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Todo o barulho e devoção direto às almas sul-americanas que o trio norte-americano levou diretamente à Argentina

Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Blak Rebel Motorcycle Club
La Trastiena [Buenos Aires - Argentina] - 04.04.08

Robert Levon Been e sua postura messiânica repetida diversas vezes durante o show

Carlos André Chacal

As circunstâncias que envolveram a primeira visita do Black Rebel Motorcycle Club à América do Sul não deixaram claro o porquê de o Brasil não ter sido incluído no roteiro. Inicialmente contratada como atração secundária do Quilmes Festival, que tomou o famoso Monumental de Nuñez, estádio do River Plate, por quatro dias, a banda abriu uma segunda data no clube La Trastienda, menor e, por isso, mais adequado ao clima intimista que eles gostam de criar em seus shows. Com o cancelamento da atração principal de domingo no Quilmes (Lenny Kravitz alegou problemas de saúde) e a adição no line-up de duas incensadas bandas locais, Divididos e Catupecu Machu, o BRMC viu seu status reduzido para a terceira posição - o que talvez tenha tornado o show de sexta potencialmente mais importante para os fãs e a própria banda.

Quando surgiu na mídia em 2001, a banda da cidade americana de San Francisco tinha os elementos necessários de apelo jovem pra embarcar de carona no sucesso dos Strokes: o nome tirado de gangue de cinema ( O Selvagem , filme de 1953), o visual largado e dark e dois singles que concentravam em seus riffs a nata do rock: "Red Eyes And Tears" e "Whatever Happened To My Rock n' Roll". No entanto, por terem influências de bandas como Jesus & Mary Chain, o som neo-psicodélico em todo o resto do álbum de estréia acabou atraindo um público essencialmente mais velho e não tão suscetível ao hype . Os mesmos argumentos também foram utilizados pelos detratores, que preferiram enxergar no BRMC uma falta de originalidade, o que soa injusto e desmedido nesta década que vem primando pela existência em massa de bandas derivativas.

Desembarcando na Argentina ainda na turnê de Baby 81 , seu mais recente e coeso álbum, no qual conseguem sintetizar todas as influências dos três anteriores, tanto o lisergismo do primeiro quanto o pop radiofônico do subestimado Take Them On, On Your Own (o segundo) e o lado mais-Dylan-do-que-Reid do criticamente aclamado Howl (o terceiro), o BRMC veio com fôlego renovado, com o baterista Nick Jago reintegrado à banda depois de uma temporada em clínicas de reabilitação.Portanto, aptos a mostrar ao público portenho sua mistura empolgante de rock de garagem, blues, folk e gospel.

Com o câmbio extremamente favorável ao real frente ao peso argentino (cerca de 1,80 a cotação peso/real), o ingresso de 150 pesos saiu quase de graça para um show deste calibre. A possibilidade de ver a banda de perto em um clube pequeno tornou-se ainda mais palpável diante da lotação da casa, que, à primeira vista, ultrapassava pouco mais da metade de sua capacidade (700 pessoas). Este seria o meu terceiro show da banda e já tinha noção do quanto o Black Rebel tem mais força em lugares menores.

Com apenas 10 minutos de atraso, a banda pisou no palco. Os gritos que se seguiram e o acompanhamento em uníssono desde os primeiros acordes de "Love Burns", música de abertura, já davam a crer que a platéia estava na mão. E foi exatamente com esse espírito de jogo ganho que o BRMC incendiou o La Trastienda. Em seguida, com a dançante "Berlin", eles começaram a ditar o ritmo do que seriam as 24 músicas do set list . O baixista e vocalista Robert Levon Been assumiu pela primeira vez a posição quase messiânica que repetiria à exaustão durante toda a apresentação, debruçado sobre o microfone como um legítimo crooner dos anos 50. Durante músicas mais introspectivas, como "In Like The Rose" e "Awake", as luzes projetadas do fundo do palco, varando a cortina de fumaça artificial e só lhe deixando a silhueta do corpo franzino e do topete, acusavam uma imagem bem conhecida e dão voz aos detratores: Jesus & Mary Chain, impossível não pensar em outra coisa. Já Peter Hayes preferia se recolher nas sombras com suas guitarras - passava o show trocando elas - e a gaita ocasional, como em "Shuffle Your Feet" e "Ain't No Easy Way". JáNick Jago... Bom, Nick Jago tenava a todo custo acompanhar o ritmo acelerado que ambos impunham e o sustentava com competência todo o tempo, mesmo sendo visivelmente o único da banda sob efeito de alguma substância.

Trocando de lugar e instrumentos, Robert e Peter executaram "American X" (música de Baby 81 que também dá nome ao recente EP com sobras de estúdio) em versão mais longa, como uma extensa jam session - o que também se repetiria por ainda mais tempo no show do Quilmes, dois dias depois. Na platéia, permanecia admirado ao lado de minhas duas companheiras do Brasil e observo o público misto. Havia o casal de gays quarentões que têm um programa de rádio na Internet. Os namorados com figurino indie estereotipado que nem conheciam a banda direito. O grupo que veio do Chile de caminhão, uma verdadeira jornada. Todos, sem exceção, maravilhados com a apresentação à sua frente, que pedia a utilização dos mais variados clichês narrativos, adjetivos como "visceral" e substantivos como "catarse". Não seria, afinal, exagerado o seu uso. Tampouco seria impróprio o famoso grito de bêbado por "rock'n'roooooll!!!!!", já que esta é sua própria essência que víamos a banda destilar.

Robert pegou o violão e dedicou "Restless Sinner" para os caminhoneiros chilenos e sua saga admirável. A essa altura, o show já havia virado uma confraternização entre amigos. Nem mesmo a repetitiva "666 Conducer" conseguia diminuir os ânimos. A seqüência final antes do bis, começando com "Spread Your Love", fez com que "Need Some Air", em seguida, refletisse o desejo do público resfolegado. "Six-Barrel Shotgun" teve versos de Leonard Cohen declamados no meio, naquela parte onde só o bumbo da bateria pede as palmas da platéia marcando o compasso. Ok, golpe sujo, mas sempre funciona. E como se questionando por que a boa música que temos a sorte de presenciar parece ter se escondido, encerram com "Whatever Happened To My Rock'n'Roll?". Nick dirigiu-se à platéia com a mão apontando uma luva com um revólver desenhado, mas a brincadeira não surtiu efeito: as músicas nos alvejaram muito mais profundamente.

Nem dez minutos se passaram quando a banda retornou com "Took Out A Loan". Mais seis músicas, a mesma dedicação, a mesma resposta esfuziante. Lembro-me de quando eu conheci a banda, por meio de uma amiga paulistana, famosa blogueira. Ela me disse ter se deixado enamorar do BRMC pelo refrão "Eu me apaixonei pela doce sensação/ Eu dei meu coração para um simples acorde/ Eu dei minha alma para uma nova religião". Pois diga-se isso a cada um dos presentes no show do Trastienda e com certeza se verá total anuência.

A banda vive se debatendo com questões metafísicas e religiosas ao longo dos 4 álbuns, com o estado da alma e a possibilidade de salvação. Não à toa, terminaram de vez o show com "Salvation" e "Heart + Soul", após um total de duas horas e dez minutos (!!!) no palco. Mais do que uma idéia fixa ou mera carolice cristã, os fãs do Black Rebel Motorcycle Club presentes puderam compreender perfeitamente a preocupação da banda com suas almas, constatando o quanto o grupo fez para deixar mais elevadas as nossas.
Carlos André Chacal

 


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Comentarios (4)Add Comment
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escrito por Orlando Junior, 12 de maio de 2009
cara que maximo a resenha, queria ta lá com vcs, nessa epoca eu pouco gostava de black rebel, mais hoje, tirando o ultimo CD num consigo parar de ouvir, espero que eles venham para o brasil esse ano, primeiro da fila concerteza
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escrito por Orlando Junior, 12 de maio de 2009
faltou um virgula depoiso do CD (tirando o ultimo CD-virgulha-) da a impressão que me refiro a não parar de ouvir ele, e na verdade num gosto nem um pouco dele...
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escrito por tidus, 28 de julho de 2009
eles são os melhores, pena que num os conhecia nessa epoca, o show na polonia foi demais, vi os videos no youtube, espero que ano que vem quando lançarem o proximo album eles venham ao brasil!
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Eu fui!
escrito por Tiago Resende, 13 de dezembro de 2010
Fui nesse show, tava louco d+!

Qdo fomos retirar os ingressos no Las Tradienda, eles estavam passando o som, então entramos de penetras! Assistimos mais ou menos 6 músicas para umas 20 pessoas, conversamos, tiramos fotos. Foi muito louco. Qdo falamos que eramos brasileiros, eles queriam dar os ingressos, pena q ja tinhamos retirados hahaha

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