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Guizado
Escrito por Abonico Dom, 03 de Maio de 2009 00:34
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One-man band instrumental vira supergrupo, experimenta criações coletivas e põe letras em novas músicas

Texto de Bianca Sobieray
Fotos de Fabio Ahmad/Divulgação (Gui) e Fernando Souza (banda)
Guizado poderia ser o grupo de um homem só. Poderia, se não fosse pelas magistrais participação do baterista Curumim, de Regis Damasceno e Rian Batista (guitarrista e baixista do grupo Cidadão Instigado) e Lucio Maia (guitarrista da Nação Zumbi) na formação em cima de um palco. Criado pelo multimídia Gui Mendonça que aqui toca trompete com algumas intervenções eletrônicas, o projeto lançou, no ano passado, o primeiro álbum da carreira, intitulado Punx (Diginóis/Urban Records). Trabalho, aliás, que arrematou dezenas de críticos, inclusive entrando para lista de melhores de 2008.
“Foi uma surpresa pra mim, pois não tive nenhuma preocupação com isso. Queríamos fazer o som que gostamos e da forma como gostamos de fazer. Fiquei livre para compor da minha maneira e principalmente, por ser primeiro disco, as críticas me deixaram bem confiante para dar continuidade ao trabalho, vi que estou no caminho certo”, conta Gui.
Para quem ficou pensando o porquê do título, o trompetista explica que o disco foi todo produzido em cima de batidas – “punx” remete a uma delas. Isso, aliado ao fato do músico ter feito o disco todo sozinho, seguindo um pouco da antiga filosofia do “faça você mesmo” do movimento punk. E se as composições e a produção ficaram por conta de Mendonça, nas apresentações ao vivo a realidade é outra. “Musicalmente, quando estamos no palco, chegamos a um grau de entrosamento grande. Somos uma banda. Ensaiamos juntos, chego e mostro o que fiz. A partir disso cada um coloca a sua ideia, criando coisas em cima, bem como uma banda”, revela.
All-Stars
Formar um supergrupo veio apenas como conseqüência, já que Gui participa de vários outros projetos de amigos músicos. “O Regis e o Rian eu conheci tocando com o Lucas Santana, um baiano que mora no Rio e faz musica própria. Na época, eu já tocava no Guizado com o Curumim [que, por sinal, também bate ponto em diversas formações paulistanas]. Era algo bem mais instrumental. No caso do Lúcio, a gente já tinha uns amigos
O próximo álbum do Guizado já está em fase de composição. No trabalho de estreia, a autoria foi grande parte de Gui, que montava as estruturas e sequências musicais e cada um fazia as adaptações para seu instrumento. Porém, o esquema para o segundo projeto será um pouco diferente. “Agora estamos experimentando outras formas de composição, com uma produção mais coletiva”, diz. Além disso, Gui está concebendo letras para as músicas, buscando “quebrar” um pouco o estilo apenas instrumental – o que abriu um outro leque para a banda e também deu um toque “mais humano no meio de tanta coisa eletrônica”, explica. Mas antes de terminar o segundo disco, que deve sair no inicio do próximo ano e sugere uma guinada psicodélica graças a obsessivas audições de Júpiter Maçã e Beatles, o criador do projeto ainda pretende lançar uma edição de Punx em vinil.
Cada nota tocada é capaz de levar o ouvinte para mais longe. A musicalidade do grupo envolve misturando batidas eletrônicas a rifes de guitarra bem bolados e ao certeiro trompete de Gui Mendonça. Não erra quem arrisca dizer que o Guizado dá uma aula de como se fazer uma (boa) música instrumental.
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