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Jon Spencer

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Oito motivos para idolatrar a obra tão explosiva quanto visceral do americano que volta este mês ao Brasil

Texto de Abonico R. Smith

 

Pussy Galore

Banda surgida durante a efervescente e seminal cena underground de Washington, DC, da década de 80. Durou apenas cinco anos, o suficiente para fazer muito barulho e incendiar o indie rock americano de niilismo, agressividade, arrogância e iconoclastia. Com o nome chupado de uma bondgirl (do filme Goldfinger, de1964, o terceiro da história de 007), lançaram três álbuns oficiais (que nos anos 90 foram resgatados do obscurantismo pelo cultuado selo Matador) e um cassete no qual primaram por destruir, da primeira à última faixa, todo o álbum Exile On Main Street, clássicos dos Rolling Stones de 1972. Seu fundador foi o ex-estudante de lingüística Jon Spencer, então apaixonado por blues, música industrial e Birthday Party, banda que revelou Nick Cave para o mundo. Pela formação do Pussy Galore passaram ainda músicos que tocam/tocaram em grupos como Royal Trux, Boss Hog, Sonic Youth e Free Kitten.

Bandas sem baixo

White Stripes, Ting Tings, Kills, Thee Butchers Orchestra… Pense em uma banda sem contrabaixo e você acabará achando isso absolutamente normal. Afinal, se existe alguém que sabe dominar as seis cordas de uma guitarra mais as múltiplas possibilidades de efeitos e colagens obtidas através de pedais e processadores, a falta das freqüências mais graves nem é mais sentida pelos ouvidos mais alternativos. Agradeça ao Jon Spencer Blues Explosion por fazer todo mundo se acostumar a isso, graças ao revezamento de Jon e Judah Bauer nas linhas rítmicas em seus instrumentos.

Jon Spencer Blues Explosion

Jon, Judah e Russell Simmins tinham apenas dois anos de trajetória como um trio quando compuseram uma obra-prima. Lançado em 1993, o álbum Extra Width marcou a estréia pelo selo cult Matador e projetou a explosão blueseira na MTV e outros veículos que exploram a avalanche alt-rock vinda dos subterrâneos americanos. Já na primeira faixa “Afro”, Spencer dizia a que viera, antecipando a pegada que viria a conquistar o underground nova-iorquino uma década e meia depois através das músicas do Vampire Weekend. Não satisfeito, produziu outro álbum clássico no ano seguinte, Orange, com petardos dançantes como “Bellbottoms” e “Flavor”. Em 1996, fechou a trilogia de genialidades com Now I Got Worry trocando a veia funky por um blues mais sujo, fruto de experiências recentes com RL Burnside, veterano cantor/compositor do Mississipi então “descoberto” por Jon para a fama e a mídia nacional.

Beck

Já com a carreira em ascensão, o Jon Spencer Blues Explosion recebeu uma forcinha extra para estourar de vez nas paradas americanas. Beck, então menino-prodígio que pulou do underground para o mega-estrelato com o hino/hit “Loser”, participa do engraçado videoclipe produzido para esta faixa, interpretando um mestre-cuca atrapalhado. Depois de muita confusão e de perder o emprego, ele acaba voltando para casa, onde é surpreendido por um trio de vizinhos que ensaiam ao lado com uma música tão dançante quanto enlouquecedora. Qualquer referência ao clássico clipe de “Walk This Way” (Run-DMC & Aerosmith) acaba não sendo apenas mera coincidência. Veja o clipe aqui.

Winona Ryder

Já flertando à beça com o hip hop e a electronica, o Jon Spencer Blues Explosion lançou em 1998 seu quarto álbum pela Matador. Acme, apesar do sugestivo nome, não foi tão impactante quanto os trabalhos antecessores. Contudo, entrou para a história graças à música “Talk About The Blues”. Ou melhor, seu videoclipe. Nele, Spencer foi substituído, sem qualquer menção aos mais desavisados, por Winona Ryder, até então uma das queridinhas da platéia que adora se dividir entre as facetas cult e pop do cinema americano. Winona, eterna apaixonada por sonoridades e vocalistas vindos do underground, não deixa por menos e protagoniza uma performance tão explosiva quanto as usuais de Jon à frente da banda (neste clipe, também dublada por outros dois atores, Giovanni Ribisi e John C. Reilly). Assista aqui.

Christina Martinez

Considerada uma das mais estonteantes mulheres do indie rock americano de todos os tempos, ela sempre esteve ligada a Spencer dentro e fora dos palcos. Como músicos, tocaram juntos nas bandas Pussy Galore e Boss Hog. A combustão sonora, pelo jeito, sempre se estendeu ao dia-a-dia do casal, marcado por muitas brigas motivadas por ciúmes de ambos os lados. Reza a lenda, inclusive, que o visual barbudo e desleixado de quando Jon esteve tocando aqui no Brasil pela primeira vez (2001, com o Jon Spencer Blues Explosion) fora motivado por um chute-na-bunda dado pela esposa após ter descoberto um caso extraconjugal com uma atriz americana. Mas eles continuam casados (desde 1990) e Christina trocou a carreira musical por outras atividades, como a de mãe, produtora e designer. Detalhe: Martinez e Spencer se conheceram cinco anos antes, na platéia de um show do Jesus and Mary Chain em Washington, DC.

Boss Hog

O visual era todo baseado no couro preto fetichista (o nome da banda vem de uma gíria para definir um motoqueiro com habilidade para manobras arriscadas no trânsito). O som, uma retomada da era de ouro do punk nova-iorquino que desfilava pelos palcos de clubes-muquifos como o CBGB´s e seus semelhantes. À frente do grupo, Martinez provocava a platéia masculina com performances de alto teor sexual, vestindo muitas vezes apenas luvas e botas de salto alto. Por isto, nesta formação, Spencer sempre se restringiu ao papel de músico coadjuvante. Seu trabalho mais conhecido é o álbum epônimo lançado em 1995, já sob contrato com uma grande gravadora. Contudo, o nascimento do primeiro filho do casal e o crescimento da carreira do JSBE fizeram o Boss Hog abreviar a sua trajetória, retomando as atividades apenas para ocasiões especiais, como o lançamento de mais um álbum em 2000 e um punhado de shows esporádicos a partir do final do ano passado.

Heavy Trash

Tudo começou de modo despretensioso, quando o Speedball Baby excursionava com o Blues Explosion. Matt Verta-Ray (que também tocou baixo no Madder Rose) e Jon Spencer acharam um ao outro para compartir suas paixões pelas raízes do rock´n´roll e seus estilos mais energéticos e viscerais. Entre altos topetes, grossas costeletas, baixos-de-pau, sapatos coloridos e, claro, a indefectível sujeira sonora, a brincadeira acab ou por se tornar coisa séria e virou uma banda oficial em 2005. O resultado, que carrega o irônimo batismo de “lixo pesado” em português, é um mix turbinado de garage, punk, blues, rockabilly, country e honky tonk que já rendeu dois álbuns e divertidos videoclipes como “Dark Hair´d Rider” e “Way Out”. No palco, a dupla ganha o apoio de mais dois músicos e vira um poderoso quarteto, que passa pela primeira vez no Brasil (com shows em cidades como Curitiba, São Paulo e Recife – onde participa do festival Abril Pro Rock).


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Comentarios (2)Add Comment
0
Nem tanto...
escrito por jonas, 06 de abril de 2009
The Doors e B-52's já tinham nos "acostumado" a bandas sem baixo...
71
nem tanto...
escrito por Abonico, 06 de abril de 2009
Oi Jonas. O B-52´s sempre gravou e tocou ao vivo com músicos de apoio no baixo (sintetizado ou não) e na bateria. Sobre o Doors, ali também não havia baixista, mas Ray Manzarek fazia ali nos teclados a linha rítmica de timbres mais graves. Continuando nesta linha de pensamento, podem ser citadas ainda tantas outras bandas eletrônicas (como, entre tantas outras, Kraftwerk e Depeche Mode, que também sempre simularam o baixo nos teclados). Aqui o "sem baixo" é sem as linhas rítmicas mais graves em comunhão com a bateria. Explicado?

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