente não faz show. Paramos de tocar por causa da preparação para este disco."

Veja o clipe da música "Aonde quer chegar" em nossa galeria.


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Comentarios (1)Add Comment
615
...
escrito por tidus, 28 de julho de 2009
nos shows é que o moptop detona, ou vai ver é pelo fato de gostar muito da banda, o 2 album deles é bem melhor, lembra um pouco o que os strokes fizeram com o first... no sentido da mudança de rumo das musicas...

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