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Cérebro Eletrônico

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Músicas coloridas e ideias criativas fazem o grupo dar bastante frescor à música pop nacional

Cerebrais: psicodelismo coloridoTexto de Bianca Sobieray

Fotos: Divulgação (banda); Fernando Souza (show)

 

Cérebro Eletrônico é uma viagem na história musical nacional. É uma daquelas bandas que você não pode deixar passar sem ouvir por alguns motivos. Além da incrível musicalidade exalada por este quinteto, há algo chamado presença de palco e carisma, ambas características gritantes na apresentação do grupo. No último dia 4 de abril, o Cérebro Eletrônico passou por Curitiba para mostrar o seu segundo e mais recente álbum, Pareço Moderno.

O projeto nasceu em 2001, criado por Tatá Aeroplano (voz e brinquedos) e Fernando Maranho (guitarra) para a gravação de um disco bem lo-fi. “A gente começou com a ideia de gravar totalmente em casa. Na época, a gente começou a aprender a mexer nos softwares de áudio. Então, o primeiro disco foi algo totalmente experimental”, conta Tatá. Depois de pronto o álbum, batizado Onda Híbrida Ressonante, era a hora de montar uma banda para fazer shows. A partir daí começa a trajetória do Cérebro.

O tempo amadureceu o grupo, deu cor às músicas e, no ano passado, foi lançado um novo álbum Pareço Moderno, pelo selo/produtora Phonobase. “Nossa música soa colorida; e, se é colorido, é psicodélica. Além disso, é bem voltada aos ruídos, à sonoridade, elementos dos quais toda a banda gosta”, conta. Além da cor das músicas, nos shows eles apresentam uma dose bem servida de cores e intervenções, que vão daquelas pistolas que acendem e fazem barulho a serpentinas e extintor de incêndio.

Sessão para o disco Pareço Moderno(Por falar neste novo psicodelismo, vale uma historinha curiosa. No ano passado, com o convite para tocar no Tim Festival na noite que tinha os americanos MGMT e National, a banda passou uma semana em um sítio para pensar e elaborar algumas novas composições. Um dos CDs levados para lá foi o bastante celebrado Oracular Spectacular, álbum de estréia do MGMT. “Sentimos que ele tinha a ver com o Cérebro, nesse lado colorido, meio psicodélico. O mais legal foi que no dia do show estávamos no camarim e eles vieram falar com a gente. Já conheciam a banda através de amigos brasileiros. Rolou uma afinidade legal entre os grupos”, revela Tatá.)

Muitas das influências do grupo são bastante audíveis e perceptíveis – vão de Júpiter Maçã a Sérgio Sampaio. O Cérebro também exala bom humor e despretensão, recheando as letras de ironias. O tal “parecer moderno” da faixa-título é mais uma delas. Tudo começou com o vocalista observando como as tribos estão integradas. “Todo mundo parece moderno, não tem mais aquilo de aquele cara estar ‘fora de moda’. Isso não existe mais”.

 

Tatá brincando em show em CuritibaDiálogo aberto

Os diferenciais não param por aí. Para o lançamento de Pareço Moderno, os cerebrais pensaram em diversos formatos, para todos os gostos: tem CD, cartão de download (para quem quiser comprar e baixar), download gratuito, digipack e uma versão premium (já esgotada) onde dentro de uma lata vinham vários mimos e material sobre a banda. “Optamos pela Phonobase. Eles pensam um conceito diferente de trabalhar com a questão da música. A ideia partiu deles e nós apoiamos totalmente. A gente lançou em vários formatos porque sabe que tem público para todos eles. Queríamos constatar isso na prática”, afirma o vocalista. Com uma visão macro da situação da indústria fonográfica atual, o Cérebro Eletrônico encontrou nessa ação um diferencial. “Os artistas pensam que hoje não vale mais a pena lançar disco. Colocam a música em MP3 na internet e depois não fazem absolutamente nada. Ficam achando que as pessoas vão descobrir o som do nada. Não é assim... Isso é até meio ingênuo”, pontua.

Recentemente, o grupo lançou uma pesquisa na internet, disponível para quem quiser responder. No questionário, cerca de 40 perguntas relacionadas às preferências dos ouvintes, incluindo como eles gostariam que fosse lançado o próximo disco do grupo – já em fase de produção e intitulado Deus e o Diabo no Liquidificador, com previsão de lançamento para julho de 2010. Junto com isso, está também o reflexo da rede mundial de computadores na carreira de um grupo independente. “A internet é uma democracia total, uma aliada. Você não precisa tocar em grandes emissoras para as pessoas te conhecerem. E com esta pesquisa, a gente tem um banco de dados fenomenal, uma série de informações que vão nos ajudar a fazer a divulgação do terceiro disco. Afinal, queremos fazer uma coisa que agrade as pessoas que curtem a banda”, explica Tatá.

O feedback do público, tão importante para o Cérebro Eletrônico, ficou ainda mais evidente na parte final do show na capital paranaense, quando o relógio já havia badalado marcando quatro horas da manhã e o resistente grupo de insones gritava “mais um, mais um”. Após tentar se despedir duas vezes (ambas voltando para tocar mais uma música), os cerebrais encerraram em definitivo a noite dando uma dica breve da tão cobiçada busca pelo sucesso.


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