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Los Alamos

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Sexteto argentino recupera as sonoridades antigas do folk rock e aumenta seu culto com o lançamento do álbum El Fino Arte de la Venganza











Texto de Cristiano Viteck

O público brasileiro não costuma prestar muita atenção às cenas musicais de seus países vizinhos. Quando muito, quem se arrisca logo é tachado de comunista ou socialista por aqueles que vêem nisso uma tentativa de "não se entregar à música pasteurizada que é produzida pela alienante indústria cultural dos EUA e Europa".

Isso até pode ter um pouco de verdade, mas na real as coisas não são bem assim. É claro que os cantores latinos de sucesso que fazem sucesso por aqui como Rick Martin, Alexandro Sanz e babas da mesma estirpe depõe contra e realmente leva muitos a ver os grupos da América Central e do Sul de forma preconceituosa. Entretanto, por baixo disso tudo, escondem-se ótimos artistas. É o caso do que vem acontecendo na Argentina, onde a música independente em geral - o rock, em particular - está fortalecendo cada vez mais a cena, a exemplo do que também acontece em nosso país.

E um dos grupos mais celebrados entre os hermanos argentinos está o Los Alamos, formado em Buenos Aires em 2004 e que recentemente lançou o seu segundo disco (ou o terceiro, se for levado em conta o EP de covers e versões ao vivo Emboscada, de 2006). El Fino Arte de la Venganza, o novo trabalho, chegou ao mercado argentino cheio de expectativas e não decepcionou. E no embalo da boa repercussão, o grupo já emenda, a partir de 22 de agosto, uma turnê européia de 20 shows que levarão o seu western latino para a Alemanha, Espanha e França (onde o disco foi lançado há duas semanas). Antes, disso, em 2007, o grupo foi uma das atrações do Abril Pro Rock, festival pernambucano cuja repercussão na imprensa nacional foi mínima. O mais próximo de ganhar a atenção da mídia brasileira foi uma citação da extinta revista Bizz, que em 2006 destacava o Los Alamos como um dos principais nomes do rock atual que mereciam ser ouvidos. Felizes aqueles que se deram ao trabalho de correr atrás: encontraram um poço de canções ao mesmo tempo belas e provocantes e, acima de tudo, que passam longe dos clichês "anos 80" que infestam os programas e blogs mais "antenados".

O jornal portenho Página 12, em uma extensa matéria publicada às vésperas do lançamento de El Fino Arte de la Venganza matou a charada: "Los Alamos tem algumas características impróprias para os tempos que caminham a cena roqueira Argentina: são bons músicos, tem boas idéias e dizem o que pensam. Qualquer destas três características dariam, sozinhas, motivos para se festejar". E, de fato, motivos para celebrar não faltam.

Se fosse para comparar com algum nome brasileiro da atualidade que se aproxime da sonoridade, da poesia e da atitude do Los Alamos, o grupo mais acertado seria o Vanguart. As duas bandas transitam pelo folk, sentem-se à vontade para mergulhar nas referências do universo beatnik e dele saírem com ótimas canções. E as qualidades dos argentinos ainda se estendem pela maior riqueza instrumental e por agregar à sua sonoridade uma gama maior de estilos, como o country, a psicodelia e o space rock. Os responsáveis por tudo isso são o vocalista e violonista Peter López, o guitarrista Poly, o baixista Andrés Barlesi, o baterista Joaquin Ferrer, o trompetista/acordeão Gabriel Sanabria e o norte-americano Jonah Schwartz, tocador de banjo. Tudo gente que parece ter passado a infância assistindo aos clássicos de faroeste e ouvindo as trilhas de Ennio Morricone, antes de descobrirem artistas como Neil Young, Bob Dylan, Johnny Cash, Sonic Youth e Calexico.

Esse caldeirão de influências, que nas mãos da banda virou algo que eles denominam de narco-country, já era marcante no primeiro álbum No se Menciona la Soga en Casa del Ahorcado (2006), disco que traz o maior hit do grupo até hoje, "Cola de Cascabel". Agora, se o novo trabalho não conta com uma faixa que supere aquela, El Fino Arte de la Venganza é melhor do que a estréia por ser um trabalho em que as músicas se encaixam mais perfeitamente umas às outras, formando um belo conjunto, dentro do que se espera dentro do conceito do que deve ser um álbum de música. Definitivamente, não é um daquele tipo do qual você saca uma ou duas músicas para ouvir no celular. O barato aqui é o pacote completo.

Ao todo, o disco reúne 13 faixas, com vocais ora em espanhol, ora em inglês, ou até mesmo as duas línguas em uma única música. O que se nota em relação aos trabalhos anteriores é que o grupo está muito menos introspectivo e olhando muito mais à sua volta. Daí que saltam das letras versos sobre a solidão da vida moderna e observações ácidas e irônicas sobre a sociedade, mas sem descambar para o idealismo ou à crítica panfletária. Bons exemplos disso são "Lo Mas Bajo", "Sin Sonbra", "El Fino Arte de la Venganza" (cantada em inglês, apesar do título em espanhol) e "El Viento" - esta de uma cortante melancolia marcante pela triste voz de López e que fica ainda mais intensa durante os solos de acordeão e banjo. Mas o clima também fica mais animado em faixas como "Blind Bird Blues", que soa como os atuais blues de Bob Dylan, "Waiting for the Drought" (puro Neil Young) e na bela "La Respuesta".

El Fino Arte de la Venganza foi gravado com a preocupação em soar o mais próximo possível dos discos folk e rock de antigamente. Daí é evidente que da sua produção não fizeram parte pro-tools e outras tecnologias de ponta. Gravado na Argentina e masterizado nos Estados Unidos por Don C. Tyler (Bob Dylan, Beck, Sigur Rós), o álbum foi lançado pela Cuatretro Records, selo do próprio sexteto, que recusou ofertas para assinar com uma major a fim de manter a independência e o controle total sobre a obra. Tornou-se um disco memorável que, além de marcar o nome dos Los Alamos entre os principais expoentes do atual rock latino (e quem sabe, em breve, também mundial), ainda vai servir de cartão de visitas para despertar o interesse dos brasileiros para outros nomes portenhos obrigatórios, como El Mató a um Policía Motorizado, Niño Elefante e 107 Faunos.

Assista ao vídeo de "Cola de Cascabel"

 

Assista à entrevista para a TramaVirtual


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