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Cantora estreia no Teatro Guaíra com um emocionante espetáculo sobre as influências de toda a sua vida

Gaby desconstrói no Guaíra o estereótipo da cantora brega paraenseTexto por Luciana Penante

Fotos de Annelize Tozetto/Festival de Curitiba/Divulgação

Noite de 6 abril de 2017. Quando Gaby Amarantos apareceu no palco do Teatro Guaíra, em show que fazia parte da programação da edição deste ano do Festival de Curitiba, a plateia esboçou uma espécie de estranhamento interessante. Ninguém estava de fato preparado para o que viria a seguir. Atrás de um véu do tamanho do palco, com um vestido rosa brilhante que lembrava um manto e os cabelos presos no topo da cabeça, Gaby lembrava uma princesa africana. Não à toa, começou o show com o hino africano "N'kosi Sikeleli". Ao fundo, a projeção de fotografias de família tomaram conta do palco. Na sequência, a voz potente e mais madura nessa altura da carreira, bradou com doçura os versos de "Cordeiro de Nanã". Eu Sou, espetáculo em que Gaby se propõe a contar a história da própria vida, logo no início mostrou a que veio. Desconstruindo o estereótipo de cantora brega paraense, Amarantos diz que todo mundo pode ser de tudo um pouco e traz um pouco de um mundo dentro de si.

"Cio da Terra", canção consagrada de Milton Nascimento e Chico Buarque, foi seguida por "Planeta Água", sucesso de Guilherme Arantes. O recorte datado era apresentado no show com projeções de mata e oceano. Gaby queria falar de suas influências, mas também queria falar da nossa aldeia. Assim, saiu de trás do véu e chegou mais perto de seus parceiros de palco, o percussionista Mario Negrão e o violonista Danilo Goto, e da plateia. Ao se aproximar do público, trouxe consigo um pouco do Pará, com a sequência "Foi Boto Sinhá", "Sinhá Pureza" e "Esse Rio é Minha Rua".

Na saudação aos curitibanos, uma Gaby emocionada e estreando no teatro falou da importância de conhecer e ouvir o outro. Lembrou o quanto, no geral, conhecemos pouco um ao outro. Contou que todas as obras do repertório de fato fazem parte da vida dela: foram músicas que ouvia, que dançou na escola, que escutava ao namorar. Assistir a Eu Sou, então, significava mergulhar no universo dessa paraense e sair mexido com sua visão de mundo. Na fala, houve espaço também para o empoderamento feminino, tão em voga atualmente e tão sincero na voz de alguém que, como ela mesma disse, sabe o que é ser mulher, negra e pobre. Na projeção, a campanha "Mexeu com uma, mexeu com todas". Na voz, "Maria da Vila Matilde", pinçada do mais recente álbum de Elza Soares. Recado dado.

Com projeções carregadas de cor e movimento ao fundo, Gaby passeou por composições românticas, todas com arranjos diferentes e bem pensados para a ocasião. Só então tirou seu manto e revelou um look mais provocante, colado e dourado. E assim partiu para uma parte mais dançante, com canções como "Piranha", de Alypio Martins, "Jamburana", de Dona Onete, e "Faraó, Divindade do Egito", hit do Olodum (a qual cantou de turbante), entre outros ijexás de deixar os curitibanos com comichões de levantar da poltrona do teatro. Foi quase.

Num falso adeus, cantou "Despedida", de Roberto Carlos, voltou para trás do véu e saiu do palco. Após muitos aplausos e pedidos de volta, ela, toda de vermelho, voltou triunfante, cantando – a capella – a dificílima "Como Nossos Pais", de Belchior e mais conhecida na voz de Elis Regina. Para encerrar, "As Forças da Natureza", composta por João Nogueira e também gravada por Clara Nunes, e "Ex Mai Love" – quarta música autoral dentro do espetáculo (que também contou com uma versão jazzy de "Xirley", "Chuva" – com uma pegada mais lenta que a versão orignial – e a inédita "Chuva de Rosas". Aplaudida de pé, Gaby Amarantos provou ser uma força da natureza que merece ser respeitada. Merece também ser ouvida.

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Comentarios (1)Add Comment
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Gabi Amarantos
escrito por Lúcia Camargo, 19 de maio de 2017
Me surpreendi com este show, uma delícia... Gabi é sensacional, no palco ela canta e encanta, o público foi ao delírio com seu incrível repertório, bem variado, bem brasileiro, sua voz potente impressiona. O arranjo musical também era maravilhoso, perfeito !!! Só de ler o texto da Luciana Penante, voltei no dia daquele show inesquecível...

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