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Ao Vivo – Festival Calango
Escrito por Abonico Ter, 19 de Agosto de 2008 10:34
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Heróis locais e boas bandas alternativas brasileiram uniram um público bastante diferenciado em Cuiabá
Heróis locais e boas bandas alternativas brasileiram uniram um público bastante diferenciado em Cuiabá
Texto de Tiago Agostini
Fotos de Paulo Kyd/Volume Comunicação (Macaco Bong e Do Amor) e Rafael Monteiro (Curumin e Jumbo Elektro)
Parecia uma grande festa junina de colégio. Um enorme galpão - o Centro de Eventos do Pantanal - com diversas atrações: uma tenda para jogar Guitar Hero, as barraquinhas das gravadoras vendendo CDs e camisetas, stands do povo de artesanato e de cultura local, a praça de alimentação - a mistura de hambúrguer, queijo, presunto, tomate, alface, bacon, salsicha e ovo do X-Bagunça assusta até o estômago mais forte. E, claro, os dois palcos, um ao lado do outro, que são a grande atração do Festival Calango 2008 em Cuiabá.
O que mais chama a atenção no evento, no entanto, é a mistura saudável de público. Metaleiros, punks, patricinhas, indies, todos convivendo sem problema no mesmo local. E não só isso, famílias inteiras - pai, mãe e filhos, às vezes até crianças de colo - compareciam ao centro de eventos, numa prova de que, mais que um festival de música, o Calango já se tornou um evento relevante no calendário da cidade.
A impressão que se tinha era de que todas as pessoas que gostam de rock estavam lá. É o grande momento para eles assistirem aos heróis locais com uma melhor estrutura e um som melhor e conferir boas bandas do chamado "eixo" da música no Brasil. E a animador ver as caras de excitação dos adolescentes que circulavam pelo espaço felizes por acompanharem o evento.
Musicalmente falando, o Calango teve barulho demais para pouca canção. Da escalação local, muitas bandas pesadas. Em contraste, as bandas do "eixo" eram mais cabeçudas, menos fáceis de serem assimiladas, boa parte com misturas sonoras e flertes com MPB. Algo que pode ter um caráter educativo, no final das contas. Como disse uma amiga, se ao final do festival cinco rapazes que assistiram ao show do Do Amor saírem com a idéia de que, sim, eles podem fazer rock misturado com lambada - e isso soar bem - talvez a cena local se diversifique e tenha um upgrade. Há de se destacar também o grande número de bandas instrumentais, capitaneadas pelo Macaco Bong, Pata de Elefante e Elma.
Dez melhores shows
Do Amor
A melhor banda do Brasil em 2008, sem sombra de dúvidas. Mesmo com problemas no som, não equalizado perfeitamente, os cariocas conseguiram colocar uma parte dos metaleiros para rebolar ao som de seu rock misturado com lambada, carimbó, axé e samba.
Cérebro Eletrônico
Os paulistas têm forte influência de Caetano e da Tropicália, mas conseguem traduzi-la em sonoridade própria. Transformaram o palco do festival em uma grande festa, com direito a serpentina pendurada e jogada para a platéia.
El Mato a Un Policia Motorizado
Misturando Sonic Youth, Guided By Voices, Pavement e Strokes, os argentinos fizeram sua meia-hora de show durar mais do que o normal. E isso não é uma crítica.
Jumbo Elektro
Talvez na terceira ou quarta vez as piadas e brincadeiras do show da banda paulista percam o sentido ou a graça. Mas, na primeira vez, aliado ao pós-punk meio Gang of Four do grupo, elas têm um ótimo efeito. Show com nível internacional.
Pata de Elefante
Esses gaúchos dizem que tocam canções sem vocal, e isso faz todo sentido. Músicas curtas influenciadas por Jimi Hendrix, Cream, blues e surf music dão o tom da melhor banda instrumental do Brasil.
Macaco Bong
Bruno Kayapy é uma espécie de herói local. Há pôsteres dele fumando sem camisa e com um braço a abraçá-lo por trás em algumas barracas do evento. Em cima do palco, ele assume as vezes do guitar hero local com elegância e intensidade. Somado à precisão discreta do baixista Ney Hugo e à bateria virtuosa de Ynaiã Benthroldo, o trio hipnotiza com seu hard rock instrumental.
Curumin
Dono do melhor álbum do ano, o paulista fez um show apenas OK. Talvez o fato de tocar bateria e cantar durante a maior parte do show tenha causado distanciamento - afinal, faltou um frontman à apresentação. De qualquer forma, a formação de sua banda com apenas um baixista e um DJ tocando os samplers é uma nova boa aposta para o cenário, no que foi chamado de "pós-samba-rock" pelo jornalista Alex Antunes.
Cabruera
Na onda de mistura de rock com ritmos regionais quem também teve destaque foram os paraibanos do Cabruera. Eles envolveram o público com um repente meio punk meio hard-rock.
Vanguart
Seguraram um bom público para um horário ingrato: domingo quase duas horas da manhã. Fecharam o festival com um bom show, mas distante do potencial que a banda cuiabana tem em cima do palco. De qualquer forma, a platéia vibrou com os indie hits "Semáforo" e "Hey Yo Silver", em especial.
MQN
A competência do stoner rock da banda de Fabrício Nobre em cima do palco é amplamente conhecida. Os goianos foram os primeiros a fazer o público vibrar e cantar na noite de sexta.
Observação
Menção honrosa para o fluminense Supercordas, que foi muito prejudicado pelo som mal equalizado. Para uma banda que aposta nos timbres e texturas sonoras isso é um grande adversário...
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